Passaram o “sarrafo” no meu colega jornalista e escritor Ruy Espinheira Filho só porque usando do seu direito de se expressar disse que vivemos hoje na era da mediocridade cultural e política onde o talento é criminalizado, menosprezado no lugar da incapacidade. Num artigo em um jornal da capital, o deputado Luiz Alberto foi um dos “carrascos” quando proclamou que hoje qualquer idiota pode escrever qualquer idiotice.
O senhor deputado não seria também um deles? Ou nós outros somos? Não se trata também de uma idiotice, preconceito e rancor quando o deputado classificou de racistas aqueles que são contrários às cotas? Eu mesmo não sou a favor das cotas só para negros, nem ao assistencialismo, mas defendo as cotas sociais. Só suas idéias prevalecem, senhor deputado! Isso não é patrulhamento ideológico?
Como afirmou um leitor que saiu em defesa de Ruy, o deputado gosta tanto de falar das minorias, das cotas somente para negros, mas esquece de observar que os intelectuais neste país de hoje também são minorias. São minorias também os honestos, os éticos e os que trabalham com seriedade e honradez, inclusive uns poucos políticos.
Hoje as pessoas de talento estão sendo vistas como preconceituosas e até com ameaças só porque se esforçam para falar e escrever corretamente. Quem deixou e está deixando de promover a igualdade são os governantes que não dão educação e saúde de qualidade para todos, sem distinção de cor. Com essa política enganosa de “reparação” estão criando outras injustiças e acirrando a discriminação entre o povo.
A escravidão foi um fato abominável da nossa história, mas não me venham dizer que sou o culpado pelo pecado cometido pelos antepassados, pela Igreja, pelos colonizadores e pelos senhores dos canaviais. do café e do poder que se recusaram a dar, pelo menos, um pedaço de terra para os escravos.
Acredito não ser assim que se faz uma correção, cometendo outras injustiças que só a história depois vai condenar. Nasci na roça “pegando no cabo da enxada” debaixo de sol e chuva. Meu pai era pobre e analfabeto. No Seminário estudei com bolsa da Diocese e entre mim tinha pessoas na mesma situação de etnias diferentes, se é que dizer isso. Depois que sai do Seminário, passei fome para me formar. Os pobres em geral neste país sempre foram os mais sofridos e discriminados.
Em nome de um pecado terrível comete-se outro! Os negros não são coitados, incapazes e dignos de pena. O que existe é uma acomodação e uma alienação generalizada para se exigir o que é nosso de direito, para se protestar contra as injustiças sociais. Como se não bastasse, para fazer suas médias demagógicas políticas, governos agora estão abrindo cotas para os concursos públicos.
Ora, pesquisa não detectou que os cotistas das universidades demonstraram níveis de conhecimento iguais aos não cotistas e, em certos casos, até superiores? Como se justifica essa reserva de mercado? Para que, então, essas cotas, se as bases estão niveladas? Não é premiar os incapazes e a mediocridade? Não é uma incoerência? Por que existe uma grande procura de mão-de-obra especializada e de qualidade no país sem preencher as vagas? As empresas vão ser obrigadas a receber uma pessoa mesmo que não esteja qualificada para exercer a função exigida?
É bem mais cômodo para o político fazer isso e se passar como socialista tupiniquim, do que investir pesado na educação para todos. Agora, falar e escrever correto passa a ser preconceituoso e olhado como imbecil e idiota.
A Bahia, ao lado de outros estados nordestinos como Maranhão e Piauí, tem os piores índices nas áreas de desenvolvimento social e humano. São 2,4 milhões no Estado vivendo em situação de pobreza extrema (no Brasil são 16 milhões). Nosso país tem ainda índices de desigualdade comparados com o Zimbábue.
Toda essa situação é fruto das políticas coronelistas e burguesas que ainda perduram enquanto não houver uma prioridade total para a educação. Enquanto houver uma escola debaixo de uma árvore, ou em casebres sem nenhuma condição, a desigualdade vai persistir. Enquanto nossos professores continuarem sendo desvalorizados, as diferenças vão existir. Enquanto perdurarem as políticas assistencialistas sem saídas de trabalho no mercado para as pessoas, a fome pode reduzir e aliviar as barrigas miseráveis, mas não se vai ter autoestima e cidadania plena.
Ainda não descobriram que a maioria são eles que estão no poder político e com os cargos cheios de mordomias e benesses, ao lado dos Sarneys e dos Renans Calheiros da vida. Nós sim, brancos, pardos, morenos, negros e índios pobres sem os direitos de uma escola e uma saúde de qualidade e digna somos minorias.
Depois de tanto tempo ainda continuam matando ambientalistas no Pará, no Acre, em Roraima e em toda Amazonas por negligência dos governantes, mesmo depois das vítimas terem avisado as ameaças. Os fiscais do Ibama e os agentes policiais só foram liberados com suas respectivas diárias e equipamentos, para investigar as denúncias dos ambientalistas, depois da matança. Depois mandam recados de que estão preocupados com as ameaças contra os ambientalistas, e fica nisso mesmo. Não têm recursos para dar proteção a todos.
Enquanto isso, ninguém fala mais em investigar as origens do enriquecimento milagroso de Palocci. Os mensalões vão entrar no rol dos crimes prescritos. Luis Sérgio, das Relações Institucionais, foi mandado para pescar, e Salvatti, da Pesca, para aprender a se relacionar. Um congressista brasileiro é o mais caro do mundo. Enquanto isso, ficamos aqui nos tapiando e chamando uns aos outros de preconceituosos e idiotas, achando que as políticas demagógicas vão nos salvar. Não vou mais me desgastar e me estressar com essas coisas.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
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