Centenas de anos e os países mais desenvolvidos do mundo não resolveram o problema de miséria do pequeno Haiti, no Caribe, próximo à ilha de Cuba. Durante todo esse tempo só fizeram invadir como França e Estados Unidos. Agora com a catástrofe do terremoto, dezenas de bondosas nações apressam o passo para socorrer as vítimas que já viviam abandonadas em suas trágicas condições humanas e entregues às intempéries da natureza.
É louvável o mundo todo prestar sua ajuda, mas é lamentável e triste quando se sabe que a humanidade só se solidariza nas tragédias de mortes e dor. Já parou para refletir que em toda sua história, o Haiti só é lembrado nessas épocas e nas invasões de países para mostrarem força e poderio, mudando governos, regimes, sistemas e destinos.
Assim fizeram os Estados Unidos por diversas vezes, principalmente quando sentem qualquer sinal de socialização de governo. Os Estados Unidos temem outra Cuba perto deles e aí usam a força bruta para decidir conflitos contrários aos seus interesses, como fizeram em El Salvador, na Guatemala, em Costa Rica, na Nicarágua, no Panamá e na própria Cuba, só para ficar naquela zona da América Central.
Agora também está lá o Brasil fazendo o mesmo papel de invasor com outras forças da ONU. O Brasil também tem seu interesse particular de ter uma cadeira permanente nas Nações Unidas e, por isso, está vendendo sua alma ao diabo para conquistar essa posição.
A mídia também faz sua parte suja do jogo quando deixa de mostrar a verdadeira história e realidade do Haiti e, principalmente, quando diz que aquele povo tão sofrido adora os brasileiros. Quem gosta de ver invasor e tropas de coturnos forasteiros pesados, pisando em seu território, em sua casa? Não é verdade o que propalam. É mais uma mentira.
Desde 2004 que lá estão tropas estrangeiras de várias partes do mundo, quando durante esse curto espaço de tempo as nações mais ricas, se quisessem, já teriam resolvido boa parte dos problemas econômicos, sociais e de educação do desgastado Haiti. O que o Haiti precisa não é de tropas, mas de infraestrutura e de condições viáveis de desenvolvimento, de aumento de renda e de emprego para reduzir suas desigualdades.
Se o Haiti tivesse tido antes essas condições de sobrevivência, estrutura e segurança, já teria logo minimizado os efeitos horríveis dessa catástrofe, com o salvamento mais rápido de vidas humanas, menos sofrimento e até com perdas econômicas de menores proporções.
De todas os cantos do mundo partem aviões carregados de alimentos e reforços, o que não deixa de ser uma ação emocionante e elogiável. Há anos que o povo haitiano espera atos duradouros dessa natureza, mas nunca chegaram como deviam. A tragédia humana está aí todos os dias, mas eles (os ricos) só se importam em investir em armas e destruir o planeta.
Multidões descem dos céus e delas está a mídia com suas parafernálias para se fartar do sentimentalismo e do espetáculo da miséria. Dentro dos escombros, como nas guerras, já até elegeram um personagem símbolo da tragédia que é uma pobre menina sobrevivente desse inferno do qual esqueceram que existia naquelas bandas do Caribe. Na descida, muitos devem ter indagado: Que país é esse? Onde estamos?
Nessa hora, a mídia, especialmente a televisiva, se foca mais na esfera do sentimentalismo, nas lágrimas derramadas paradas nas imagens, na exploração da miséria, no emocional e esquece de passar as informações jornalísticas corretas e objetivas. Para ocupar o tempo, fica repórter entrevistando repórter que fica mastigando palavras soltas para dar respostas vazias. As informações são desencontradas, mesmo com toda evolução tecnológica dos tempos modernos.
Depois que tudo se acabar e não houver mais notícias; depois que os mortos estiverem enterrados nas valas rasas de um chão amaldiçoado pelos os homens e pelos deuses, todos levantam acampamento; juntam suas tralhas e vão embora, deixando para trás o Haiti do horror que mais uma vez serviu de manchetes para o mundo.
O Haiti é um país destroçado e marcado por contrastes em todos os sentidos. Foi o primeiro país com maioria de população negra a conquistar a independência em 1804, mas continua dependente, oprimido e castigado por invasores e exploradores como nos tempos coloniais.
Antes da independência, libertou os escravos em 1794, mas continua subjugado e escravizado em pleno século XXI. Esse povo continua a estampar aos olhos do mundo os piores níveis de vida na terra. Na verdade, nunca foram donos de si mesmos. Mais de 80% vivem com menos de dois dólares por dia. O grande desafio da população é fazer uma refeição por dia. Não sabem o que é dignidade e cidadania.
Na segunda metade do século XIX e início do século XX, 20 governantes se alternaram no poder. Desses, 16 foram depostos ou mortos. Entre os anos de 1915 e 1934, o pobre e indefeso Haiti foi covardemente invadido por tropas do Tio Sam.
No ano de 1947 foi iniciada a ditadura terrorista de François Duvalier, o chamado Papa Doc. Esse carniceiro utilizava sua tropa para perseguir e matar a oposição. Morreu em 1971 e, seu filho, Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc que sucedeu o pai foi ainda pior. Foi tanta opressão que em 1986 foi obrigado a fugir do país depois de ter decretado estado de sítio.
Novo presidente foi eleito, mas só passou cinco meses no cargo. As patas dos Estados Unidos sempre se fizeram presentes sobre as decisões do povo e sempre acobertaram as ditaduras tiranas. O gigante não pode ser contrariado.
Mas, tudo parecia se acalmar com as eleições de 1990 do padre Jean-Bertrand Aristide. Pressões fizeram com que ele fosse deposto um ano depois. Haitianos tentam se refugiar nos Estados Unidos e em 1994 a ONU decreta bloqueio total na Nação.
Depois da invasão norte-americana, sempre eles no cenário quando percebem sinais de socialização, Aristide retorna ao governo, mas encontra seu país mergulhado em crise. Em 2000 houve novas eleições e Aristide é acusado de fraude no pleito. Estouram conflitos por todos os lados e forças ocultas forçam a renúncia do presidente, até hoje não explicada pela mídia.
Aí entra a missão da ONU, e o Brasil lidera com tropas para patrulhar o povo. Para mostrar sua grandeza, e na onda dos elogios da imprensa lá fora e de pessoas que pouco conhecem sobre nossa realidade, sai na frente. De tacada dá U$15 milhões, bem mais que os U$10 milhões das Nações Unidas e os 3 milhões de euros da União Européia. Afinal de contas, somos os mais ricos invasores imperialistas, e o povo do Haiti adora os brasileiros!
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