O velho e cansado vaqueiro das catingas do sertão de Curaça, na Bahia, contou ao repórter que ainda não conseguiu se aposentar porque não sabe mentir e não vai fazer isso nunca em vida. É que sua profissão não é reconhecida pelo Ministério do Trabalho (tem um projeto parado nas gavetas do Senado), e o homem que passou toda sua vida rasgando o sertão colorento atrás de rezes nas fazendas, de gibão e perneiras, não pode receber sua recompensa depois de tantos anos de labuta. Já disseram para ele mentir e afirmar que é produtor rural, mas o catingueiro de couro tem vergonha de fazer isso; não consegue ser cara de pau como muitos por aí.
Oh ministra Dilma Rousseff! Faça como o vaqueiro e não falsifique seu curriculum, dizendo que tem mestrado e doutorado em economia monetária e financeira pela Unicamp. Mas não, caros amigos, não foi ela quem fez isso. Foi um fantasma da meia noite que saiu das sombras tenebrosas e praticou este ato secreto, alterando sua biografia. Sarney! Pare de mentir e siga o exemplo do vaqueiro.
Como seria bom para nós se os políticos lá de Brasília aprendessem a lição e fizessem como o vaqueiro de Curaça! Mas não, o que eles mais fazem é mentir, mentir e mentir para a Nação. Não contentes, passam a mão no dinheiro que poderia ser usado para amparar o vaqueiro que não tem nenhum lobista, como os mototaxistas e motoboys, para fazer aprovar o projeto de reconhecimento do seu trabalho diário entre espinhos, garranchos, seca, poeira e fome. No lugar, o Senado arma maracutais e faz patifarias.
Cada dia surge um escândalo do moribondo senador presidente da Casa. Desta vez são as irregularidades de desvios de verbas praticadas pela Fundação que recebe seu nome. Por falar nisso, escolas, parques, jardins, rodoviária, forum, ruas, avenidas, salas, museus, teatros, pontes e cidades levam o nome da família Sarney no Maranhão, o Estado mais atrasado do Brasil.
Com relação ao Senado, lá estão eles mais uma vez nos enrolando com medidas a conta-gôta, ou na base do pinga-pinga. Com isso, estão tentando deixar o Senado mais sarado. Transparente para suas excelências, como disse Jô Soares em seu programa, é "traz parente". Estão falando em cortar 2.400 servidores dos quase 10 mil existentes. Além de ser pouco, essas demissões não vão se efetivar.
Dos 663 atos secrestos, fala-se que houve nesta semana uma segunda revogação que concedia aumento de gratificação para um grupo de 40 chefes de gabinetes das secretarias. O primeiro ato anulado se refere ao auxílio-médico vitalício aos diretores-gerais e aos secretários-gerais da Mesa. Também dizem que revogaram a decisão que elevou para R$20,00 o auxílio-alimentação de 3.500 funcionários, o que consumia por mês R$2,1 milhões. Outra medida é unificar as contas paralelas. Tudo isso depois de cinco meses de crise que Lula diz que não existe.
De horas extras metirosas, a Casa pagou em junho a quantia de R$4,3 milhões, contra R$4,9 milhões em maio. Mais lamentável ainda é o papel que vem fazendo o PT. Uma hora pede o afastamento do coronel do Maranhão, José Sarney. Toma um pito do presidente Lula e volta atrás. Esta semana divulga uma nota em que fala de afastamento temporário. No texto cita que a Casa vive momento de crise, mas seu chefe Lula diz que não. Não dá para acreditar. Por que não aprendem com o vaqueiro de Curaça?
Tudo é feita no sentido de contornar a situação e acomodar os interesses. O que eles estão fazendo é colocar meia-sola num sapato velho. A estrutura é viciada e obsoleta. Abrem processos investigativos. Não existe nada para investigar se tudo foi feito de forma ilegal e inconstitucional. Tem que anular todos os atos secretos e exigir a devolução dos recursos de quem recebeu.
Oswaldo Aranha disse certa vez que o Brasil é um deserto de homens e de idéias. É por essas e outras que o país está até recebendo lixo dos países desenvolvidos. O Congresso é símbolo do maquivalismo mais cínico.
Se for feito hoje um plebiscito popular, a maioria votaria a favor de se acabar com o Senado. É uma escolha perigosa para a democracia, mas são os senhores parlamentares que estão levando o povo a pensar dessa maneira. Com tantas bandalheiras, tem muita gente que prefere a ditadura. Reflitam o que eles estão fazendo com o país. Estão levando a Nação ao precipício.
Saiu um comentário no programa de Jô Soares de quarta-feira de que o povo não está apático, tomando-se como parâmetro os milhões de e-mails enviados contra as sujeiras do Senado, sem contar o uso de outras ferramentas da Internet, como o Orkut, Twitter e Blogs como forma de manifestação.
Sinceramente, não analiso assim. É muito cômodo sentar na mesa de um escritório ou na de sua casa e mandar uma mensagem do seu computador contra Sarney e o Congresso em geral. Se eles estão mandando todo mundo se lixar, acham que estão dando importância para esses milhões de e-mails? Para isso existe a tecla delete. E é o que fazem. Nos chamam de palhaço e idiotas.
Essas ferramentas são importantes para convocar as pessoas para protestarem nas ruas. No mundo todo, a Internet está sendo utilizada para este fim. Essa nova tecnologia é um processo que agiliza as ações de protesto em tempo real. Sem a presença das pessoas nas ruas, tudo continua como Dantes no Quartel de Abrantes, como acontece no Brasil.
Observem o que ocorre no Irã, em Honduras, Bolívia, China, Tibete, na Alemanha, na França e outros países. Os e-mails não vão substituir nunca as manifestações do povo nas praças e avenidas. Não bastam os protestos virtuais. Pesa muito mais 10 mil pessoas nas ruas que milhões de e-mails.
No caso dos jornalistas foi assim. Enquanto ficaram o tempo todo contestando e trocando idéias pela Internet, o Supremo suspendu a obrigatoriedade dio diploma. Além do comodismo e da subserviência, o individualismo é uma marca da nossa sociedade. Não ligamos mais para as mentiras dos deputados e dos senadores. Condenamos a atitude do vaqueiro de Curaça e preferimos fazer de conta que toda sujeira não é conosco.
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