Uma verdadeira covardia o governo federal do PT se curvar e se dobrar diante da cavalaria dos militares que ainda ecoam o som dos tambores da ditadura. Um recuo diante da inquisição implacável da Igreja que ainda mantém a sua caveira do temor. As baionetas continuam a nos degolar.
Foi assim com o Programa Nacional de Direitos Humanos, o PNDH 3 que se derreteu como neve ao sol e sal na água. Além de corrupto, nosso país também é um covarde quando se fala em abrir os arquivos da ditadura e punir os torturadores como fizeram o Uruguai, a Argentina e o Chile.
A elite coronelista capitalista, os retrógrados e os conservadores do Brasil que financiaram o regime passado continuam de armas em punho para golpear qualquer um que tente invadir sua propriedade privada. Temos doutores pintados de democratas e com pele de direitos humanos, mas que em suas entranhas incorporam o satanás do conservadorismo.
Se o PNDH 3 (já houve duas versões) foi elaborado com a participação da sociedade como alegou o próprio Governo, então, pela lógica e coerência, só poderia ser modificado e extirpado depois que novamente fosse ouvida essa sociedade. Teria que ter o consentimento dela.
Pros diabos com a verdade! O Governo preferiu cortar os dedos e ficar com os anéis do poder, mesmo sendo submisso a uma força maligna que nos atormenta por anos e suga nossas pobres almas. Se o presidente Lula é o comandante maior das Forças Armadas, os generais não poderiam se sublevar e fazer o chefe recuar vergonhosamente. Mas, essa de comandante não saiu ainda do nível teórico. Não passa de uma ilusão revelada na hora de segurar o poder.
Não vou mais ficar aqui dando murro em ponta de faca ou engolindo sapos para entender como as coisas funcionam para eles. Os fatos comprovam que de ambos os lados, tanto da dita esquerda que fala em socialização como da direita conservadora, existem falsos profetas dos direitos humanos. Existe uma moeda com duas faces malditas.
O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, em guerra retórica com os militares, ameaçou renunciar ao cargo, mas ficou. Prevaleceu o murro mais forte na mesa dado pela elite que não quis saber da liberação do aborto, da taxação sobre grandes fortunas, retirar símbolos religiosos, acelerar a reforma agrária, criar a Comissão da Verdade para punir torturadores, entre outras questões que mexem com os coronéis.
Com quatro anos no Governo, Vannuchi não conseguiu dar desfecho ao processo de identificação de dez conjuntos de fragmentos ósseos retirados do Araguaia onde o exército executou guerrilheiros nos anos 70. No ano passado, o Governo chegou a pedir arquivamento na Organização dos Estados Americanos (OEA) da ação dos parentes das vítimas.
Em artigo no jornal A Tarde, edição de 18/01/2010, o deputado e jornalista Emiliano José desseca com propriedade como conhecedor profundo do assunto e como vítima que foi da brutalidade do regime o que aconteceu nos porões da ditadura e defende abertura dos arquivos e punição aos torturadores. Ao citar a decisão argentina, por exemplo, Emiliano diz não entender o barulho que se está fazendo no Brasil diante da possibilidade de criação da Comissão da Verdade.
Concordo quando diz que se uma pessoa desembarcasse no Brasil e não soubesse nada da nossa história, iria imaginar que não houve ditadura por aqui e que ela não torturou, matou e seqüestrou. Ele defende que a Comissão quer apurar todas as violações dos direitos humanos e não deixar que essa memória se apague. Para o jornalista, a tortura é crime imprescritível e não pode permanecer impune. Muitos foram mortos de forma covarde. Aponta ainda que 10 mil cidadãos assinaram um manifesto defendendo que os envolvidos em crimes de tortura sejam julgados e punidos.
Pois bem, o que mais me estranhou em seu artigo é que em nenhum momento, o deputado cita que o Governo do PT, que veio com mensagem inovadora e corajosa nessa área, nesses oito anos só fez recuar e se calar. Não aponta o recuo do presidente Lula diante das ameaças dos quartéis.
Mas, nós sabemos os verdadeiros motivos desse comportamento silencioso e cego diante dos fatos. É só olhar ao redor e observar o posicionamento das centrais sindicais e dos estudantes. Aliás, não existe posição, nem críticas. Nunca na história do Brasil se jogou tanta sujeira por debaixo do tapete. A esquerda se faz de cega quando o chefe diz que nada está vendo.
Na outra ponta tem o artigo do doutor em Comunicação Carlos Alberto di Franco, edição de 25/01/2010, que travestido de liberal e defensor dos direitos humanos se arma até os dentes e usa a língua para blindar a elite conservadora. Condena o PNDH em todas suas linhas e diz que o presidente teve sua imagem estilhaçada porque retirou o bode da sala, mas deixou cobras venenosas. Digo que o recuo sim, foi vergonhoso e covarde.
O doutor defende com unhas e dentes o direito de propriedade. Que propriedade privada é essa conseguida na base da exploração, do roubo e da submissão a ferro imposto ao nosso sofrido povo? Condena ainda a regulação dos meios de comunicação.
Os países mais desenvolvidos têm suas normas de regulação para que a imprensa seja livre, mas não seja irresponsável e manipuladora. O que temos no Brasil é um monopólio familiar de grandes redes. Sem essa doutor de mídia independente e formadora de opinião. O que temos é uma degradação da opinião. Nem por pensamento, defendo aqui a censura e o assassinato da liberdade de expressão. O Sr. Di Franco ficou enfurecido porque o Programa quis erradicar os símbolos religiosos dos estabelecimentos públicos. Então, só vivemos num Estado laico de mentirinha. Aliás, tudo é uma mentira e os profetas dos direitos humanos são falsos. São coniventes quando se trata de defender seus exclusivos interesses. Não temos que impor religião, nem símbolos a ninguém. Trata-se de constrangimento e lavagem cerebral e ideológica.
Até hoje ainda temos que suportar o cheiro de enxofre vindo dos porões da ditadura. A Operação Bandeirante que financiou a ditadura para matar e torturar todos aqueles que foram contra o regime ainda não se acabou. A armadura da inquisição da Idade Média ainda está presente entre nós.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
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