terça-feira, 9 de agosto de 2011
LADRÕES E OS 30 MILHÕES
Os acusados de corrupção e desvios de dinheiro público são os mais indignados neste país. Não sou lixo. Sou inocente. Não admito que tratem meu filho como ladrão. Isso é uma perfídia comigo. Não vou permitir que coloquem o meu nome e o da minha família na lama. Aquela imagem recebendo propina não sou eu. Não é minha assinatura. Sempre fui uma pessoa honrada e não aceito achincalhamentos e impropérios contra meu nome. E por aí vai dando murros em tribunas e mesas, soltando espuma pela boca.
E por falar em imagem, o cinismo é tão grande diante da impunidade, que o acusado nega o que fez e ainda distorce os fatos. Lembra daquela imagem feita por câmaras em Feira de Santana onde policiais espancavam barbaramente um jovem? Depois a imprensa quis saber do comandante qual seria a punição contra os elementos fardados e ele prontamente respondeu que ia investigar. Mas, investigar mais o quê?
Em Itabuna um guarda e outro sujeito esmurraram um homem acusado de furto. As imagens flagraram o momento das torturas. A “autoridade” superior explicou que o guarda estava tentando dominar o rapaz. O cara estava deitado tomando pancadas e chutes.
Por falar em tortura, hoje a polícia pratica mais torturas nas cadeias e extermínios que no tempo da ditadura. Quase todas as quadrilhas de assaltos e roubos a bancos têm policial infiltrado, com esquemas e armas pesadas até do Exército. Não me venham com essa de salário baixo. È preciso que se faça uma depuração total nas corporações.
O assunto mesmo é a indignação dos políticos, principalmente do PT, que não aceitam críticas e se sentem incomodados. Conversa vai, conversa vem, sapecam os 30 milhões que saíram da pobreza. É uma estatística ilusória. Saíram da miséria por conta do Bolsa Família? Só porque compraram uma televisão, um fogão ou uma geladeira nova com prestações a perder de vista?
Conheço barracos nas periferias de Conquista que têm tudo isso em seus casebres. Continuam morando lá pendurados na Serra do Periperi. Devem fazer parte dos 30 milhões. De acordo com a estatística, mais 30 milhões subiram para a classe média. Mas que classe média é essa? A que ganha um ou dois salários mínimos? Já fui da classe média, mas hoje com minha pequena aposentadoria, não sou mais. Dei muito duro para educar meus filhos.
Basta um pobre qualquer entrar num avião (passagem- promoção, comprada com três meses de antecedência) para os homens do governo abrirem a boca e alarmarem que a situação do povo melhorou. Melhorou para eles que viajam de avião todas as semanas pago com nossos impostos; e comem nos restaurantes mais chiques, sem contar outras mordomias.
Melhorou como senhor deputado? Basta ver como estão nossas escolas ou dar uma passada nos corredores dos hospitais. Até quando as famílias pobres - e não me venham com essa de que já estão na classe média - vão continuar sendo sustentadas pelas esmolas do Bolsa Família?
Um político chegou a dizer que a vida de 60 milhões modificou-se substancialmente. Ele não se atreve a passar um mês na casa de um desses 60 milhões para acompanhar de perto as necessidades, não somente em educação e saúde.
O Brasil ainda está muito longe de um mercado de massa de que tanto apregoam os homens do Governo. Para quem tem uma verba indenizatória é simples sair falando isso. Por mais que se tenha injetado dinheiro na economia, o consumo no Brasil ainda é irrisório em se tratando do básico e do necessário para uma pessoa viver dignamente. Não falo aqui dos supérfluos que estão mais ao alcance de quem ganha acima de 10 ou 15 salários mínimos.
Muitos políticos destilam sua raiva contra aqueles que criticam o comportamento deles que aumentam por conta própria seus salários e não querem fazer uma reforma política. Nem é preciso desqualificá-los, pois eles mesmos cuidam todo dia de sujar suas imagens por conta de seus atos.
Propalam por aí que muita gente só quer demonizar o Legislativo e apelidam estes de ideólogos. Fazem alarme de que os críticos alimentam o autoritarismo. Ainda são poucos os que contestam os desmandos. Não são os chamados ideólogos, mas a própria falta de respeito dos políticos em si que acende a chama do autoritarismo.
A bagunça e a falta de uma reforma política séria é que abrem caminho para uma ditadura. Defendem que existem muitos políticos e muita gente ética lá em cima. Só que esses sérios também estão lá apoiando e votando aumentos absurdos para eles mesmos, com suas montanhas indenizatórias.
É bom que tirem a trava de seus olhas e vejam como anda nossa educação e a saúde onde pessoas morrem todos os dias nos corredores dos hospitais por negligência e falta de médicos e leitos. Há três meses marquei um exame de colonoscopia e não fui chamado pela central de marcação. Tenho medo todos os dias de cair doente. Prefiro morrer em minha casa.
Cadê a reforma agrária tão prometida pelo PT? E as mudanças mais profundas na sociedade? Cadê a punição dos torturadores da ditadura? Será que as mudanças estão nas alianças com Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor de Melo? O mensalão também pode considerado uma forma de mudança estratégica?
Nada de abrir mão das mordomias e fazer uma reforma política que ameace seus mandatos, ou o poder de governar. Ainda querem amordaçar os críticos, achando que estes fazem plataforma para uma ditadura. Temos um Senado inoperante e câmaras de vereadores que em nada representam o povo.
Só para finalizar, o brasileiro tem duas opiniões: uma com a câmara ligada e a outra desligada. Veja as pesquisas sobre homofobia e outras que estão dentro do maldito pacote do politicamente correto. Existe também uma opinião entre quatro paredes e outra fora de casa.
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