segunda-feira, 18 de outubro de 2010

IMPRESSÕES DE VIAGEM

Prometi aqui dar minhas impressões sobre a recente viagem que fiz a alguns países da Europa, ou do Velho Mundo, como é mais denominado em razão dos séculos de história, mesmo antes da dominação romana. Não gosto do termo de “povo civilizado”.

De alguma forma, o que se observa é que esses países conseguiram preservar seu patrimônio cultural, no meu entender, o maior patrimônio que uma nação pode ter e exibir, muito além do seu PIB ou de suas riquezas naturais e econômicas, coisa que o Brasil ainda não conseguiu atingir.

Com destino a Orly, na França, a minha primeira parada foi em Lisboa (só para Conexão), mas retornaremos lá para falar algumas coisas da nossa terra mãe colonizadora como todos já sabem muito bem.

Depois de uma longa viagem cansativa, ainda tive fôlego para retornar ao Velho Mundo e sentir a evolução tecnológica e, até mesmo, em alguns aspectos, a decadência da humanidade na questão da falta de solidariedade e na indiferença com as pessoas.

Do aeroporto, na companhia do meu filho Caio Macário, rumamos para Paris num ônibus e depois de metrô até o hotel, em Saint Paul. Pelo fluir do trânsito, fui logo percebendo as mudanças em termos de alternativas de transporte. Os trens correm velozes por debaixo da terra como cobras nos horários certos, transportando todo tipo de gente e classes.

Erradamente, aqui tudo gira em torno dos ônibus como grandes gafanhotos, soltando fumaças por todos os lados, congestionando e poluindo. É verdade que nos horários de pique os metrôs ficam superlotados, mas em questão de minutos aparecem outros para desafogar.

Só para citar, fico a lembrar de Salvador do infernal trânsito e de um pedaço de projeto de metrô “calça curta” que há 10 anos está sendo construído. Nem é preciso fazer comparações para perceber o nosso atraso por ter optado pelas estradas de rodagem e abandonado outras alternativas no transporte de passageiros.

Quando retornei a Europa já tinha consciência que não era tanto o povo de lá que me interessava, pois já sabia que não havia mais calor humano e receptividade como ainda se tem por aqui, se bem que no Brasil também esse valor está se evaporando com o individualismo.

Uma das coisas fundamentais que deduzi e terminou me convencendo de uma vez é que o nível menor ou maior de educação e cultura nem sempre é fator preponderante para que a pessoa seja bem educada e trate as outras com atenção e gentileza.

Em Paris, principalmente e, lamentavelmente, o que se percebe em muitas ocasiões é que o turista não é bem vindo, embora o turismo seja a maior sobrevivência econômica e política da capital. Com raras exceções, as ruas são bem tratadas, arborizadas (muitos jardins) e bem asfaltadas.

Mas, meu maior foco foi o conhecimento e a cultura, e disso não abri mão, tendo que “paletar” muito para visitar os museus, monumentos históricos, palácios, castelos, livrarias, bibliotecas públicas e igrejas suntuosas, sem falar nas “zonas de perdição” como muitos preferem assim chamar. Nunca andei tanto em minha vida em tão pouco tempo.

No aspecto da preservação do patrimônio cultural e histórico, do ponto de vista essencial de guardar a memória e o passado, voltei, mais uma vez, meu olhar para o Brasil e senti um grande vazio e destruição. Lembranças tristes, por exemplo, do Pelourinho e de todo centro histórico de Salvador.

Não somente em Paris, mas nos outros lugares por onde andei, em toda parte, nas praças e jardins, nos grandes museus, palácios e órgãos públicos, lá está uma marca viva preservada da história de um povo. Em todos os lugares se depara com um monumento ou estátua em homenagem a uma personalidade, a uma cena de luta, de conquista, de vitória, engrandecendo e enaltecendo a nação. Muitas vezes, até com exageros.

Senti que em pleno século XXI ainda carregamos o peso do complexo de inferioridade e de vira lata de que tanto falou Nelson Rodrigues. Infelizmente, a mentalidade de só valorizar o que é do estrangeiro continua a nos castigar, talvez porque não temos o patrimônio maior que é a cultura.

Não sei se estou errado na minha impressão, mas o que me incomodou é que o brasileiro lá fora nos países mais desenvolvidos se sente menor e mais tímido. Ele tem medo de dar um fora e ser repreendido. Outro fato lastimável e que já tinha conhecimento, é que brasileiro pouco fala com outro brasileiro quando se topam. Muitos viram a cara.

Já me disseram que o motivo é porque brasileiro é cheio de “arte” e costuma aprontar com seu patrício, inclusive dando golpes. Não creio que seja só isso. Pode vir daí o complexo de inferioridade e achar que o que é do Brasil não tem valor.

Conto para vocês uma cena que ocorreu comigo no Zoológico de Lisboa, mas isso fica para o próximo artigo sobre minhas impressões do Velho Mundo. Se me permitem e quiserem vou também dar algumas dicas de visitas aos primeiros viajantes e como economizar para conhecer diversos lugares interessantes. Isso para quem tem pouca grana como eu.

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