quarta-feira, 19 de maio de 2010

EXCLUSÃO NA UESB


Sempre tenho dito que no Brasil o povo paga o máximo, mas recebe o mínimo. É só avaliar a questão dos impostos cobrados, um dos maiores do mundo, mas o dinheiro escorre pelo ralo, nos desperdícios e desaparece na corrupção. Os setores da educação e da saúde, principalmente, padecem de investimentos, sem contar que na maioria dos órgãos públicos, o povo é excluído das decisões.

Aqui bem próximo de nós temos o caso da Universidade Estadual do Sudoeste-Uesb onde as eleições para reitor que serão realizadas no dia 20 (nesta quinta-feira) não contam com a participação da comunidade, embora reze seu estatuto que segmentos representativos da sociedade sejam convocados para votar e participar do pleito.

No entanto, tudo é manobrado para que o povo não participe e fique de fora, inclusive os meios de comunicação de Vitória da Conquista e região que, conforme regulamento da campanha eleitoral, não podem ser utilizados pelos candidatos para apresentar seus programas e suas propostas de trabalho.

De acordo com as regras emanadas do Conselho Universitário, (Consu), Artigo 14, da Comissão Eleitoral, a divulgação só pode ser feita internamente nos campi de Conquista, Jequié e Itapetinga, o que significa que o povo que paga a Uesb fica excluído das decisões e pouca gente sabe quem são os candidatos. Não se ouve falar nas ruas sobre as eleições de reitor.

Mesmo internamente existem restrições que atropelam o exercício da democracia, criada pela civilização grega para oferecer transparência na forma de escolha dos representantes do povo. Ainda o Artigo 14 veda a utilização dos meios de comunicação para veiculação de matéria paga; promover pichações que causem danos à instituição; utilizar materiais de consumo da universidade; afixar faixas, cartazes, outdoors, adesivos nos carros e camisetas. Até aí, tudo bem. São critérios que são compreensíveis.

A norma diz, porém, que só é permitido usar botons, adesivos, boletins, informativos, internet e outras propagandas similares somente nas dependências da Uesb. É liberada a divulgação de entrevista de caráter jornalístico, através de órgão de comunicação de massa, com espaços iguais aos candidatos, desde que tenha autorização da Comissão Eleitoral.

Sobre a autonomia e ação da instituição, o estatuto diz que a natureza pública dos serviços prestados pela universidade deve exigir acompanhamento e avaliação do Estado e da sociedade, sem representar ingerência administrativa com controle político-partidário. Porém, nos últimos anos, a Uesb vem sofrendo por ser utilizada como trampolim para interesses carreiristas.

Outra questão muito delicada e que merece crítica é quanto ao voto universal. Fala-se tanto de igualdade e de direitos para todos, mas na prática é outra coisa. Na eleição para reitor, o voto não é universal. O voto do professor pesa mais na contagem do que o do estudante e o do funcionário. E isso ainda ocorre no Brasil dentro de uma comunidade acadêmica que fala e prega tanto conhecimento teórico, mas peca na prática. São ações totalmente contraditórias com a verdadeira democracia.

Mais uma vez, o que aconteceu neste pleito foi a ausência total de representantes da comunidade regional nas reuniões do Conselho. Essas questões prejudicam a credibilidade, a transparência e a imparcialidade do processo.

O que está ocorrendo, mais uma vez, é a transgressão e o desrespeito à representatividade popular O Consu descumpriu, arbitrariamente, a norma estatutária e o regimento da Uesb.
Não estou falando apenas como jornalista, mas, sobretudo, como cidadão que gostaria de ter representantes votando e discutindo sobre decisões da universidade que é paga por todos nós baianos e brasileiros. Lamentavelmente, a nossa universidade continua ainda muito distante da comunidade.

Só nos resta esperar que seja eleito e indicado pelo governador do Estado o nome mais sério e competente que faça as mudanças e as reformas necessárias na direção da abertura da universidade para que a comunidade também participe das decisões como esta agora da eleição para reitor.

Só nos resta esperar que na próxima eleição o voto seja universal e a sociedade tenha representantes votando nos candidatos. Que os meios de comunicação sejam livres para divulgar os programas e as propostas dos postulantes ao cargo de reitor.




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