O superintendente do Sebrae/Bahia, Edval Passos diz que é um exemplo para toda a Bahia na área de produção cooperada. Outros comentam que se trata de um projeto revolucionário de inclusão social de geração de renda de pequenos agricultores que vai consumir ao todo R$11 milhões para entrar em funcionamento. Esse projeto tão discutido na área da mandiocultura, que inclui uma fecularia, está sendo instalado próximo a Vitória da Conquista, envolvendo 18 municípios da região sudoeste com uma população estimada de 600 mil pessoas.
O certo é que é o maior projeto cooperado de mandiocultura do Brasil que reúne na região sudoeste 2.300 pequenos plantadores (beneficiamento direto a mais de 10 mil pessoas), financiado com recursos da ordem de R$7 milhões só da Fundação Banco do Brasil. Essa iniciativa de implantação de um fecularia nasceu desacreditada, mas está se tornando realidade e logo mais, no segundo semestre, entrará em operação com capacidade para esmagar 100 toneladas de mandioca por dia.
FORÇA-TAREFA DE PARCEIROS
Todo esse complexo, incluindo módulos administrativos e uma empacotadora de farinha, é da Cooperativa Mista Agropecuária de Pequenos Agricultores do Sudoeste da Bahia – Coopasub. A construção está em fase acelerada para receber em breve os equipamentos que estão vindo do Paraná. Está ação está contando com uma força-tarefa de parceiros, como da Fundação Banco do Brasil, BNDES, Petrobrás, Embrapa, Sebrae, EBDA (Secretaria de Agricultura do Estado), Ministério da Agricultura, entre outros órgãos e entidades.
Na semana da 7ª edição da Feira Coopmac-Sebrae, em Conquista, por um dia o comitê gestor da mandiocultura se reuniu para discutir o andamento e a melhoria do programa que abrange 19 casas-de-farinha da região. Os debates contaram com as presenças do presidente da Fundação Banco do Brasil, Jacques de Oliveira Pena, do gerente de Comunicação e Mobilização Social da Instituição, Claiton Mello, do superintendente do Sebrae, Edval Passos, do superintendente regional do BB, Paulo Tadeu e demais representantes da Embrapa, EBDA e dos pequenos agricultores familiares.
O presidente da Coopasub, Izaltiene Rodrigues Gomes adiantou que o projeto está na fase de cobertura dos galpões, com perspectivas de operação da fecularia de mandioca em agosto. No entanto, a empacotadora de farinha deve entrar em atividade agora em junho. Os equipamentos, conforme informou, já foram adquiridos e devem chegar em breve, em Conquista.
Disse que a capacidade da fecularia é de beneficiamento de 100 toneladas de mandioca por dia, produzindo 25 toneladas de fécula, só que essa meta deverá ser atingida a partir do terceiro ano de funcionamento. No primeiro ano, a indústria vai trabalhar com 20 a 40% da capacidade, devendo ocorrer uma oscilação por causa da parte de treinamento e aprendizagem dos trabalhadores. Já a empacotadora tem uma capacidade de 30 toneladas de farinha por dia, mas no início esse volume deverá chegar a 30%.
Izaltiene explicou que tanto para a fécula como para a farinha já existem propostas de compras, mas os negócios ainda não foram propriamente fechados por falta de uma segurança definida das quantidades. Sobre a afirmação do superintendente do Sebrae de que em termos de cooperativa é o maior projeto da Bahia, o presidente da Coopasub disse não conhecer muito o Estado, mas garantiu, com segurança, ser um dos maiores e melhor estruturado.
No momento, a Coopasub está terminando a reforma de 19 casas-de-farinha e concluindo mais seis dos cooperados. No entanto, existem em torno de 250 a 300 unidades para serem acompanhadas na região, todas de micro e pequenos agricultores.
Na Feira Coopmac-Sebrae, no Parque de Exposições de Conquista, o comitê gestor da mandioca discutiu também formas de comunicação, mobilização do grupo, bem como ajustes técnicos de produção e financiamento de projetos. Na ocasião, a Fundação Banco do Brasil lançou o livro “Geração de Trabalho e Renda – gestão democrática e sustentabilidade nos empreendimentos econômicos e solidários”.
O gerente de Mobilização Social da Fundação, Claiton Mello adiantou que a instituição vem atuando fortemente em cadeias produtivas para geração de trabalho e renda. Na região sudoeste, o foco é a mandiocultura junto a agricultores familiares, numa ação que teve início em 2004.
Tanto Claiton como o presidente da Fundação, Jacques Pena acreditam que o projeto vai garantir mudança e transformação dos produtores em toda região sudoeste do ponto de vista da agricultura familiar. Em mandiocultura no Brasil, sem dúvida, o projeto de Vitória da Conquista, no modelo de economia solidária e gestão cooperativa, é o maior do país em volume de recursos, superando os programas desenvolvidos no Acre e Minas Gerais assegurou Claiton.
A intenção principal desse projeto, segundo o gerente, é construir um modelo diferente de produzir e de partilhar os ganhos num sistema solidário de cooperativados, isto é, todos tendo retorno econômico e social. Outra preocupação do projeto é o cuidado com o meio ambiente, utilizando tecnologias que não agridam a natureza.
Só na fecularia estão sendo investidos R$4 milhões, mas a Fundação está aplicando no geral R$7 milhões, além de mais R$4 milhões de outros parceiros como Petrobrás, BNDES, Embrapa, Sebrae e demais participantes do complexo-mandiocultura, incluindo reforma das 19 casas-de-farinha e construção de mais seis unidades.
Além de Conquista, fazem parte do projeto os municípios de Anagé, Aracatu, Belo Campo, Barra do Choça, Caraíbas, Condeúba, Encruzilhada, Mirante, Piripá, Planalto, Poções, Ribeirão do Largo e Tremedal.
A FÉCULA E SUAS PROPRIEDADES
Coma aplicação de modernas tecnologias na lavoura, a meta é que a produção de mandioca saia das 10 toneladas por hectare para 25 a 40 como acontece no Paraná e em Mato Grosso. Atualmente já tem produtor na região de Conquista alcançando uma produtividade em torno de 25 toneladas por hectare.
De acordo com os parceiros do programa, a fécula será utilizada, especialmente, em produtos alimentícios (beijus, goma, biscoitos, pão de queijo), mas pode também ser empregada em fármacos, na industrialização de químicos e petroquímicos e até na perfuração de poços petrolíferos.
A fécula é uma substância amilácea encontrada nas raízes e tubérculos. O Brasil é o segundo maior produtor de mandioca, mas apenas o quarto de fécula. O derivado da mandioca é obtido através de sucessivas lavagens da massa, com posterior decantação da água de lavagem onde ocorre a separação da fécula de outras matérias.
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