segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

EM NOME DA SOCIEDADE


“Para evitar críticas, não faça nada, não diga nada, não seja nada“ – do escritor e filósofo americano Elbert Hubbard.

A grande rede familiar monopolista da informação reage contra a regulação e a formação de um Conselho Federal de Jornalismo e aí sai dizendo que é a sociedade que pressionou. Não sabia que os grandes grupos da mídia fossem porta-vozes e avalistas da sociedade. Sabia que eles fazem seu jogo de interesses capitalistas e manipulam de acordo com o nível de instrução do povo.

Assim aconteceu em 2004 quando tentaram criar o Conselho de Jornalismo. Saíram propalando que o povo derrubou o projeto. Do outro lado, grupos do governo realizam conferências montadas e prontas onde todos dizem amém e onde ninguém pode contestar sob pena de ser linchado e execrado. Depois divulgam que o tal documento foi aprovado pela sociedade.

“Não existe conversa mais tediosa do que aquela onde todos concordam” – do escritor francês Michel Montaigne.

Assim são elaborados planos e programas de cultura, comunicação (TV Pública, ou Estatal do Governo), os “orçamentos participativos”, direitos humanos, educação e outros tantos. Depois é só dizer que a sociedade aprovou. Será que não estão usando o nome da sociedade em vão?

Tudo é feito em nome da sociedade, mas quando mudam pontos ou cortam projetos, se calam. Aí, pras “cucuias” a sociedade. Os donos do poder colocam no programa o nome de comissão governamental. Por que não comissão da sociedade? Ela só serve como escora e para ser usada como testa de ferro. É preciso que se tenha mais respeito.

Com relação a mídia televisiva, os programas são feitos sob medida, a maioria de baixo nível e imoral, porque são esses que rendem bons comerciais e audiência. As novelas ensinam a ereção sexual precoce entre crianças de 10 anos. Os filmes, muitos enlatados, exploram ao máximo a violência. Os direitos humanos são violados quando se exibe e se explora em larga escala os sentimentos e a miséria.

A mídia em geral não dá o direito de resposta como determina a lei (não existe mais Lei de Imprensa). Os jornais, por exemplo, costumam responder num espaço de menor destaque do que a reportagem que caluniou ou difamou a pessoa com notícias mal apuradas e sem a devida investigação. E quando coloca a resposta num espaço menor, o veículo sempre mantém sua versão do caso, confirmando o que escreveu anteriormente.

O direito à liberdade de imprensa acaba quando não se tem ética e responsabilidade. Você perde o direito de liberdade quando apunhala o direito do outro. Nas emissoras de rádio, locutores berram e acusam cidadãos com palavrões. O tratamento entre quem tem poder, fama e muito dinheiro é diferenciado do pobre “zé ninguém”. O “ladrão de galinha” é algemado e logo condenado como criminoso digno de tortura, mas o safado de gravata recebe tratamento de doutor.

O culto á beleza do corpo e ao consumismo em larga escala é enfatizado como deuses supremos porque deles jorram os lucros que sustentam os besteiróis dos shows da vida. Nos canais de televisão, as apelações são autênticos atentados contra a ética e a moralidade, mas a prática se tornou normal e politicamente correto.

Quanto menos conteúdo e qualidade, melhor para o sistema porque assim as programações ficam no mesmo tamanho da educação e da cultura do nosso povo. Tratam-nos como imbecieis e idiotas, forjando e montando entrevistas e reportagens para satisfazer a elite.

Com raras exceções, não existe interesse e preocupação de melhoria de nível nos projetos das emissoras de rádio e televisão. A ótica é comercial no sentido de que se melhorar a qualidade não se vai ter público para consumir e cai a audiência. Fica aqui a indagação que sempre se faz: Quem veio primeiro, o ovo ou a galinha?

A discriminação e o preconceito são tapiados com falsas imagens quando se coloca uma personagem da minoria excluída entre uma grande maioria selecionada que dá maior visibilidade e retorno. Sempre prevalece a estética e a padronização do belo, mesmo que seja fútil. Como numa ilusão de ótica, transmite-se a falsa impressão do politicamente correto.

Pena que nossa sociedade, como costumam falar, também está infestada de sujeiras por todos os lados. Ela retrata o que consome. Os valores entraram em profunda decadência e cada um só quer saber de salvar sua pele, tirar proveito.

É a sociedade do carnaval que dança conforme a música rasteira e de baixo nível, como o lixo agora na figura do chapeuzinho que quer comer a menina. “Vou te comer.... “Vou te comer” arrasta multidões na festa de Ivete Sangalo, Daniela e Béu Maques. É uma sociedade que deixou de decidir e parou de pensar e refletir.

Revestidos de cunho eleitoreiro, o Fórum Social Mundial Temático da Bahia foi cheio de discursos-chavão contra poderosos e a elite. “A culpa pelos problemas sociais é das grandes corporações, dos governos elitistas, dos banqueiros ou até da grande imprensa. São setores que lutam com força para não perderem privilégios.”

Foi o discurso do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Sabem daquele ditado popular que diz que “macaco não olha para o rabo”? Pois é, faltou ser sincero e reconhecer que o governo federal coligou-se com o que há de pior da elite brasileira que é uma sanguessuga da sociedade. Faltou dizer que são os banqueiros e a turma de Sarney os maiores privilegiados. Todos eles são impostores e a assim não dá para processar mudanças e reformas no âmbito da socialização. O resto é mentira em nome da sociedade.

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