Salvador hoje está cercada de porteiras e cancelas por todos os lados. Para sair e para entrar o cidadão deixa uma taxa para os pedágios da Bahia Norte e a Via Bahia. Mais parece uma fazenda de porteira fechada, mas só que nesta você é obrigado a pagar aos donos. O mais irônico é que está fórmula foi implantada justamente num governo de esquerda que tanto condenou a privatização.
Pagamos tantas vezes os impostos para construir as rodovias e mantê-las conservadas. Desviam a grana para mordomias políticas e outros fins, deixando as estradas sem a devida conservação. Aí, vem um capitalista e bota porteiras e cancelas, obrigando que o cidadão pague quantas vezes passar por elas. Não é engraçado este sistema! Ou vergonhoso de doer!
Mas que nada, os motoristas e consumidores acham legal, dizendo que agora vamos ter pistas bem sinalizadas e asfaltadas. Que mal pergunte: Isso não deveria ter sido feito pelos eleitos com o dinheiro que já pagamos e continuamos a pagar? Por acaso, vão deixar de cobrar o IPVA e outras taxas mais? Não se trata de um calote? De uma transgressão à Constituição? De uma tremenda safadeza?
É imensurável a resistência do povo quando se trata de ser judiado e pisoteado. É muita judiação como diz a canção. O nosso povo tem uma paciência inigualável de suportar ultrajes e ultrapassa as barreiras do limite. Tudo engole, sem reclamar. Não protesta. Tudo aceita, sem discutir seus direitos. Também, o nível da nossa educação é um dos piores do mundo! O ensino é uma lástima.
Montaram porteiras e cancelas na Via Parafuso (Km-8), Canal de Tráfego (Km-11), na Simões Filho – Camaçari e mais cinco de Salvador para Vitória da Conquista, passando por Feira de Santana. São cinco cancelas só ao redor de Salvador, “administradas” pela tal Bahia-Norte. Vem muito mais cancela por aí. O Governo de Jacques Wagner vai ficar registrado na história como o governo das porteiras e cancelas. Boa marca!
Vão dizer que essa situação existe também em outros estados. É verdade. Só que não se devia copiar os erros de governos passados, principalmente cunhados de conservadores, reacionários e retrógrados. Mesmo assim, estou falando da Bahia onde as contradições são mais escancaradas, como tirar o nome de Aeroporto Internacional Dois de Julho para Aeroporto Internacional Luis Eduardo Magalhães.
Sinto-me envergonhado de ser baiano quando chego de avião em Salvador e anunciam: “Logo mais pousaremos no Aeroporto Internacional Luis Eduardo Magalhães”. Sou pobre e raras vezes entro num avião. Imagina se viajasse muito! A esquerda de Wagner continua calada e não se mobiliza no Congresso para retornar o nome histórico de origem.
Os intelectuais, artistas, estudantes, sindicatos e os segmentos ditos organizados da sociedade continuam em silêncio. É esse consentimento que mais nos incomoda. A mídia, também dita formadora de opinião, deveria ter consciência, pelo menos, e não citar Aeroporto Luis Eduardo Magalhães. Ao menos falasse ou escrevesse Aeroporto Internacional de Salvador. Quanto aos políticos, nem é preciso falar. Não esperamos mesmo muita coisa deles.
Essa é a Bahia de Jorge Amado, Ruy Barbosa, Mário Cravo, Caetano, Gil, Otávio Mangabeira, Balbino e de tantos outros nomes famosos, como também é a Bahia dos absurdos. É a Bahia de economia forte, mas com os piores índices de desenvolvimento humano. É a Salvador de belas paisagens, mas feia para receber turistas e visitantes. É mais a Bahia que tenta viver dos estereótipos e dos folclores.
domingo, 24 de abril de 2011
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