Com muitas coisas para falar, não sei por onde começar. Sei que muita gente não gosta do que falo e escrevo, e deve ser assim a liberdade de opinião. Se incomodo e irrito, paciência. Estou exercendo o meu direito de expressão.
O staff do PT sempre criticou a Rede Globo, dizendo ser elitista e outras coisas, mas sempre recorre a ela nas crises do Governo, dando entrevistas coletivas para explicar os deslizes e desvios de seus membros de alto escalão.
Fica sempre aquela imagem de que a Globo, no Jornal Nacional, é a porta-voz oficial do Governo. Não se trata de uma tremenda contradição? Onde fica a coerência de pensamento?
Nada contra o trabalho jornalístico da emissora e suas afiliadas, mas essa atitude do Governo não é uma grande falta de respeito com os outros veículos de comunicação? Onde fica a democratização dos meios de comunicação de que tanto fala e cobra o Governo do PT?
Por que o ministro Palocci não deu uma coletiva para falar de seu enriquecimento milagroso? Nesse episódio, as entidades representativas do jornalismo brasileiro não se pronunciaram a respeito do assunto.
O Governo, por sua vez, deveria respeitar a opinião pública. A informação não deve ser exclusividade de um só veículo quando o assunto se tornou de interesse público, e o Governo deve satisfação para a Nação.
A informação pode ser exclusividade de um veículo quando este, com seus próprios méritos profissionais, busca dar um furo de notícia. Não é o caso de Palocci que se dirigiu exclusivamente a uma emissora para tentar explicar a multiplicação dos seus pães, ou de seus bens.
No meu conceito, ele ainda não falou em público, mas para um repórter de uma emissora, desrespeitando e menosprezando os outros meios. Como jornalista e cidadão, sinto-me triste quando vejo esse tipo de coisa.
Cadê a Federação Nacional dos Jornalistas –Fenaj, a ABI – Associação Brasileira de Imprensa, a Associação Nacional de Jornais e a própria OAB que nada dizem. Nesse caso, resta aos profissionais dos outros veículos o papel de anotarem a entrevista para passarem para seu público. Ficaram privados de fazer suas perguntas, no caso de uma coletiva como deveria ter acontecido.
Será que estou ficando maluco, ou estou delirando? Devo sair de cena? Será que estou vendo fantasmas e almas penadas? Não é de hoje que fico indignado com essa incoerência do Governo que fala em democratização da mídia e, nessa hora, vira as costas para o direito da informação oficial para todos. Não posso dizer amém para essas coisas.
Tinha outros assuntos para comentar, também constrangedores, mas fica para outra vez. São coisas do jornalismo. Muitas vezes na redação temos uma manchete pronta para estampar, mas aí aparece um fato mais importante que nos leva para o outro lado.
Jamais posso concordar e me acomodar com esse tipo de incoerência absurda. O ministro não se dispôs a falar no Congresso Nacional que é e deve ser a Casa do Povo para se explicar. É o local certo para dar satisfação ao povo. Pelo menos convocasse uma coletiva de imprensa.
Achou mais cômodo dar uma exclusiva e desprezou os outros veículos. Tem medo de enfrentar uma coletiva? E não venham me dizer que é a mesma coisa. Pegou mal, senhor ministro. Não é assim que o povo deve ser tratado, com escárnio e desprezo.
Tenho o direito de expor minha indignação, mesmo que os outros milhões de brasileiros não concordem ou divirjam da minha opinião. O que Palocci fez foi uma falta de consideração. É uma humilhação. É subestimar demais a nossa inteligência e nos fazer de trouxas.
Não vou entrar em detalhes aqui se Palocci convenceu ou não. Não me digno falar sobre isso porque ele já me ofendeu e me desrespeitou, me tratando como imbecil que tudo engole e acha normal. Desce de seu pedestal, senhor ministro, e encare um batalhão de repórteres, ou deputados, se for preciso e necessário. Não vou comentar também o desempenho do repórter que o entrevistou. Não é o caso.
O senhor é um homem público. Não é de uma emissora, de um veículo só. Sempre fazem isso conosco e nada acontece. Ninguém protesta, ninguém contesta. Nossas instituições estão mesmo falidas. Perdoe-me o leitor se fui agressivo, mas não tive outra saída para expressar minha revolta.
O ministro continua sem falar para a sociedade e não vai falar. Nem considerou a rede de rádio e televisão que o Governo diz ser pública. Por que não falou para uma cadeia de emissoras? Pelo menos isso. Essa rede, senhor ministro, é do povo, pois é o povo quem paga.
Para mim não deu explicação pública sobre a evolução de seu patrimônio. Durante toda crise fugiu sempre dos repórteres como num ato solene no Palácio, às vésperas da exclusiva.
Para finalizar, o Super-Lula acabou de criar o bipresidencialismo, sem mudar nada da Constituição. Para Sarney, seu aliado, o episódio Fernando Collor quando ele foi cassado, foi um acidente que não merece ser incluído na história. O homem agora é também dono da história. Esqueçam também que houve uma ditadura e que a tortura foi uma miragem dos loucos mentais.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
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