terça-feira, 1 de dezembro de 2009

OS MASCATES DA CORRUPÇÃO




Tem corrupção pra todo mundo, com embalagens, marcas, siglas, formatos, com gostos, sabores e conteúdos diferentes. Dá pra todo mundo. Aproveitem a liquidação e os descontos promocionais. Tem falsificada, contrabandeada, pirateada, tipo paraguaia, chinesa e até original que é mais cara. Tem corrupção nas cuecas, nas meias, na bunda....

Em todos os cantos tem um mascate da corrupção oferecendo facilidades e vantagens. As imagens flagram o espetáculo e a destreza das mãos hábeis recebendo pacotes de dinheiro e fazendo sumir a dinheirama. A propina é para comprar pão e panetone para os pobres. É tempo de Natal. É tempo de sentimentos e caridade.

Os banqueiros estão satisfeitos contando seus lucros e navegando na usura do capital; os empreiteiros investem no “produtopina”, engordam suas doações eleitorais e aumentam suas apostas no superfaturamento; as bolsas de valores vendem papéis, especulam e ensinam como ganhar fácil; as grandes empresas recebem isenções fiscais, exploram seus empregados e fazem malabarismos sociais; os políticos estão se lixando para a opinião pública; as ONGs com caras de mães são nutridas pelo Estado e loteiam a pobreza; e a imprensa é a culpada de toda bandalheira.

Tem uma banda que se locupleta e aplaude o sistema, e outra que cala e fica quieta na moita. O MST recebe muita grana para fazer barulho e não cobrar a reforma agrária prometida; a União Nacional dos Estudantes (UNE) recebe recursos do Governo para fazer documentário (não realiza o projeto) e congressos em troca do apóio aos coronéis; 50 milhões de almas recebem o Bolsa Família para permanecerem na submissão da miséria e votarem no rei; os sindicatos se enroscam nos cargos públicos e se enfileiram nas patrulhas do linchamento ideológico cego e idiota com rótulos de marxistas; e tem os intelectuais que arrotam sabedoria acadêmica, mas, covardemente, fazem o voto do silêncio.

O proletariado forma a cauda cometa capitalista e se conforma com a ordem social existente. Ela gosta de ser tratada como coitada e alimenta o ego da esquerda burguesa. Os negros recebem umas cotas e umas políticas afirmativas de reservas de mercado e não se importam em ser tratados como incompetentes. Criam políticas racistas que se dividem em cores. Os professores viram provocadores de nada e os alunos continuam burros.

As multidões incham as cidades e esganam uns aos outros na corrida desenfreada da competição para adorar o deus dinheiro. O Natal começa a bombar e todos recebem a ordem suprema da propaganda capitalista para consumir cada vez mais. Os shoppings se entopem de porcarias inúteis e descartáveis. É fim de ano e todos correm desembestados para pagar dívidas e fazer outras. Ninguém se importa com as mortes e sofrimento nos corredores dos hospitais.

Todos vãos às compras e fazem filas nas máquinas registradoras. Os banquetes têm que ser fartos, e a luxúria é disputada a tapa. As roupas têm que ser brilhantes na passagem de ano. Os bares e restaurantes respiram a embriaguez e comelanças. Todos fazem planos para o carnaval e já falam da Copa de 2014. Muitos atendem ao apelo da doação e fazem uma caridade para salvar sua alma do inferno e enganar a consciência. Os carros travam os trânsitos e deixam a terra mais suja, mas continua sendo o desejo de cada um.

As operadoras de telefonia nos fazem de bestas e nos entopem de protocolos. Os concursos públicos são viciados, mas todos participam, mesmo sabendo que existem maracutaias. Não existem mais protestos. Lá se foram os direitos. Está tudo contaminado nesse céu de lixo do Brasil. O povo já se habituou com os contos e golpes dos vigaristas, sem reclamar.

Ninguém se importa se o planeta está pegando fogo quando se está em disputa o desfrute dos bens materiais. Os projetos adquirem o carimbo de economia sustentável e invadem as florestas. O povo não faz mais história.

A indiferença é a mãe do comodismo e ninguém quer saber de protestar contra a corrupção e os desmandos dos políticos. Todos fazem de conta que nada está acontecendo de horrível e hediondo na nossa terra. É o gesto de virar a cara e fazer de conta que não está vendo, nem havendo nada em seu redor.

Os crimes bárbaros passam e outros surgem com mais requinte de crueldade. O comodismo e o individualismo falam mais alto. A mídia nos diverte com baboseiras e chora lágrimas de sangue. O capitalismo aperta cada vez mais o cerco e as muralhas brotam da terra para dividir as tribos. Cada um se apega num falso deus para se salvar e se safar.

A Internet individualizou e colocou os interesses próprios acima do coletivo. A tecnologia do mais fácil e dos botões alienou gerações inteiras. Pelo menos ela está servindo para que eu diga isso.
Os sindicatos que aí estão não me representam mais. Essas entidades foram cooptadas pelo governo. Os exemplos são inúmeros de atrelamento, mas o mais gritante e revoltante é o caso do reajuste dos aposentados. Negociam dentro da vontade do poder. Antes de emprestar aos pobres, Lula joga uma moeda na cumbuca dos pobres. Condena o suposto golpe em Honduras, mas abraça e ajuda os ditadores e déspotas governantes de nações africanas.

O Lula faz a política de uma oferenda a Deus e outra para o diabo. Se rende às forças armadas e aos torturadores da ditadura, deixando-os impunes. Contraditoriamente do que pregava, se arrasta para agilizar a abertura dos arquivos que ainda restam do regime de chumbo. Faz pose de esquerdista enquanto massageia o capitalismo predador. Consegue a proeza de enganar a todos por muito tempo e jogar a sujeira debaixo do tapete. Continua sem ver nada como agora no caso do Arruda, do Distrito Federal.

Nos dias de hoje quando alguém faz um gesto de bondade é motivo para manchetes na imprensa que aproveita a miséria para angariar simpatias e mais umas boladas com a audiência.

A que ponto chegamos? Veja o caso do bebê encontrado em Salvador numa caixa de papelão. As ações e as atitudes deveriam ser encaradas como atos normais de seres humanos. Aqui e agora quando alguém é honesto vira herói nacional.

Os jovens e adultos histéricos correm aos cinemas do Lua Nova, do Crepúsculo, do Pequeno Príncipe e para os Fantasmas de Scrooge. O filé mignon atual são as obras que atravessam e que seduzem tanto crianças como adultos. Os livros mais vendidos são os de autoajuda. São peças chave do capitalismo contemporâneo.

Por fim, só queria dizer que não compactuou com esses cafajestes e mafiosos que têm a cara-de-pau e o cinismo de falar em diálogo para resolver os problemas de desmandos e usurpação do poder dos coronéis de plantão, como os Sarneys da vida dos quais não se comenta mais. Chega de conversa pra boi dormir. Chega de papo. Como disse Vandré: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.




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