Diante de tantos desmandos e corrupção, o jornalista espanhol Juan Arias, do El País, indagou por que os brasileiros não demonstram indignação. Esta pergunta foi a mais comentada pelos colunistas da grande imprensa brasileira nas edições de domingo.
As respostas e os comentários desaguaram em pontos convergentes como a de que a era Vargas da cooptação dos sindicatos e dos estudantes através da UNE –União Nacional dos Estudantes ainda não se acabou; a web está cheia de blogueiros falando de imprensa golpista; o povo é iletrado; e a de que os “esquerdistas” e os intelectuais do silêncio ainda estão festejando a posse de Lula.
Teve um que disse que somos omissos, submissos e cínicos demais. Enquanto isso, estouram pelo país as marchas pelos veados, pela maconha, pelas baleias e pelo evangelismo como aconteceu na data do Dois de Julho, em Salvador, em plena comemoração da independência da Bahia no Brasil.
Os estudantes são financiados pelas estatais e os sindicatos vivem se banqueteando nos palácios. Tudo isso explica a falta de indignação dos brasileiros. Aliás, os colunistas estavam indignados com a indignação do jornalista espanhol que tinha cabimento.
O escritor alemão naturalizado francês, Stéphane Hessel, em “Indignai-vos”, diz num dos trechos do seu livro: “Olhem à sua volta e vocês encontrarão os temas que justificam a sua indignação. Não faltam razões para a ação política indignada, para a intervenção política. Vocês encontrarão situações concretas que os levarão a praticar ações cidadãs fortes. Procurem e encontrarão!”
No Brasil da corrupção razões não faltam para se indignar, mas Hessel conclama que se faça uma insurreição pacífica. No bom sentido, diria que a ação de indignação em si já deixa de ser pacífica. Ela transborda. Não acredito em indignação pacífica. Não me venham também com essa balela de que a resposta está nas eleições.
Estou indo direto ao ponto para não perder tempo e não me estender. Nesta República fatiada entre aliados insaciáveis (a cúpula do PT coloca panos quentes) por maracutaias, estamos cercados de todos os lados por larápios, gatunos, ladrões e corruptos.
São tão viciados quanto os que usam cocaína, heroína, crack e outras drogas ilícitas pesadas. Só que a droga deles é o dinheiro público e as mordomias que vão passando de mão em mão no mercado das falcatruas. Eles não se escondem em morros e becos. Moram em mansões e palácios. São a escória da sociedade. Seus pontos de tráfico são os ministérios, o Congresso Nacional, empreiteiras, estatais e demais esquinas da criminalidade desmedida, sem punição.
Indignação é pouco demais para expressar a revolta. Para essa corja, os casos mais recentes de Palocci e do Ministério dos Transportes são casos superados, casos encerrados. O outro diz que a mídia é pródiga em invencionices.
Além de tudo isso, ainda sofremos a perseguição do politicamente correto. A liberdade de expressão está sendo sufocada pelos paladinos da liberdade, e a mordaça do politicamente correto é a pior de todas. Cheira com fascismo, com a ditadura do passado. Voltamos a autocensura onde o indivíduo procura censurar ele mesmo. Poda sua fala e sua escrita.
Esses paladinos furiosos poderiam aprender um pouco com Voltaire quando disse: “Não concordo com nada que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo”.
Ainda nesta semana estava lendo uma reportagem onde dizia que atualmente temos mais mulheres fazendo apostas nas casas lotéricas e bebendo nos bares, se igualando aos homens. A matéria mostrava tudo isso como se fosse mais uma conquista de espaço das mulheres. Isso é bom? Só faltou fazer apologia ao número crescente de mulheres bandidas chefiando quadrilhas de marginais e traficantes.
Para finalizar, queria falar também do outro mundo sujo que é o futebol, comandado pelo todo poderoso Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol. É mais uma razão de indignação, mas o homem em entrevista à revista Piauí mandou todo mundo pra merda, como fazem nossos “dignos representantes parlamentares”.
Sem medir as palavras, o todo poderoso passa o sarrafo na imprensa, com exceção da Rede Globo que ele diz temer, mas que também sabe como controlar, colocando jogos da seleção de “tarja preta” na frente da camisa em horários nobres, como Brasil e Argentina (19 horas). Isso foi quando um repórter da rede levantou suspeita sobre seus bens. Por falar em seleção, a única explicação para a derrota contra o Paraguai foi a “tarja preta”. Todo mundo estava “doidão”.
O todo poderoso chama a imprensa de escrota, vagabunda e filhos da puta. Quando cita a CBF fala na primeira pessoa: “Em tenho 120 milhões em caixa”. Contra aqueles que o criticam afirma que vai infernizar a vida deles e promete montar uma estrutura jornalística própria para só produzir conteúdo de interesse da CBF.
É o todo poderoso quem decide onde, quando e a que horas os clubes jogam, conforme destaca a revista. Não quero, nem vou entrar aqui na questão das disputas entre as emissoras, mas o homem deixou claro que faz o que bem entender, até sacanear com os torcedores, colocando jogos para terminar lá pela meia noite.
O seu sogro e professor João Havelange lembrou que Ricardo Teixeira é mineiro e amigo do senador Aécio Neves, prevendo que a abertura da Copa de Futebol de 2014 será em Belo Horizonte. Insiste que se seu genro quiser pode fazer isso. Vamos esperar para ver o resultado.
Quanto as obras da Copa estas já estão contaminadas pela corrupção. Como afirma o escritor João Ubaldo Ribeiro, para que tanto “lero-lero” com normas, leis e regras de licitação se todo mundo já sabe que vai haver irregularidades mesmo, que vai haver superfaturamento, que vai haver desvios de dinheiro público, como já está ocorrendo. A escolha da Copa e das Olimpíadas já nasceu corrupta. O Brasil não deveria sediar esses eventos.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
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