segunda-feira, 11 de julho de 2011

CÓDIGO DE ÉTICA TEM VALOR

Sei que muita gente acha que sou revoltado, rancoroso e que carrego muito nas tintas. No entanto, com tanta coisa de malandragem e corrupção acontecendo neste país, não dá para se ter uma pena suave, com tintas cor-de-rosa. Esbravejar e xingar os malfeitores ainda é pouco, se bem que eles não estão mais nem aí. É uma safadeza atrás da outra.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, depois de voar nas asas do avião do magnata Eike Batista, mandau criar um Código de Conduta Ética com o valor limite de até R$400,00. É o valor máximo do presente que o servidor público pode receber.

A ética passou a ser mercantilizada como qualquer outro produto nas prateleiras dos supermercados e lojas. Agora a ética tem seu preço estipulado, tabelado. O governador passou a ser inocente porque até antes não existia o código. Não sabia, coitado, que usar favores e mordomias de empresários que prestam serviços ao Estado era errado.

Vale dizer que o servidor que recebe um presente no valor de R$100,00 tem mais ética do que aquele que for presenteado (propinado) com o valor de R$200,00. Quem recebe presente de R$400,00 está no limite da ética. É muito cinismo e cara de pau desses nossos “representantes”.

Na área federal, o valor do presente que o servidor pode receber é de até R$100,00. Em São Paulo o preço da ética sobre um pouco para R$139,60. No Estado do Espírito Santo vai de R$100,00 a R$200,00. Além do valor, a ética é regionalizada. Quem é mais sem vergonha?

Ah! estava esquecendo! A ética tem até reajuste, de acordo com o índice da inflação. No Rio o preço é maior porque no do governo federal ainda não foi reajustado. Com o reajuste no âmbito federal (a tabela foi definida em 2000), o valor pode ir para R$202,40.

Já imaginou a categoria de servidores decretando greve e reivindicando que sua propina seja reajustada! Já tem propineiro por aí ameaçando fazer passeatas e greves pelo reajuste da ética, com cartazes “Queremos Aumento da Propina Já”, “A Luta Continua por uma Propina Reajustada”.

Não sei quanto vale o Código de Ética da Bahia. No Nordeste deve ter um valor mais baixo. Isso é discriminação e preconceito com a ética nordestina. O preço deveria ser até maior para reduzir as desigualdades regionais, ou sociais.

Gostaria de saber quanto vale a ética do ex-governador Arruda, do Distrito Federal. A dele era mensal. A do ex-ministro Palocci vale mais de R$20 milhões e é mais ético do que a do ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento e do seu filho que em pouco tempo ganhou mais de R$60 milhões.

E o valor da ética do deputado Valdemar da Costa Neto, do Jader Barbalho, da família Sarney e a de Renan Calheiros? Em relação a eles, o preço da ética de um policial ou de um funcionário público que recebem uma gorjeta é insignificante. Não é falta de ética.

O nosso país já tem aquelas figuras carimbadas e reincidentes, como aquele ladrão que de tão viciado, ao ser solto assalta o primeiro que passa na porta da penitenciária. Pois é, só que o ladrão volta para a cadeia, mas os de grana alta de colarinho branco continuam a desfilar por aí, e muitos são até premiados.

A ética virou uma peça subjetiva no “consciente” de cada um deles, tanto que os corruptos de hoje acham que não é mais antiético superfaturar obras, desviar dinheiro público, inclusive destinado a socorrer vítimas de enchentes, receber comissões, roubar merenda escolar, passar a mão na verba do Bolsa Família e aumentar seus próprios salários. É o arrastão dos corruptos.

Também ninguém importa mais, e a maioria ainda diz que se também estivesse lá roubaria muito. Enquanto isso, os estudantes brigam por tarifas de ônibus e os políticos e os sindicatos por cargos nos governos. Se é para se beneficiar, todos do Congresso Nacional concordam e ainda fazem pose de honestos, éticos e sérios, defensores da causa pública.

“Pega ladrão, não salva um, meu irmão”! Depois eu que sou rancoroso, revoltado e carrego nas tintas. Com pouca coisa de desmoralizante, meus velhos pais costumavam dizer que era o sinal dos tempos, do fim do mundo. Qual moral que essa corja tem para defender o “politicamente correto”, fazer leis e falar em preconceito e discriminação?

O pai que não dá exemplo pode corrigir seus filhos? O pior é que eles ensinam os filhos a roubar, passar a rasteira nos outros para se dar bem na vida e até matar, se for o caso. O pior é que os filhos estão aprendendo muito bem a lição e se saindo melhor que os pais. Exemplos não faltam.

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