segunda-feira, 29 de março de 2010

CONHECIMENTO E PRODUTOS



Dona Luciene Casagrande é uma pequena empresária que veio do Rio Grande do Sul (Cachoeirinha) para expor suas bolsas artesanais em couro de cabra, bucho de boi, tilápia e de avestruz durante os nove dias da Coopmac-Sebrae, em Vitória da Conquista. Na ocasião, declarou que gostou da estrutura montada. Ela revelou que veio a Conquista após ter participado de uma feira em Ilhéus e tomado conhecimento do evento através de informações do Sebrae.


Tem de tudo na Feira Coopmac-Sebrae, desde conhecimento e cultura a vendas de apartamentos, de informática, móveis, materiais de decoração, de limpeza, cachaça, confecções, cosméticos, sapatos, colchões, artesanatos em geral, artigos de couro, churrasqueiras, bicicletas, aparelhos de ginástica, bolsas, etiquetas, estandes de prefeituras e câmaras, faculdades, cooperativas e associações de classe, sem contar os shows musicais na Praça de Alimentação.


Neste ano, além dos produtos, a capacitação de pessoal através da realização de 80 palestras nos auditórios do Sebrae, com cerca de cinco mil participantes, foi o ponto forte da 7ª edição da Feira, de 20 a 28 de março, durante a 44ª Exposição Agropecuária, Comercial e Industrial de Vitória da Conquista – a Expoconquista – 2010. A demanda por palestras superou a oferta, tanto que o Sebrae pensa ampliar o espaço no próximo ano para atender os interessados.



DE CONQUISTA E DE OUTROS ESTADOS



O evento é uma prova de competição de preços e qualidade na busca pela divulgação da imagem e das marcas das empresas. É a primeira vez que a empresária Luciene Casagrande esteve na cidade participando da Feira. Suas peças sofisticadas e de bom gosto do Rio Grande do Sul são do tipo exportação, feitas manualmente pela sua empresa Celibatto – Couros e Tramas (celibatto@yahoo.com.br – 51 3441-4016) que emprega nove pessoas e percorre todo país divulgando seus produtos.


De Belo Horizonte veio também pela primeira vez a fábrica de sapatos artesanais Tsavo, do sr. José Humberto de Souza que antes de decidir pela participação fez uma pesquisa minuciosa na internet e até no IBGE para sondar a estrutura da cidade e a organização da feira. Há 45 anos no ramo de sapatos confeccionados manualmente, disse que gostou do que viu e aprovou o movimento de vendas.


Seu Humberto dividiu o estande com a pequena empresa Jóias do Jalapão, do sr. Wilson Rodrigues, também de Minas Gerais, para comercializar peças de brincos, pulseiras e correntes trabalhadas de forma artesanal. Ele também fez uma pesquisa antes resolver participar do evento. “Gostei da estrutura montada pelos organizadores”


De Pernambuco participou também, pela primeira vez, o Universo das Mantas - o mercado de artesanato, com mantas, bolsas, redes, tapetes e outros produtos. Segundo seu representante, Eustácio Lima, a estratégia foi divulgar suas peças no mercado de Conquista e região.


Quem participa há 10 anos dos eventos do Sebrae é o empresário conquistense Cláudio Ferreira de Oliveira que estava todo animado na feira deste ano com o movimento de vendas. Purificadores de água, químicos profissionais, ventiladores para o campo, lixeiras, equipamentos de limpeza, climatizadores, tapetes sintéticos, bebedouros, entre outras variedades de produtos chamavam a atenção do público que passava nos corredores da exposição.


Na conversa foi logo nos dizendo que fechou bons negócios – R$10 mil só num dia da semana - para acrescentar que a Coopmac-Sebrae é a melhor mídia para lançamento de produtos. A maior parte de seus contratos foi fechado com empresas locais da região, mas teve vendas também para municípios do Norte de Minas Gerais. “Todos os anos nosso movimento supera as expectativas”.


