segunda-feira, 20 de junho de 2011

OS BANDIDOS DO SERTÃO

Como na época do faroeste nos tempos das diligências em terras de ninguém onde imperava a lei do mais forte nos Estados Unidos, na base do bang-bang, agora a Bahia virou cenário dos bandidos do sertão na era digital ou virtual, com direito a imagens cinematográficas dignas de grandes roteiros de cineastas.

Sem xerifes durões como John Wayne para abater ou dar cabo nos bandidos com seu gatilho rápido e certeiro, os homens descobriram uma mina de ouro, roubando, explodindo e assaltando caixas de bancos nas cidades desguarnecidas do interior. Sem os justiceiros e homens da lei como Zorro ou Roy Roggere com seus cavalos ensinados e ligeiros no encalço, os bandidos fogem em carros velozes e somem como zumbis nas matas ou nos agrestes.

Com armamentos e equipamentos mais sofisticados, contrabandeados e até cedidos por certos “homens da lei”, os bandidos também lembram os cangaceiros dos bandos de Lampião, Jesuíno ou Corisco. É o “Cordel Encantado”, não o novelesco e cheio de magias e sonhos, mas o Cordel realista que apavora gentes simples e cordiais do nosso tão belo e poético sertão.

Essas cenas ao vivo que mostram a impotência e a incapacidade de nossos governantes em cuidar da segurança pública, estão carecendo de um cineasta da envergadura de um John Ford, ou de um Sérgio Leone, estrelando Clint Eastwood. A trilha sonora cairia muito bem com Ennio Marricone. Que tal uma trilogia de “Três Homens em Conflito”, “Quando Explode a Vingança” e “Por uns Dólares (ou Reais) a Mais”.

Ah! Lembrei agora do Western “Sete Homens e um Destino” onde a comunidade de um vilarejo abandonado pelo poder público contrata sete homens, incluindo os astros Charles Bronson, Robert Voughn e James Coburn para proteger seus membros dos saques impiedosos dos bandidos que matam e roubam.

Também lembrei de “Butch Cassidy”, com Paul Newman e Robert Redford que deixam um rastro de fogo por onde passam até fugirem para montanhas da Bolívia. Lá fazem emboscadas e fogem em disparada. Só depois são mortos por uma tropa bem armada.

Aliás, não são das fronteiras abertas dos nossos vizinhos da Bolívia e do Paraguai, principalmente, que entram as armas e as drogas que os bandidos usam para invadir nosso sertão?

Como se não bastassem os saques feitos pelos homens engravatados de paletó, agora são os bandidos de metralhadoras e fuzis que assaltam as cidades. Estes levam os lucros extraídos do nosso suor, e os outros passam a mão desavergonhada nos nossos impostos.

Qualquer semelhança é pura coincidência, mas saindo do faroeste americano para a nossa realidade baiana, “os homens da lei” continuam vacilando, enquanto os bandidos fazem suas arruaças na corrida do ouro fácil.

Confirmam as pesquisas deles mesmos (os homens da lei) que 90% dos roubos e assaltos a bancos na Bahia de 2009 a março de 2011 aconteceram no interior. Para o interior existem 20 mil policiais quando deveria ter 54 mil. Em todo Estado são 31 mil quando deveria ter 68 mil. As cidades pequenas contam com quatro a 10 policiais que são facilmente rendidos pelos bandidos que saem atirando por todos os lados.

A propaganda do Governo diz que na Bahia tem mais. Tem mais o quê? Bandidos soltos por aí, sem xerifes para prendê-los? Tem muita gente à míngua nos corredores dos hospitais? Tem saúde e educação precárias? Tem índices negativos de desenvolvimento humano? Tem mais gente vivendo em extrema pobreza, precisando de uma Bolsa Família? Tem mais atrasos e uma Salvador suja e esburacada?

Como nos filmes do Velho Oeste, as cidades e povoados vão ter que se reunir e partilhar seus bens para contratar homens valentes e corajosos para defender suas populações dos bandidos que depois partem tranquilos em seus cavalos de aço. O Western é aqui na Bahia na terra dos bandidos fora da lei, rápidos no gatilho.

RANCOR E ÓDIO

Os defensores das cotas continuam destilando rancor e ódio, fazendo de tudo para impedir o direito à divergência. Ainda sobre a mediocridade da qual falou o escritor Ruy Espinheira Filho, um leitor indaga: por que execrar um cidadão por expressar seu pensamento?

Basta contestar posições controversas para a pessoa ser logo vista como racista e homofóbica. O preconceito é somente de quem não concorda? Para os cargos importantes na política, não se busca hoje, na grande maioria das vezes, a capacidade técnica, mas subordinados pelos votos e pelo pensamento.

No artigo “Cotas para brancos na universidade”, no jornal A Tarde, a professora Nelma Cristina Silva Barbosa, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, fala o tempo todo dos brancos que foram sempre os maiores cotistas das instituições públicas de ensino superior.

Concordo em muitas coisas do que ela afirma como a de que o vestibular é uma ferramenta que exclui aqueles que não foram treinados em colégios particulares. Que filhos de governador e desembargador tinham suas reservas de vagas. Ainda têm.

Só que ela esqueceu, talvez por propósito, de dizer que eram brancos ricos - e ainda são – que estudam nas universidades públicas, quando deveriam ser destinadas para os pobres, sem distinção de cor. Falam de Casa Grande e a Senzala referindo-se apenas aos negros, mas esquecem de mostrar que os brancos pobres também eram e ainda são escravos desse sistema que aí está.

O filho de pais brancos, pardos, mestiços ou morenos (não entendo mais esse negócio de etnia) que recebem o Bolsa Família não deveria também ter direito à cota nas universidades? É só por causa de uma cor que se deve fazer reparação política?

Nessa discussão existem muitos argumentos vazios e clichês decadentes como chamar de conservadores racistas os que tentam debater a questão usando do seu direito sagrado de livre expressão e liberdade de pensar, sem agredir e discriminar.

Nenhum comentário: