A questão não é ser otimista ou pessimista, de direita ou de esquerda, conservador ou avançado, moralista ou liberal. A questão é de senso crítico, conhecimento, de racionalidade e de interpretação politizada sobre o nosso sistema que está todo podre e se ruindo com deformações e pingueiras por todos os lados. Sobre a palmada, falo mais na frente.
Trata-se de uma análise histórica desde os tempos coloniais, passando pela opressão do coronelismo até os dias atuais onde a oligarquia política continua manipulando as classes pobres e analfabetas que não conseguem decifrar as manobras do poder e ainda são usadas como massas de manobra. Pode até ser um chavão antigo, mas é a verdade.
Como diria no popular, o buraco é mais embaixo, meu camarada. Para entender toda essa engrenagem do sistema é preciso se debruçar nas pegadas das armadilhas e das falsas demagogias políticas de igualdade e inclusão social. Crescimento econômico não significa distribuição de renda e redução das desigualdades sociais.
Sem educação de qualidade, a máquina vai continuar travada e a grande maioria a viver na ilusão maquiada dos fatos, sem discernir e distinguir direito as cores. Todos lá de cima estão alinhados ao sistema porque dependem dele para a sobrevivência.
O poder atual, por exemplo, usa a expansão do ensino superior como uma das bandeiras de suas campanhas. Ninguém pode ser contra a interiorização das universidades. Ocorre que, só para citar a Bahia, esse projeto foi feito sem critério e planejamento. Foi montado para atender interesses políticos e pessoais.
As salas estão cheias de estudantes, mas ninguém analisa friamente e conscientemente o perfil desses alunos. A maioria não tem base cultural para os estudos acadêmicos e profissionais. E tome cursos e mais cursos de diversas áreas. Muitos fazem para obter um passaporte para o mercado, só que saem despreparados e não conseguem atender as exigências de qualificação.
O negócio é fechar os olhos e fazer de conta que todos estão tendo ensino de qualidade. As nossas universidades do interior vivem constantemente em crises, mas estão sempre criando novos cursos. Por sua vez, a deterioração já vem do ensino fundamental e médio que é de péssima qualidade. A sociedade é posta de lado nas discussões.
O Brasil apresenta certo crescimento econômico, mas com baixo nível na educação. Assim, o país jamais vai alcançar o desenvolvimento de que tanto se fala para ser tornar uma potencia. A não ser no papel ou na ilusão manipulada pelos políticos. As novas gerações já estão pagando um alto preço.
Sem educação eficiente, crescerá o desemprego e a violência. As grandes empresas estão com dificuldade de contratar pessoal qualificado e estão buscando gente no exterior. O engodo e o populismo estão criando um bando de mentes atrofiadas no Brasil, mas quem está de fora vê tudo como um milagre e uma maravilha. Basta analisar o sistema de cotas nas universidades, as quais são mais raciais e discriminatórias. Estão longe de serem sociais e de inclusão.
Para ingressar na universidade, a nota exigida para o cotista é dez vezes mais baixa do que para os não cotistas. Os negros, os indígenas, os que estudaram nas escolas públicas não merecem essa dura penalização futura. Mais uma vez, o poder prefere jogar a sujeira para debaixo do tapete. Mas este é um assunto longo para ser desecado.
São inúmeras as situações onde os brasileiros são enganados com políticas mentirosas que vão repercutir negativamente no futuro. Quanto a insegurança e a violência que reinam neste paraíso de belas praias e paisagens são outros ingredientes indigestos que nos fazem engolir e até nos voltamos uns contra os outros.
Já analisou que neste Brasil oligárquico sempre é pobre matando pobre! Os jagunços matavam os pobres a mando dos coronéis e dos senhores de escravos. A maioria da população de Salvador é de cor negra e de pobres como é formado o corpo policial que espanca, tortura e mata os mais pobres.
Na chacina de Conquista passaram por cima da lei; invadiram os casebres da Serra; e executaram 11 pessoas. A própria polícia contestou as investigações do Ministério Público. Os segmentos da sociedade se calaram, apoiando uma ação que eles entendem ser a mais correta forma de combater a violência. As camadas mais pobres e sem instrução chegam a concordar que a polícia tem que matar mesmo. Já que todos são inocentes e estavam no cumprimento do dever, só resta concluir que não houve chacina nenhuma. Será que invadiriam se fossem mansões?
Nas ruas, os cidadãos são desrespeitados brutalmente e muitos trabalhadores espancados até a morte. Os governantes enchem nossas cabeças de esperanças, prometendo mais armamento; comprar mais viaturas; e colocar mais homens como se tudo isso fosse a solução do problema. Não importa se o sistema continua arcaico com homens despreparados, sem formação humana para tratar bem o contribuinte dos impostos. Assim é mais fácil e rende mais votos nas eleições. Continuamos sendo iludidos e massacrados. A maioria concorda e apóia.
A esta altura, o leitor deve estar perguntando: E a PALMADA? Ah! Esta é um projeto de um parlamentar do Rio Grande do Sul para punir os pais que derem uma palmada nos filhos, inclusive obrigando-os a freqüentarem um psicólogo para devido tratamento mental.
Talvez se nossos governantes e políticos tivessem tomado umas palmadas quando crianças, hoje não estariam roubando, enrolando e cometendo desatinos contra a coisa pública, nem fazendo populismo barato. Talvez levassem a política com seriedade e priorizassem a educação. Talvez nosso sistema fosse mais humano e igualitário. Talvez nem fosse necessário se ter um Estatuto da Criança e do Adolescente que se diz moderno, mas que na prática não funciona como deveria. Criam um Conselho Tutelar sem estrutura e se faz uma eleição numa cidade de 300 mil habitantes onde só três mil votaram A isso se chama participação popular. Vivemos no faz de conta.
Já falei demais, mas tinha muito mais coisa para citar no campo da ironia e da contradição como o voto obrigatório onde políticos explicam que é uma forma de aperfeiçoamento da democracia. E ainda dizem por aí que o brasileiro já aprendeu a votar. Conversa mole para boi dormir. No mais, podem me xingar e jogar as pedras.
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