Na área de etiquetas, a Adeskollo, localizada no centro de Vitória da Conquista, também foi uma das atrações, fazendo apresentações de seus itens de produção para os visitantes. O diretor da empresa, Wilson de Jesus, fez questão de dizer que a exposição é um meio de lançamento de novos produtos e busca de novos parceiros no mercado. A maior parte da sua produção (70%) é comercializada na Bahia, Norte de Minas Gerais e Aracaju (Sergipe).


Como sempre, a fabricação de cachaça de Abaira (Cooperativa dos Pequenos Produtores de Abaira) e o setor moveleiro do Planalto de Conquista se fazem presentes ao evento todos os anos. O produtor de Cachaça, Nelson Luz Pereira, afirmou que as vendas deste ano superaram as expectativas em mais de 100% e garantiu presença nas próximas edições. Segundo ele, o mais importante de tudo é a divulgação do produto no mercado regional e em outros estados.


A Oliveira Móveis, de Vitória da Conquista, (Bairro Bela Vista – Morada dos Pássaros) se destacou na feira com a apresentação de peças de bom acabamento do tipo exportação. O proprietário da fábrica, Joel Oliveira, enfatizou que quer trabalhar com o público durante todo ano, daí sua participação na feira pela terceira vez.


Sem o Sebrae, segundo ele, não estaria no evento. Sua empresa fabrica sofás, poltronas e móveis de madeira, com encomendas sob medida. Seus produtos são comercializados diretamente ao consumidor no sudoeste, Feira de Santana, Salvador e em outros estados como São Paulo e Pernambuco. Sua intenção a partir de agora é entrar na área de exportação para o exterior. Ele elogiou a estrutura do evento, mas sugeriu ampliar os estantes e facilitar mais o acesso do público.



PÚBLICO LOTOU OS AUDITÓRIOS



Foram nove dias de intensas palestras, inclusive de oficinas de culinária, nos três auditórios sempre lotados da Feira Coopmac-Sebrae. Muita gente teve que ficar de fora por falta de espaço, conforme assinalou o coordenador regional do Sebrae/Conquista, Cláudio Cardoso. Em relação ao ano passado, a oferta de palestras teve um aumento de mais de mil por cento, sem contar encontros e audiências entre prefeitos e vereadores de Conquista e da região sudoeste.


O superintendente do Sebrae/Bahia, Edval Passos, um dos palestrantes, prestigiou o evento na abertura e durante as atividades da semana, dizendo que o órgão tem como desafios neste ano a qualificação e a organização dos pequenos negócios, como a legalização do empreendedor individual. Para ele, a Coopamc-Sebrae é um evento de maior peso do interior baiano, com a integração entre diversas parcerias do município.


Segundo Cláudio Cardoso, a grande inovação da Feira – 2010 foi a criação de um maior espaço voltado para a capacitação de pessoal. Isso foi possível, conforme assinalou, graças ao fortalecimento da parceria do Sebrae com a Coopmac. No inicio planejamos 72 eventos, mas devido a grande procura, houve uma expansão para 80, com cerca de cinco mil participantes - destacou.


De acordo com o coordenador regional, os participantes das palestras, das oficinas, dos encontros empresariais elogiaram a iniciativa, e as atividades foram produtivas porque se criou uma estrutura de conhecimento em larga escala. Outro ponto de destaque foi a diversidade dos temas abordados, como Lei Geral da Microempresa, Marketing, Vendas, Empreendedorismo, Banco do Povo, Atendimento ao Público, entre outros assuntos.


Na sua análise, foi uma experiência que deu certo, e a intenção é ampliar esses serviços para o próximo ano. Apesar da ampliação do programa, não foi suficiente para atender toda demanda ao longo dos nove dias. Na sua avaliação geral, o público visitante da Feira, em torno de 200 mil pessoas, superou todas as expectativas.

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