È verdade que a riqueza de um território é o seu povo. Sem dúvida, é a maior riqueza cultural de um Estado. Mas, o que dizer de um povo que não dá valor ao seu próprio povo, à sua gente e ao que ela produz e faz? Um povo que não preserva sua história, ao contrário depreda o que tem e não valoriza seu passado, é um povo sem identidade.
Vejamos, por exemplo, o caso de Salvador que está mais próximo de nós. A grande maioria, principalmente, os soteropolitanos natos, é mal-educada e não atende e trata bem os visitantes. Destrói os bens que possui. Quando se fala isso você é execrado, excomungado e dizem logo que o cara é preconceituoso. A mídia e os entrevistados descem elogios para ficarem bem na fita. Escondem a verdade e preferem a hipocrisia. A maioria prefere fazer folclore a abrir as veias e deixar escorrer o sangue.
Então, digo que o povo pode ser a maior riqueza como também ser a pobreza de uma nação. Prédios, marcas, equipamentos, registros e monumentos são símbolos fortes de um patrimônio cultural de uma nação. Neles estão também as marcas identificáveis de um povo. Não quero aqui me enveredar nessa discussão. É bom que cada um tenha seus conceitos para o engrandecimento da cultura.
Não estou aqui me referido, especificamente, da cultura popular que é, sem dúvida, um patrimônio que precisa ser preservado, mas vem sendo destruído ao longo dos anos pelo próprio povo por falta de conhecimento e saber. Será que o brasileiro preserva sua história, sua memória como deveria?
Bem, não é dessa questão que quero falar, mas um pouco das minhas observações pela Europa. Sei que muita gente aqui já esteve por lá e foi mais ávido para conhecer o patrimônio histórico e cultural de um passado de mais de dois mil anos.
Quem vai a Paris, por exemplo, pela primeira vez, quer logo conhecer os pontos destacados como Tour Eiffel (subir nela até o alto), ao Centre Pompidou, Palais de Versailles, Chateau de Vincennes; dar um passeio de barco pelo rio Sena (certas áreas estão poluídas); e visitar os principais museus como o Louvre, D´Orsay, Musée de L´Ármée, dentre outros importantes e famosos. Ah! Tem ainda as igrejas como a de Notre Dame, Santo Eustáquio, Sagrado Coração e o lado profano onde está o Mulin Ruge que já foi cenário de filme.
Mas, existe o outro lado de Paris, especialmente no Qartier Latin, onde estão concentradas lojas de doces, vinhos e cafés, além de prédios históricos do departamento governamental (universidades). Para conhecer bem a cidade em pouco tempo, o visitante tem que ter disposição para andar muito e ir observando as cenas pitorescas e os costumes do povo que não é bem cordial com o turista. Caminhe bastante pelas avenidas que margeiam o rio Sena e descobrirá coisas importantes. O bom é andar até se perder. Lá também tem morador de rua como em toda parte.
Nunca andei tanto em minha vida como nesta última vez que estive lá. Nas ruas de Paris o que mais se vê são africanos na informalidade vendendo produtos de lembrança nos principais pontos turísticos. A polícia, ou a guarda municipal, sempre está perseguindo aquela gente pobre e miserável que só está tentando sobreviver naquela metrópole. A grande maioria vive clandestinamente e está sempre de olha na polícia que passa. È o mundo capitalista cheio de fronteiras e barreiras sociais e políticas.
Nos metrôs e nas principais avenidas e centros existem pedintes que se comportam de uma maneira diferente dos nossos mendigos. Eles ficam humildemente encolhidos num canto ou numa esquina de rua, prostrados em posição islâmica quando está orando e, dificilmente, levantam a cabeça.
Um fato que me chamou a atenção é o costume das pessoas comemorarem os casamentos nas praças, jardins e parques. Em trajes a rigor, os casais tiram fotos e se beijam num clima de alegria e festividade. Eles estão sempre acompanhados dos parentes e amigos em grupos de não mais que 20 ou 30 pessoas. Esse costume existe em vários países da Europa e da Ásia, como na Rússia.
Fora os belos museus como o Louvre, dos Inválidos e a grandeza do Palais de Versailles, tanto em Paris como em outras capitais e cidades, se percebe um clima de que a Europa, principalmente, em Portugal, atravessa uma situação de dificuldades na economia e, em conseqüência, no âmbito social. O povo se queixa da retração do consumo ainda em decorrência da crise financeira internacional instalada em 2008. Os protestos nas ruas acontecem quase que diariamente. Nem é preciso dizer que a pior situação é de Portugal.
Apesar de tudo, o hábito da leitura, especificamente em Paris, é constante. Nos metrôs, nos bancos de jardins (conheça o Jardim de Luxemburgo) e nos cafés sempre tem gente lendo um livro ou jornal. Já aqui as pessoas vivem grudadas com um celular no ouvido, em todos os lugares. Mas, como aqui, lá também se nota o individualismo e a indiferença por onde trilha a humanidade.
Só para terminar, se for a Paris, não deixe de visitar o Museu dos Inválidos, ou Musée De L´Armée onde está o túmulo de Napoleão. Além de armas de todos os tipos, desde as mais antigas e modernas, armaduras e quadros de pintores famosos, existem grandes painéis com áudio-visual, retratando as guerras francesas desde os tempos das cavalarias e infantarias até a Segunda Guerra Mundial.
Em três línguas (espanhol, francês e inglês) você pode acompanhar, com o fone no ouvido, todos os movimentos das tropas com total perfeição de sons até o relinchar dos cavalos. São demonstrados nos painéis, as táticas de guerras, recuos e estratégias, inclusive a guerra com a Prússia onde a França com mais soldados foi encurralada e derrotada.
domingo, 31 de outubro de 2010
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