Enquanto o Brasil dá um passo à frente, os outros países do mesmo nível de desenvolvimento dão três passos adiante e encostam mais rápido entre os mais ricos.
A média de escolaridade dos brasileiros de sete anos se equipara aos países pobres. Os sinais de avanço são tímidos e lentos como no ritmo de um cágado pesado, e como da mobilização de uma preguiça.
E como vão ser os próximos anos da Copa do Mundo e das Olimpíadas? O que será da nossa educação nas salas de aula e da nossa saúde nos corredores dos hospitais?
O negócio é mesmo comemorar, abrindo vinhos e champagnes e gritando bem alto que não somos mais subdesenvolvidos ou emergentes. Todos estão orgulhosos e vibrando com a vitória contra os Estados Unidos, Japão e Espanha cujas populações estavam frias para sediar as Olimpíadas. A medalha de ouro é nossa, gente! O imbecil sou eu. Sou desprovido de emoção.
Acorda, Brasil! Corra camarada, porque o predador está atrasa de nós! Eu participo, nós participamos e eles lucram. Não é assim que funciona o sistema?
Dos 182 países listados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano, o Brasil está no deprimente 75º lugar em qualidade de vida. A expectativa de vida, por sinal, caiu para a 81ª posição.
Nosso povo está anestesiado e não consegue acordar para refletir. Desaprendemos a lição e perdemos a hora. Contentamos-nos com o circo.
Cada vez mais engrossa o arrastão da insensatez, das mazelas, da irresponsabilidade, da incompetência, das vaidades do poder e da mídia sensacionalista e oportunista.
Aliás, a grande mídia está rindo e já está fazendo as contas de quanto vai ganhar nessas competições internacionais. Empurram-nos o grotesco, usando a arma da manipulação já que o conhecimento é uma jóia rara.
Por que as riquezas do Brasil não se traduzem, nem se reproduzem em melhorias de políticas públicas sociais? O crescimento econômico não tem revertido em benefício para tirar os mais pobres do atraso e da exclusão.
A redução das desigualdades sociais é vagarosa, mas as pessoas não estão nem aí para essa tal concentração de renda. É como não se tivesse nada a ver com isso.
Elas estão envolvidas demais com seus prazeres pessoais consumistas em adquirir um celular novo ou um carro zero quilômetro. O resto não importa. É só fazer uma caridade e tudo está resolvido.
Temos exemplos bem perto de nós, do outro lado onde moramos, nas ruas, nos nossos bairros, no nosso quintal, mas recusamos em ver o que se passa.
O município de Vitória da Conquista, o terceiro maior do Estado, não conseguiu apresentar os indicadores necessários para receber a certificação Selo Município Aprovado do Unicef que cuida do bem-estar das crianças. O mesmo ocorreu em Feira de Santana e Jequié.
Já em Brumado, a mortalidade infantil entre 2004 e 2008 caiu de 27,1% para 13,7%. Nesse período ocorreu um aumento de 17,5% no atendimento de mulheres grávidas. A desnutrição, na faixa de até dois anos de idade, baixou de 7,6% para 3%.
Enquanto isso, os políticos e os governantes continuam famintos pelo poder para manter suas mordomias e seus interesses capitalistas coronelistas. Colocam-nos, ilusoriamente, no clube dos grandes para nos fazer sentir orgulhosos. Um povo alienado é um povo dominado. Acorda, Brasil!
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