sábado, 25 de julho de 2009

PARAÍSO DA PIRATARIA

Do centro da cidade nas adjacências da praça Barão do Rio Branco à Feira do Paraguai, no bairro do Sumaré, Vitória da Conquista virou o reino e o paraíso da pirataria de CDs e DVDs, além do Jôgo do Bicho. Sabemos que é um grande problema social de pessoas desempregadas que estão tentando ganhar uns trocados para sobreviver, mas são ilícitos que acarretam prejuízos maiores na economia e provocam o fechamento de lojas legalizadas que trabalham pagando impostos.
As autoridades são as maiores culpadas porque fazem vistas grossas para o problema e se acomodam no sentido de encontrar alternativas de trabalho para essas pessoas. A solução requer um conjunto de esforços nas esferas federal, estadual e municipal. Enquanto não se oferece uma saída, as ruas invadidas por ambulantes de CDs e DVDs passam uma imagem negativa e de desmando para a cidade.
A coisa de avolumou de uma forma que é difícil encontrar em Conquista uma loja de produtos originais e de vendas regulares. É bom que se diga que a pirataria em Conquista não é somente de CDs e DVDs. Existe muito contrabando de outros produtos, e uma rede criminosa de copiadores de músicas e filmes. As polícias, civil, militar e federal sabem muito bem onde elas funcionam em forma de quadrilhas. Por que não fecham?
Embora com maior visibilidade em Conquista, a pirataria tornou-se um comércio legal e normal nas grandes cidades do país. Em nossa Salvador, por exemplo, uma queda de 40% no mercado de aluguel de DVDs levou ao fechamento de mais de 600 videolocadoras. O número dessas lojas, estimado em 700 há dois anos, passou para apenas 30. Não existem dados precisos com relação a Conquista, mas, em termos proporcionais, este índice pode ser bem mais alto por aqui.
No âmbito nacional, das 12 mil lojas abertas em 2007 só existem hoje três mil que sobreviveram à ação dos piratas, mas a tendência é cair mais ainda. O setor que já empregou 75 mil pessoas no Brasil, hoje emprega cerca vde 22 mil. Se as locadoras em Salvador lançavam 180 DVS por mês, hoje não ultrapassa 50. Em Conquista se você quiser um lançamento original, tem que fazer um pedido fora.
A pirataria hoje concorre com os filmes que estreiam nos cinemas, inclusive os baixados através da Internet. Uma cidade como Conquista, terra de Glauber Rocha, não existe mais um cinema no centro da cidade. O último que fechou foi o Madrigal. Por outro lado, a grande maioria das videolocadoras que conseguiu sobreviver aluga DVDs piratas. Pelo que se sabe, só existe um estabelecimento que trabalha com filmes originais.
Em Salvador, muitas empresas estão investindo em filmes evangélicos, tendo em vista que ainda é um segmento que a pirataria não se interessou. Como no Brasil a corrupção virou uma prática normal, ninguém dá importância para o problema e todos compram produtos piratas, contribuindo mais ainda com a sujeira e a sonegação de impostos.
Se o governo federal não toma uma providência para reduzir os impostos das gravadoras e combater a pirataria, as auotoridades policiais não estão nem aí. Aliás, boa parte da polícia leva sua comissão por fora para deixar a coisa rolar, como acontece em Conquista. Uma das formas de contornar o problema seria baixar os preços dos CDs e DVDs, tornando-os acessíveis para as pessoas que valorizam a cultura.

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