Não sei quem tem mais razão, se o Marquês de Maricá ou o escritor João Ubaldo Ribeiro. O primeiro disse certa vez que um povo corrompido não pode tolerar um Governo que não seja corrupto. O segundo comentou que além de desonestos ficamos cínicos e apáticos.
Não podemos falar na terceira pessoa do singular, mas na primeira do plural, nós somos assim, ou nos transformamos nisso que somos por puro consentimento, comodismo e aceitação. Alienamos-nos, e o grande mal da corrupção não abala mais nossa indignação e consciência de antes, não nos afronta a estupidez dos safados.
Eu diria que nos acostumamos com a desonestidade dos políticos, e as notícias de corrupção vão e voltam como no balanço das ondas do mar. Às vezes, o mar está agitado e produz ondas gigantes e perigosas. Limitamos-nos a olhar de longe a força da corrupção quebrando e destruindo com a nossa natureza.
Não fazemos barreiras, nem muros de proteção para impedir o avanço das fortes ondas, desfazendo tudo que construímos ao longo dos anos, com sacrifício e sofrimento. Nada de levantar pedras para impedir a ação intrépida dos ladrões e assassinos que chegam e vão levando tudo sem serem incomodados.
Vamos deixar de linguagem figurada e encarar a verdade que fazemos de conta que não nos diz respeito. Chegamos ao ponto crucial da desfaçatez onde toda transparência será castigada. Denunciar a corrupção pode dar cadeia, mas alguém tem que fazer o trabalho sujo da honestidade.
Fomos nós mesmo que deixamos tudo isso acontecer, como a decretação pelo executivo e o legislativo de que as obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 (cheias de malandragens e ladrões) tenham licitações diferencias e corram em segredo.
Não foi o próprio presidente da Câmara, Marco Maia, quem propôs certo dia que as investigações sobre roubos sejam feitas depois de realizados os eventos! Agora, no seu entendimento, poderia atrapalhar o andamento dos faraônicos e megalomaníacos estádios e prédios.
Fomos nós mesmo que demos asas enormes e poderosas para que os predadores gaviões voassem alto e saíssem por aí deixando terreno arrasado por onde passassem. Fomos nós mesmos que criamos e deixamos o monstro crescer para nos engolir.
Não temos terremotos, vulcões, tufões, tsunamis, mas temos uma máquina destruidora desembestada e uma besta fera devorando vidas e triturando o que encontram pelo caminho. Não são comunistas, mas adoram comer criancinhas, jovens e idosos (não velhos porque não é mais politicamente correto), de preferência que sejam pobres e necessitados de assistência nas áreas social, de educação e saúde.
Ah! eles adoram deixar muita gente morrendo nos corredores dos hospitais e colocar crianças estudando em buracos, casebres e debaixo de árvores, melhor ainda se for sem sombra. Por falar em saúde, o próprio Governo faz propaganda enganosa ao recomendar que as pessoas façam exames de prevenção, como mamografias, câncer de próstata e outros, mas não existem médicos e aparelhos disponíveis.
Muitos morrem antes de fazer os exames. Agora mesmo, em reportagem, a Rede Globo mostra essa realidade que é o calvário para se marcar uma mamografia, e diz que o Governo tem uma grande dívida para com as mulheres. Só que a dívida é total, sem distinção de sexo e cor. O caos na saúde está bem perto de nós. Desse assunto falo depois.
Enquanto isso, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral viaja nas asas do avião de luxo do megaempresário, Eike Batista que acumula mais dinheiro nos superfaturamentos das obras públicas. Ainda tira um sarro com nossas caras dizendo que desconhecia as ligações perigosas e que vai propor a criação de um código de conduta para governadores e políticos que ocupam cargos públicos. Mais nada a comentar.
As ondas gigantes da corrupção se sucedem e não nos assustam mais. Nem bem iniciou a Ferrovia Oeste-Leste e a besta fera lá está no Ministério dos Transportes, engolindo dormentes e trilhos, com toda voracidade e apetite. O mensaleiro Valdemar da Costa Neto, do PR, não se saciou e lá está mais uma vez, dando suas dentadas ferozes.
Um dia a presidente decide não liberar as emendas parlamentares (moedas de troca) de R$4,6 bilhões para não comprometer o ajuste fiscal, no outro dia (pressionada) libera e manda seu ministro declarar que não compromete mais. Até tu, oh!...
A China acabou de inaugurar uma ponte de 42 quilômetros sobre o mar ao custo de R$3,6 bilhões em três anos. Fosse aqui não ficaria por menos de oito a dez bilhões e mais de dez anos. É só comparar com o metrô de Salvador, mais de um bilhão e ainda não foi concluído depois de mais de dez anos.
Transformaram o desfile cívico do Dois de Julho na Bahia numa tropa de arrastão político, com direito a cumprimentos, aplausos e tapinhas nas costas. Nós toleramos tudo isso, sem protestos, sem revoltadas, sem indignação, sem nada dizer.
Enquanto isso, lá continua o nome de Luis Eduardo Magalhães no Aeroporto Internacional de Salvador. Cinco ou seis anos do PT, e o governador diz que está conversando com a família para tentar trocar o nome, na base da conciliação. Invadem nossa casa e nada dizemos.
É tempo de exaltar e louvar a mediocridade. A nossa educação está caindo aos pedaços, e o MEC até considera falar e escrever errado, para não incomodar os incultos. Lembrei agora de uns dizeres numa prefeitura do interior: Por favor, não amarrem burros no poste para não incomodar os que estão lá dentro trabalhando.
Aqui no centro de Conquista tem uma placa: Concerto de Celulares, mas não se pode dizer nada para não ofender o dono. Você pode ser preso por preconceito. No Brasil temos cotas para tudo. Como a situação está feia e pouca gente passa nos concursos e vestibulares, não vai demorar muito tempo para o MEC decretar a eliminação da prova de língua portuguesa nos testes. Está difícil demais. Vamos igualar, porque assim se resolve o problema.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
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