terça-feira, 19 de janeiro de 2010

TILÁPIAS DO SUDOESTE

A comercialização ainda é um desafio a ser vencido, mas a produção de tilápias das associações de pescadores de Itapetinga, Potiraguá, Floresta Azul, Tremedal e Caraíbas só tem crescido nos últimos anos. A renda média mensal do criador, a maioria trabalhadora da agricultura familiar, também aumentou, passando dos R$200,00, há dois anos, para quase R$400,00 atualmente.



Com apoio da Bahiapesca no fornecimento de alevinos, o projeto de piscicultura das associações compostas de 15 a 18 famílias em cada município, conta ainda com a logística de acesso de mercado do Sebrae/Bahia na região sudoeste e funcionam há três anos, complementando a renda dos pequenos agricultores.




MAIOR GARGALO



O consultor do Sebrae e produtor João Sérgio Carvalho reconhece que a comercialização ainda é o maior gargalo dos projetos, mas é uma etapa que está sendo conquistada aos poucos através, principalmente, do trabalho de estímulo ao consumo de pescado na região. Ele disse que a demanda existe. Para ganhar esse mercado, segundo Sérgio, está sendo montada uma logística de comercialização para fora da região.



Para se ter uma idéia, somente nos municípios de Itapetinga, Potiraguá e Floresta Azul com os métodos utilizados de tanques-redes (Floresta Azul) e tanques escavados, a produção de 50 toneladas em 2008 pulou para 70 toneladas no ano passado e se espera alcançar as 90 toneladas neste ano de 2010.



João Sérgio informou que desde outubro do ano passado estão sendo feitos povoamento nos tanques para atender a demanda durante a Semana Santa quando o consumo aumenta bastante. De toda produção, 70 a 80% são destinados ao mercado interno da região, mas a idéia é expandir as vendas para Salvador e Paulo Afonso.



Esses projetos de piscicultura que dão sustentação de renda a dezenas de famílias estão ativos desde 2003, mas somente a partir de 2005/06 o Sebrae/Bahia passou a atuar, ajudando na formação das associações que trabalham com 15 a 18 famílias cada. O poder aquisitivo dessas famílias participantes do projeto tem crescido entre a 10 a 15% anualmente, conforme assinala João Sérgio.



Os criadores de tilápias de Itapetinga, por exemplo, ainda se queixam do pequeno consumo por habitante, mas o índice vem aumentando. No início, Itapetinga não consumia nem 100 quilos por semana, mas hoje já chega a 1.300 quilos. “São cincos anos de trabalho que está dando bom resultado” – apontou o consultor João Sérgio. Mesmo assim, a produção continua aumentando mais que o consumo.



A alternativa para incrementar a produção é a utilização do tanque-rede, mas depende da abundância de água. No método de tanque escavado, a produção é de 1,5 a 2 peixes por metro cúbico, enquanto no tanque-rede se tem uma média de 150 a 200 por metro cúbico. No primeiro ao segundo ano de cultivo, a produção de 600 a 700 quilos por metro já paga todos os custos. No escavado não dá para tirar dois quilos por metro cúbico.



Também os projetos de Tremedal e Caraíbas, implantados pela Bahiapesca, estão contando com gestão associativa do Sebrae. Nesses municípios, o sistema é de tanque-rede, utilizando a barragem do DNOCS, em Anagé.



Esses projetos são mais recentes, mas a produção já vem registrando acentuado crescimento, especialmente em Caraíbas, cuja associação de pescadores já produziu 10 toneladas no ano passado. Em Tremedal a produtividade foi bem menor devido a escassez de água e a mortalidade de peixes.



Em Jequié, a Bahiapesca montou 40 tanques através da Associação de Pescadores de Canoão, e em 2009 chegou a comercializar aproximadamente 15 toneladas de pescado. São 18 famílias atendidas e cada uma faz uma média de R$300,00 a R$400,00.



Todos esses criadores, até antes dos projetos das associações só tinham como renda o cultivo da agricultura de subsistência, como milho, feijão e mandioca. Agora eles têm o pescado como complemento para o sustento de suas famílias, melhorando a qualidade de vida. O objetivo principal, de acordo com João Sérgio, é a inclusão social dessas pessoas.



Para todos os projetos, a Bahiapesca fornece gratuitamente os alevinos para as associações. Somente no ano passado foram doados 350 mil alevinos, devendo aumentar esse volume neste ano de 2010.

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