segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

CHEFES DE FAMÍLIA DO BANCO DO POVO

Muitos dos 4.990 clientes que durante os últimos dez anos tomaram empréstimos na Instituição Comunitária de Crédito Conquista Solidária – Banco do Povo – como dona Valdíria Rocha Oliveira, moradora do bairro Alto Maron, começaram do zero e hoje ampliaram suas atividades, faturando até R$5.000,00 por mês.



Mais da metade dos tomadores são de mulheres e muitas delas são chefes de família como dona Dinamerita Rocha Farias, vendedora de confecções e moradora do bairro Kadija que depois do marido sofrer dois AVCs (Acidente Vascular Cerebral) teve que tomar conta da casa. Para ela, como a microempresária Valdíria, o dinheiro do Banco do Povo é tudo e é a saída para conquistar a independência financeira.




Quase 18 mil operações




Bazar, papelaria, bijuterias, vendedor de milho, de confecções, de cereais, de coco, bar e lanchonete, Lan House, fabricante de celas e arreios, pipoqueiro são, entre outros, os principais ramos de atividades atendidos pelo Banco do Povo que já realizou neste período quase 18 mil operações de crédito num volume de pouco mais de R$21 milhões.



As pessoas simples e informais das periferias de Vitória da Conquista falam da instituição como um porto seguro para seus pequenos negócios que não deu o peixe mais ensinou a pescar. Outra satisfação nos rostos das pessoas é a facilidade na hora de tomar o empréstimo e a taxa de juros em torno de 1% ao mês.



“Quando eu preciso vou lá e renovo o meu contrato, sem burocracia” – disse dona Maria Vilma Oliveira Dias, que tem um bar no bairro Patagônia, rua Santa Catarina, 415. Antes de procurar o Banco do Povo, muitos tomavam dinheiro na mão de agiotas e vivia sob pressão constante como bem revelou seu Gilberto Passos Santos, vendedor de milho verde e morador do bairro Ibirapuera, avenida Porto Velho, 102.



O Banco do Povo foi criado pela Prefeitura Municipal em abril de 2000 que doou R$150 mil e trabalha com diversos parceiros como BNDES, Desenbahia, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o Sebrae/Bahia que fez um empréstimo de R$300 mil e oferece cursos para pequenos negócios e capacitação gerencial, entre outras entidades do comércio e da indústria.


Chefes de família


Dona Dinamerita Rocha Farias, de 70 anos, vendedora de confecções, no bairro Kadija e na cidade vizinha de Itambé, fez seu primeiro empréstimo de R$500,00 logo que o Banco do Povo foi fundado e todo o ano renova seu contrato. O último foi de R$5.000,00, e em junho deste ano pretende tomar mais para manter seu negócio.



Ela conta que no início tinha uma pequena barraca de confecções e para não fechar sua atividade foi obrigada a tomar dinheiro na mão de agiota, coisa que mais nunca mais dona Dinamerita quer recorrer. Ela faz parte de um grupo solidário de quatro pessoas e lidera a organização para que ninguém deixe de saldar suas prestações.



De 2000 para cá, a vendedora de confecções passou por apertos como a doença do seu marido que sofreu dois AVCs. Há muitos anos que ela é chefe de família e sustenta sua casa com sua atividade. A microempresária recomenda que os clientes sejam corretos e paguem em dia suas dívidas.



Outra que tem caso parecido é dona Valdíria Rocha Oliveira, do bairro Alto Maron, rua Bahia, 77 que também começou como cliente em 2000. Aconteceu a mesma coisa com seu marido e ela hoje é chefe de família. Com a doença de seu esposo foi obrigada a parar sua atividade por uns tempos, mas não se esmoreceu e voltou a tomar dinheiro na instituição.



Hoje dona Valdíria faz bordados, doces e vai ampliar seu negócio com papelaria. Em abril quando o banco está completando dez anos a empresária que tem um bazar pretende tomar R$2.000,00. No seu ramo, ela chega a faturar por mês cerca de R$1.000,00.



Seu Gilberto Passos Santos, de 55 anos, do bairro Ibirapuera, vende milho verde e pamonha desde 1993 e logo que o banco abriu tomou R$500,00 através de um grupo de quatro pessoas. O último empréstimo foi de R$3.500,00.



Com seu pequeno negócio sustenta a família de quatro pessoas e já tem filho fazendo faculdade. Por mês ele chega a faturar entre R$2.000,00 a R$3.000,00. Além dos juros baixos, o vendedor Gilberto Passos aponta a facilidade de lidar com o banco como outra grande vantagem para o pequeno que não tem garantias.



O caso de dona Maria Vilma Oliveira Dias que também já é cliente desde 2000 é parecido com os outros clientes. Ela começou com R$300,00 e o último empréstimo foi de R$4.200,00, mais vai tomar mais R$5.000,00 ainda este ano. Hoje ela tem um bar, mas começou vendendo bijuterias numa barraca no centro da cidade. Sua renda gira em torno de R$5.000,00 e sustenta quatro pessoas.



O sr. Aurino Pereira dos Santos tem uma lanchonete há 11 anos no bairro Patagônia, na avenida Itabuna e é cliente do banco há seis anos. Segundo ele, a partir dos empréstimos sua atividade registrou um crescimento de mais de 80%. Ele já é considerado um cliente especial. Além do dinheiro, ele aproveita a estrutura do Sebrae para freqüentar cursos de pequenos negócios e capacitação gerencial, para melhor administrar seu negócio.



Como seu Aurino, o fabricante de celas e arreios para animais, seu Almiro de Souza Coutinho, da Urbis VI, é outro cliente do banco do Povo há muito tempo. Com mais de 20 anos de ofício, ele se diz satisfeito com o aumento das vendas.

Nenhum comentário: