segunda-feira, 16 de maio de 2011

AINDA OS 100 ANOS E MAIS...

Se perdermos ou relegarmos o passado ficamos sem bases sólidas e sem identidade para construirmos a história do presente e do futuro para nós e nossas gerações. Vitória da Conquista perdeu e está perdendo muita coisa da sua história por falta de conservação e resgate de seus documentos. Nossos jovens quase nada sabem do seu passado. As escolas não transmitem esse saber precioso, e os fatos importantes não são homenageados e lembrados.

É com insistência que volto ao assunto e pode ser até chato para o leitor, mas os 100 anos da imprensa de papel em Conquista passaram despercebidos sem nenhuma comemoração pelo poder público, pelos segmentos da sociedade e pelo setor específico da mídia.

Como os 100 anos do primeiro jornal “A Conquista” em 14 de maio de 1911, só para citar, temos o 6 de maio de 1964 quando as forças da ditadura militar invadiram a cidade e prenderam cerca de 100 pessoas, cassando na base do fuzil o mandato do prefeito José Pedral Sampaio, eleito pelo povo.

Sobre o assunto, estou escrevendo um livro que já está me custando mais de dois anos de pesquisas intensas. Muitos questionam: Para que isso? Muita gente não dá importância e, por desconhecer os fatos, pessoas acham que sou doido e estou perdendo tempo. Sei que tenho pouco apoio, mas vou chegar lá.

Todo o acervo do escritor e poeta Camilo de Jesus Lima, filho de Caetité, mas que aqui passou sua vida, está se perdendo. Faz necessária para o conhecimento do público em geral, a publicação de suas obras. Conquista deveria abrigar um acervo de Glauber Rocha. As esculturas de Cajaíba estão lá na Serra do Periperi e pouca gente sabe sobre o trabalho do artista.

Documentos antigos da nossa história estão se perdendo no Fórum João Mangabeira. Os jornais de épocas passadas que são a viva memória de seu povo, estão espalhados em vários cantos entregues às traças e aos cupins. No Arquivo Público ainda restam alguns exemplares, mas o ambiente por lá mais parece um depósito de jogar papéis históricos.

Conquista não tem um Museu digno da sua história de crescimento e evolução durante os tempos, desde sua fundação de vila ou povoado. Quando se necessita de dados para algum estudo é aquele sacrifício reunir as informações. Eu sei o quanto está sendo difícil levantar os episódios da ditadura em Conquista.

Cadê os nossos intelectuais da cidade que não se juntam e se unem para cobrar mais ações dos poderes públicos no sentido de resgatar nossos valores e não deixar, por exemplo, que a data dos 100 anos da imprensa passe despercebido? A própria história de Conquista precisa ser mais esclarecida e discutida. Muitos pontos ainda deixam dúvidas. Existem muitas versões que ainda não foram explicadas e detalhadas com precisão.

Quando escrevo estas coisas sei que estou me expondo a ser criticado e apedrejado, mas, pelo menos, estou me arriscando e colocando a cara a tapa. Entendo que as pessoas de maior nível têm a obrigação e o dever de lutar para que a história da sua terra não seja esquecida e que o conhecimento passe de geração em geração. É uma dívida que os intelectuais têm para com a sua comunidade.

No mais, não vou ficar aqui enchendo lingüiça e dizendo o que todos já sabem. Aliás, precisamos falar menos e agir mais, pensando na coletividade. Sem essa de falta de tempo para colocar a mão na massa e concretizar os projetos e ações.

Mas, essa questão não está acontecendo somente aqui. Lamentavelmente, a nossa cultura continua sendo tratada como um simples jarro de decoração nas mesas dos nossos governantes e políticos. Também temos culpa nisso, enquanto nossa memória vai sendo jogada ao lixo. Nas campanhas eleitorais pouco se fala em cultura. Não temos uma política definida. Temos arranjos e calendários.

Quando Conquista fazia 100 anos do seu primeiro jornal, a Bahia completava 200 anos no mesmo dia 14 de maio, um em 1911 e o outro em 1811 com a Gazeta da Bahia – Idade D´Ouro do Brazil.


Os 200 anos apenas foram lembrados com o lançamento do livro Diário Constitucional – um periódico baiano defensor de D. Pedro 1822 e A Primeira Gazeta da Bahia – Idade D´Ouro, da pesquisadora e historiadora Maria Beatriz Nizza da Silva, na Biblioteca Pública do Estado que também fez 200 anos no dia 13 de maio.

Pela importância do fato, ou dos fatos, uma comemoração muito pífia que mereceu uma nota num canto de página num jornal da capital. Que pobreza e maltrado com a nossa cultura! Aqui em Conquista, nem um debate com a comunidade sobre o assunto. É uma pena o que está acontecendo.

Nenhum comentário: