Gostaria de oferecer minha humilde recomendação e passar a minha receita para quem está prestes a fazer uma reclamação numa operadora telefônica, especialmente se for da Oi. Antes de tudo tem que ser corajoso para cometer mais essa loucura. Vai começar a tortura.
Vocês já sabem que hoje é tudo feito através de uma secretária virtual que passa sua queixa para uma atendente de telemarketing, depois de desecar sua vida e entrar na sua privacidade, até sexual. Aí você escuta uma musiquinha torturante por uma ou mais hora.
E olha que existe uma “lei” para você ser atendido em cinco minutos!
Vamos lá. Meu conselho é o seguinte: Antes de partir para a empreitada suada e estafante, contrate um monge bem zen, de preferência um tibetano, para preparar sua mente. Uma secretária também é essencial.
Não deixe também de requisitar um psicólogo ou psiquiatra, para você não ficar maluco. Você pode precisar ser internado numa camisa-de-força e tomar calmantes fortes.
Ah! Ia me esquecendo. Veja também um cardiologista para controlar seus batimentos cardíacos e impedir que seu coração pare de uma vez, depois de passar tantas raivas. E por fim, chame uma ambulância do Samu que você pode precisar ser internado numa UTI de um hospital.
Depois disso tudo, reúna todos os documentos possíveis, inclusive certidão de nascimento, com caneta e papel para as anotações. Tome coragem e faça a primeira ligação. A secretária virtual vai lhe atender depois de alguns minutos (se tiver sorte) e colocar uma lista de opções com números e o que você deseja. Aperte o dois, o três, o quatro, o cinco, o seis e por aí vai.
Preste bem atenção senão ela diz, não entendi, e apaga tudo. Comece tudo de novo. Aí sua equipe entra em prontidão para lhe controlar, física e mentalmente. Os batimentos começam a se alterar. Seu coração bate forte.
Pode dar certo na segunda vez, e aí você passa para outra etapa com o atendente do outro lado. Já é um alívio, mas respire fundo que vem pauleira e bomba. Você vai esperar uns 10 a 15 minutos com um musiquinha zunindo no seu ouvido. Calma! Não entre em pânico!
Pronto! O serviço de telemarketing do outro lado lhe atendeu. Agora o bicho pega mesmo. Você dá todos seus dados novamente e faz sua bendita reclamação: cancelamento, contas a pagar, fatura indevida e outras, de acordo com seu caso, isso após um cansativo interrogatório da sua vida. Só faltam lhe perguntar se você é hetero, bisexual, homo, travesti ou outro bicho qualquer.
Se tiver sorte, o atendente manda você esperar enquanto abre o sistema. Aí, meu amigo, são mais trinta, quarenta e até uma hora com o telefone no ouvido. Você começa a suar e ter vontade de ir ao sanitário. Passe o telefone para a secretária.
Na volta vai continuar a ouvir centenas de vezes a frase: “Espere um momento”. Depois de muito tempo a pessoa do outro lado do além lhe passa um protocolo. A esta altura você já tem uns quatro ou cinco anotados. Não termina aí porque mandam você voltar a ligar dentro de 48 horas para dar “solução” à sua reclamação.
Se tiver outra queixa com a mesma Operadora, mas referente a Internet, no caso específico da Oi Velox, a voz do além dá um número e manda você ligar para a Provedora. Aí você acaba aquele tormento e entro em outro.
Acontece que o número é exclusivo da Central de Vendas. Estão querendo lhe empurrar alguma coisa de planos. O sangue sobe e os batimentos cardíacos estouram.
Não pode ser grosso e indelicado, nem soltar palavrão. Tem que ter alto controle e ser bem delicado para, pelo menos, ser atendido.
Não adianta entrar em pânico. Se você for persistente e duro na queda, volta a ligar para o número anterior. Outra pessoa lhe atende e pede tudo de novo. Você procura dizer que já foi atendido e até se arrisca em dar o número do protocolo.
Para seu espanto, a “voz do além” vai lhe dizer que não tem nenhum registro anotado da sua chamada. Sem vestígios, sem rastros. Você está mesmo ferrado, cara, e passa por mentiroso, senil e caduco. Você estava vendo miragem no deserto. A coisa fica feia. Aí mandam você anotar outro protocolo e dão outro número para você ligar.
Uma hora de batalha e como você já se encontra esgotado, no limite máximo suportável, a equipe médica e o monge budista mandam você parar, ou acionam a ambulância de socorro. Não tem final feliz nessa história. Sob tortura, você termina confessando que está errado.
Fui fazer esse trabalho sozinho e por pouco não estaria mais aqui para contar essa proeza maluca. Ninguém para apelar. Ninguém para reclamar. Nem Bispo, nem Papa e nem delegado. E agora José? Pergunta ao poeta.
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