segunda-feira, 21 de março de 2011

NÃO É COISA DO PASSADO


Com tantos assuntos roendo meus miolos e dando um nó nos neurônios, ia falar sobre o milionário blog de poemas de Maria Betânia no valor de R$1,3 milhão através da Lei Rounet (captação de recursos com desconto do Imposto de Renda) e da nossa pobre-rica cultura brasileira. Será que o Ministério da Cultura aprovaria um projeto dessa ordem para uma pessoa desconhecida como eu? E o livro “Sonhos Elétricos”, de Morais Moreira que custou R$276 mil pagos pelo Banco do Nordeste! O presidente da instituição disse que o projeto tem a cara do banco. Não dariam para imprimir e distribuir 20 ou 30 livros bons de novos talentos da literatura pelo interior do nosso sertão?

Ia ainda falar sobre a última catástrofe do terremoto ocorrido no Japão, culminando com a tragédia da radiação nuclear da usina de Fukushima. Lembram do terremoto no Haiti no início do ano passado? Pois é, a fúria da natureza não está mais tendo cor social. Lá os pobres foram duramente castigados. Dessa vez foram os ricos os escolhidos do outro lado do mundo, cheios de tecnologias sofisticadas. Ia ainda falar sobre a baixa competitividade das universidades baianas. O Brasil ficou fora da lista das 200 melhores universidades do mundo. Nossa educação é mesmo uma vergonha nacional, enquanto falam por aí que o país já é a sexta maior economia do mundo.

Mas, estava querendo falar mesmo sobre a visita do presidente Barack Obama ao Brasil no último final de semana. Conversando com um professor da UESB-Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia ele relembrava tempos passados quando um mandatário imperialista dos Estados Unidos era recebido com protestos nas ruas, repudiando seu belicismo e dominação.

Tragados e consumidos pela globalização muitos hoje dizem que esse discurso de antiamericanismo está ultrapassado. Será que está mesmo? Não é coisa do passado. O “cara”, foi assim que ele chamou o Lula um dia, vem de lá com sua tropa de segurança e praticamente “invade” nosso país, dando ordens para os militares do Brasil. Com toda prepotência, fecham ruas, pontos turísticos como o Cristo Redentor e decidem o que querem e o que vão fazer. Antes o homem ia falar na Cinelândia, depois mandam os pobres desarmarem tudo.

Como se vê, continuamos mais subservientes ainda, com forte dose de alienação generalizada. Todos dão boas vindas com bandeirinhas dos EUA. Que ufanismo bonito! As centrais sindicais, menos uma, a CTB (Central dos Trabalhadores Brasileiros) que considerou Obama persona non grata, elaboraram uma carta para ser entregue a Obama, pedindo clemência. A UNE, quem diria, apóia e até condena o movimento de 200 pessoas que foram às ruas protestar contra a visita do todo poderoso. Desses, uma dúzia foi presa e suas cabeças raspadas pelo crime de formação de quadrilha.

Sobre o assunto veja o que disse o historiador, professor e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira. “O governo dos EUA jamais permitiria que a presidente Dilma Rousseff fizesse um discurso na Times Square em Nova Iorque”. Alguém também perguntou: Será que o presidente Obama mandaria fechar a Estátua da Liberdade para Dilma visitá-la? E por que o antiamericanismo é coisa do passado? Os Estados Unidos querem que o Brasil compre seus aviões, mas se recusam a comprar os da Embraer. Moniz Bandeira afirma ainda que os EUA querem vender, não comprar. “Obama pouco ou nada tem a oferecer para o Brasil”.

Indagado sobre as diferenças entre Obama e Bush, o historiador declarou que nenhuma. Ambos defendem os interesses imperiais dos Estados Unidos. Nossos produtos sofrem elevadas taxas para entrarem lá, sem contar os altos subsídios que os EUA dão aos seus agricultores. “As diferenças consistem na cor, na tonalidade, no estilo” – diz o pesquisador. Continuam belicistas com as guerras no Iraque e no Afeganistão, mantendo a prisão de Guatânamo em Cuba. Para a esquerda dos EUA, Obama foi um enganador.

O homem vem aqui e enche o ego dos brasileiros dizendo que já somos uma potência, falando de igual para igual. Que o Brasil vem tendo um papel de destaque no cenário mundial. Promete apóio para que o Brasil tenha assento permanente na ONU. Tudo conversa fiada, pra boi dormir. Ainda tratam o Brasil como se aqui fosse seu quintal para dar ordens.

Depois da própria Embaixada Americana mandar desarmar o circo na Cinelândia, Obama fala para uma platéia selecionada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e é aplaudido. Quanta ingenuidade! Alguém acha que ele seria vaiado? Falou muito de democracia e até citou Dilma pela sua luta contra a ditadura que eles mesmos (que ironia) ajudaram a montar em 1964.

Pergunto: Qual moral que tem os Estados Unidos para falar de democracia no mundo? Da luta das nações árabes para derrubar as ditaduras de mais de 40 anos que eles mesmos (americanos) ajudaram a implantar para que seus mandatários abrissem os postos de gasolina e deixassem Israel cometer suas atrocidades? Lá os EUA disseram para os ditadores: Nós deixamos vocês fazerem o que bem quiserem contanto que nos vendam o petróleo barato.

Na Cidade de Deus, bairro pobre do Rio, Obama foi recebido com delírio e gritos de “Obama eu te amo, eu te adoro”. Como nosso povo maltratado durante anos, sem educação e saúde de qualidade, é criminosamente usado e manipulado por esses políticos nojentos e aleijados! Na comunidade, o homem ficou menos de meia hora entre o governador Cabral e a menina Milena Aparecida, de 12 anos, convidada por alguém da Casa Branca. Sem mais comentários.

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