segunda-feira, 9 de maio de 2011

100 ANOS DA IMPRENSA EM CONQUISTA

No próximo dia 14 (sábado) a imprensa escrita, ou o hoje chamado jornal de papel, de Vitória da Conquista, estará completando 100 anos, lembrando a criação do jornal “A Conquista” em 14 de maio de 1911, fundado por Bráulio de Assis Cordeiro Borges e José Dezouza Dantas que instalaram a “Tipografia Minerva”, na rua São Vicente (Praça Dois de Julho).

Será que os veículos de comunicação e o Colegiado do Curso de Comunicação em Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste-Uesb vão prestar alguma homenagem, ou a data vai passar batida? A categoria hoje, infelizmente, está sem uma representação sindical forte, a não ser a diretoria regional que foi abandonada pelo Sindicato dos Jornalistas da Bahia – Sinjorba há anos. Os jornalistas de Conquista já deviam ter seu próprio sindicato ou uma associação que congregasse a classe.


Depois de 100 anos (na mesma data a Bahia também está completando 200 anos da imprensa) é bom refletir como vai o jornalismo local, especialmente a impressa, numa cidade que passou de 15 ou 20 mil habitantes para 300 mil. Lamentavelmente, não temos um diário e o que ainda resta de periódico luta para sobreviver à base de um punhado de anunciantes, a maioria de prefeituras.

Embora muitos não gostem e torcem a cara, quando aqui cheguei a imagem da nossa imprensa escrita, ou imprensa caipira, como alguns da capital denominam, já estava desgastada por conta do imediatismo de se visar apenas o ganhar dinheiro com jornal. Falta e sempre faltou o compromisso maior com seu público leitor.

Como nem sempre teve empresário forte com visão de investir em longo prazo, os abnegados sempre ficaram a mercê das prefeituras e dos órgãos públicos, tornando-se reféns deles, ou no que dizemos, porta-vozes dos prefeitos. Claro que em qualquer negócio o dinheiro está na linha de frente, mas não pode faltar o idealismo, especialmente quando se decide fazer imprensa.

Jornalismo sem crítica, sem denúncia e sem levantar as questões essenciais da comunidade em defesa dos interesses do povo, não é jornalismo. Sem isso não passa de um arremedo, de um faz de conta. Não se trata de moralismo ou de sonhador. Para publicar apenas a versão oficial da terra ou da região, melhor não fazer.

Eu faria uma indagação aqui: Nosso jornalismo melhorou nos últimos anos? Não estou falando de uma imprensa totalmente independente porque seria uma ilusão, mas o menos dependente possível, priorizando a ética e o compromisso com a informação, não apenas a factual. Nossa terra é carente de uma imprensa com notícias regionalizadas.

E não venham me dizer que a maior culpa da decadência da imprensa escrita foi o surgimento da Internet com seus sites e blogs a partir do ano 2000, principalmente. Se não tivéssemos blogs e sites, os jornais tinham melhorado? Se a situação piorou deve-se à falta de conteúdo e qualidade.

Como está a qualidade dos nossos blogs e sites locais? Se a qualidade e o conteúdo não são bons é que algo está faltando no jornalismo. Não vou me alongar nessa discussão. Deixo que cada um faça sua reflexão e seu juízo sobre o assunto.

De qualquer forma, só acho que são 100 anos que precisam ser comemorados porque teve coisas boas nesse século de jornalismo conquistense. Que precisamos fazer muita coisa, isso é uma verdade.

Uma delas seria resgatar sua memória e sua história que estão desaparecendo com o tempo. Não temos um local de preservação, como um Museu da Imprensa, ou Arquivo Público da Imprensa, conforme sugestão cogitada por mim e Luis Fernandes com o Dr. Ruy Medeiros e mais gente interessada. Precisamos colocar essa ação em prática antes que tudo desapareça. Não precisamos perder mais tempo. Não é meu amigo Luis Fernandes!

Outra seria a maior integração entre o Curso de Jornalismo da Uesb e a sociedade organizada, visando a criação de um Conselho Comunitário de Comunicação onde as pessoas opinassem sobre a mídia e tivessem no Ministério Público um ponto de apoio para se defender de possíveis erros, desvios e difamações, com direito à resposta. Sem ética e responsabilidade a imprensa perde seu direito à liberdade.

Existem muitas outras preocupações, mas vamos por etapas. Quanto a história da nossa imprensa nesses 100 anos, existem muitos fatos importantes para se contar, destacando veículos que deixaram suas marcas como o Conquistense e A Palavra que chegaram a se digladiar entre o poder dos coronéis. O jornal Avante que foi firme no tempo da ditadura de Vargas e do intendente Juracy Magalhães à frente do Governo do Estado. O Combate que foi fechado com a ditadura militar de 64 e de tantos outros.

Para finalizar, deixaria mais outra pergunta: O jornalismo se livrou do coronelismo do passado que pressionava a imprensa e ameaçava jornalistas de morte? Praticamos um jornalismo investigativo?

Na Conquista de hoje não faltam assuntos e temas importantes que, na grande maioria das vezes, ficam sem cobertura porque a imprensa ainda vive sob a ameaça das represálias como do senador que arrancou o gravador das mãos do repórter e nada foi feito para puni-lo. Precisamos de uma representação forte para proteger a categoria.

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