A radiação faz bem ou mal à saúde? A verdade, as meias verdades e os mitos são explicados pelo médico especialista Nelson Valverde. A radiação pode causar danos e benefícios, como a ionizante. Somente a partir de 1895 o homem foi dar conta da radiação e hoje as pessoas associam o perigo dela ao câncer, à dor e à morte.
Com estilo didático e esclarecedor sobre a história da Radiação Ionizante, o médico, especializado há 33 anos em radiobiologia e radiopatologia, assegurou durante sua palestra no auditório da Casa Anísio Teixeira, em Caetité, que as pessoas que vivem em torno da mina e da usina de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil-INB e consomem a água na área do projeto não correm risco de serem contaminadas pela radiação do urânio.
Em entrevista à nossa reportagem pouco antes da sua explanação, o médico formado em Saúde Ocupacional e Radiopatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro foi categórico em suas afirmações, ponderando, no entanto, ser possível que em alguns bolsões exista maior concentração de urânio natural. Mesmo assim, segundo ele, isso não coloca em risco a vida das pessoas. “Não se pode atribuir a operação da URA/INB qualquer contribuição para aumentar a concentração de urânio na água”.
Prosseguindo, o médico que é colaborador permanente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) declarou que mesmo o urânio na forma yellow cake não provoca riscos radiológicos porque o produto não é enriquecido. De acordo com o especialista, o risco radiológico é a partir dos 10 a 15% de enriquecimento.
AS QUESTÕES DO PÚBLICO
Nelson Valverde não se furtou a responder às questões da platéia e da nossa reportagem sobre os alardes da mídia e dos movimentos ambientalistas, inclusive do Granpeecce quanto, especialmente, a contaminação da água pelo urânio natural e extraído em Caetité.
Na sua avaliação, pode ser que essas pessoas tenham outras informações que não sejam do meu conhecimento. “Se souberem mais, é interessante que tragam essas informações a público como forma de cidadania”. No entanto, destacou que precisa haver fundamento científico. No mais, na sua análise, é criar pânico e desserviço à população, acrescentando que ninguém pode ser absolutista. Nesse aspecto, o médico lembrou o filósofo grego Platão que foi o pai da epistemologia, o que significa a ciência da verdade.
Na sua palestra bastante interativa para um público de cerca de 120 pessoas, com foco no urânio de Caetité, um participante chegou a abordar o problema da divulgação dessas notícias que deixaram a comunidade em pânico, inclusive visitantes que na época se recusavam a beber água e a consumir produtos oriundos da cidade.
O público presente endossou a iniciativa das palestras, inclusive cobrou mais resposta da INB com relação às informações desencontradas. O coordenador Administrativo da Empresa, Jorge Luis Carvalho Almeida e a coordenadora de Comunicação Social, Gabriela Marchesin explicaram o trabalho que a INB vem fazendo para esclarecer todas as dúvidas quanto às informações distorcidas e convidaram as pessoas a visitarem a usina.
O médico que também é colaborador da Organização Mundial de Saúde disse que a INB está no caminho certo com esta programação e que é a obrigação dela se abrir e ser transparente com os trabalhadores e com a comunidade. “Temos o direito de saber o que nos afeta ou não, e cabe aos cidadãos decidirem”.
Na ocasião, Valverde lembrou que a INB contratou serviços da Fundação Fiocruz para realizar estudo epidemiológico da área do urânio. Na primeira etapa do trabalho, a Fiocruz constatou que o nível de mortalidade de câncer em Caetité e Lagoa Real, comparado com os municípios de Botuporã e Maragojipe, na Bahia, é igual, inclusive também com relação a outras localidades do Brasil.
Indagado se a INB segue as normas e exigências recomendadas pelas agências internacionais, o especialista que já foi condecorado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) pelos serviços em prol das aplicações pacíficas da energia nuclear, respondeu que a empresa é auditada pela própria CNEN, pela AIEA, pelo Ibama e outros organismos e está atuando com total segurança. “Temos normas e regulamentos que não podem ser desobedecidos”.
Sobre os efeitos que a radiação ionizante pode causar no organismo humano, durante sua palestra, pontuada com ilustrações históricas referentes ao tema, Nelson Valverde disse que existem as verdades, as meias verdades e os mitos. Um dos mitos, segundo ele, é que a radiação ionizante causa câncer e impotência sexual. Assinalou, sem seguida, que a história da radioatividade do átomo é traumática, lembrando a catástrofe nuclear de Hiroxima e Nagasaki. “A percepção do risco é hoje hiperdimensionada”.
A palestra faz parte da programação chamada “Palestras sobre urânio, mineração e energia nuclear” que a INB começou a desenvolver no ano passado quando especialistas falaram sobre o assunto como a hidrologia da região, o ciclo do combustível e o funcionamento de uma usina. O objetivo do programa é levar mais informações ao público formador de opinião, como prefeitos, vereadores, lojistas, professores, estudantes e representantes das comunidades urbana e rural.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
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