Deu para perceber que na chamada Operação Caracará (podia se chamar Carcará) do Ministério Público Estadual, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Segurança do Estado, Vitória da Conquista é o foco da sonegação fiscal na Bahia! Com a concentração de 15 a 16 presos entre empresários e policiais, lamentavelmente, aqui mais parece ser o paraíso das trambicagens.
É muita gente comendo “bola” e se enriquecendo ilicitamente. E por falar nisso, já observou a declaração de renda dos candidatos a cargos políticos nas próximas eleições? Como eles são pobres coitados! Como nas cantorias das emboladas, é cada um fazendo suas pegadas na demonstração de suas destrezas verbais e escritas. Essa Operação, segundo dizem, já vinha sendo investigada há quatro anos e descobriu-se um rombo de R$1,6 bilhão no Estado.
Creio que aqui em Conquista, não apenas na área fiscal, muita coisa precisa ser desbaratada. Infelizmente, nos tempos mais recentes, nosso município tem sido destaque de coisas ruins como a Chacina entre 28 e 29 de janeiro quando policiais executaram 11 pessoas. Alguns deles foram levados para Salvador, mas já retornaram e não se fala mais em inquéritos e prisões. É mais uma fato a ir para o arquivo morto.
Achei fraca a cobertura da imprensa local com relação a Operação Caracará (não me traduziram o significado). Por que não deram os nomes dos presos? Mais uma vez, os noticiários não passaram de registros formais, sucintos e sem profundidade. Com seus mais de 300 mil habitantes e com tantas ocorrências, Conquista já deveria ter um jornal diário feito com seriedade, conteúdo e qualificação profissional.
Falta visão empresarial e jornalística para encarar essa realidade, sem vaidades e pretensões políticas. O povo de Conquista está carente de notícias e matérias locais bem trabalhadas e que não sejam reféns dos órgãos públicos. Muitos questionam por aí que com esse estilo não dá para sobreviver. Tenho opinião diferente e certeza que dá.
Quanto a Operação, fica a sensação de que o ouvinte, o telespectador e o leitor ficaram frustrados com os resumos das notícias. Nas informações, sente-se a falta de um jornalismo mais investigativo por parte da imprensa local. A impressão que se tem é que muito mais coisa deveria ser divulgada e explicada com mais detalhes.
É uma crítica que pode ser rebatida e contestada, mas peço permissão para falar mais uma vez da Copa de Futebol da África e a de 2014 que será no Brasil. No nosso país vai permanecer o arcaico, sujo e podre com o imperador Ricardo Teixeira, da CBF. É de um cinismo agudo quando o homem vai para os meios de comunicação e fala de renovação. Mais triste ainda é o silêncio da imprensa que não questiona a situação.
Vamos continuar comendo “bola” com as obras superfaturadas e engolindo a propaganda enganosa e mentirosa de que a Copa vai oferecer milhões de empregos (temporários) e que por isso justificam os bilhões de reais dos cofres públicos que serão investidos em novos estádios.
No caso do Brasil, faço a mesma pergunta de um articulista com relação a Copa da África do Sul. Dos R$10,5 bilhões equivalentes investidos pelo Governo da África em 10 estádios e mais outros bilhões em infraestrutura, quanto será incorporado como investimento permanente e benéfico para uma população pobre e devastada pela corrupção? No caso do Brasil, tão carente de uma educação de qualidade e de saúde digna para a população.
Lá, dos 47 milhões de habitantes, 20 milhões vivem na extrema pobreza. Aqui, dos 190 milhões, mais de 50 milhões. No Brasil, vão fazer uma limpeza da pobreza em torno dos estádios como foi feito na África. Tanto lá como cá, os menos favorecidos serão barrados da festa da Fifa, considerada vitrine do capitalismo predador mundial.
Como assinala o articulista, o fenômeno da violação dos direitos das comunidades decorrentes dos impactos das Olimpíadas e da Copa do Mundo também foi constado em outras cidades como Pequim e Barcelona. Relatório da ONU denunciou a falta de transparência da Fifa em relação aos preparativos para a Copa da África do Sul. Pelo andar da carruagem, no Brasil não será diferente com os homens vitalícios das Olimpíadas e da Copa.
É uma reflexão que temos que fazer sobre esses eventos no Brasil. Só acho que megaeventos desse tipo só poderiam acontecer em países com índices de educação, saúde e qualidade de vida acima do exigido pelas nações mais desenvolvidas. Sobre a questão da corrupção, não dá nem para se comentar. Se fosse só olhar por este ângulo, o Brasil já estaria fora.
Na Bahia, por exemplo, a licitação público-privada para construção da nova Fonte Nova já começa irregular. Como se não bastasse, o governador quer tirar o nome do estádio de Otávio Mangabeira para colocar o nome de “Lulão”. O Governo do PT não moveu nem uma palha para reverter a mudança de nome do Aeroporto Dois de Julho para Luis Eduardo Magalhães. Dá para acreditar?
Nenhum comentário:
Postar um comentário