Depois de longas discussões com amigos de botequins sobre as mazelas do Brasil e outras coisas mais, como papos de machistas, literatura e recordações da geração 60 e 70, andei pensando neste final de semana e encontrei uma solução definitiva para acabar de uma vez com essa birra da imprensa contra o Senado. É só o presidente maribondo, coronel do Maranhão, baixar um ato – não precisa ser secreto – determinando que está superada de uma vez por todas a crise do Senado. Pronto, ninguém fala mais nisso.
Parece até que houve uma telepatia de pensamento. Depois de achar essa solução, o Governo Lula deu uma pista e mandou seu porta-voz anunciar que a crise está superada. Fiquei espantado porque até poucos dias o presidente da República respondeu para os repórteres que não havia crise nenhuma. Foi um equívoco. Agora colocou os pingos nos “is”.
Será que estou ficando gagá, ou “lelé da cuca”? É que está tudo confuso e embaçado. É que não tenho mais pique como nos velhos tempos de boemia quando ficava até altas horas da madrugada nas mesas dos bares, discutindo filosofia e resolvendo os problemas econômicos, sociais e políticos do país e do mundo.
Demorou para eu achar uma saída. Por isso, exijo que meu nome seja divulgado no Planalto, com honrarias e medalhas por ter encontrado a pedra filosofal da sabedoria e decifrado o enigma de tão complicado teorema. O ato de utilidade pública é por tempo indeterminado.
Com essa solução, não precisa mais o PT ficar preocupado e ter medo de ser desmoralizado, e estão assegurados a governabilidade e o poder. Não há mais necessidade de se engolir sapos e não haverá problemas nas urnas. Como disse o presidente do partido, Ricardo Berzoeni, o povão nem está aí mesmo!
Com o decreto, declarando que a crise está totalmente superada e não se fala mais nisso, sob pena da pessoa que tocar no assunto ser enforcada ou levada à guilhotina, acabam-se as patifarias da Fundação Sarney; as mentiras dele não serão mais consideradas como falta de decoro (um lapso de memória); e sua mansão de R$4 milhões passa a ser uma casinha doada pelos seus inestimáveis serviços prestados à Nação.
Quanto ao emprego de parentes e outros benefícios recebidos, temos que reconhecer que o homem não é comum e, portanto, merece tratamento especial, com direito a proteger sua pobre família que veio de lá do Nordeste escorraçada pela seca e tangida pelos coronéis.
Afinal de contas, o clã demonstrou ser astuto e ser contorcionista, se saindo muito bem nos momentos mais difíceis da política brasileira. Não é coisa para todo mundo. Só mesmo para imortal.
No meu argumento como advogado de defesa, digo ainda que o maribondo Sarney e sua família foram vítimas desse sistema cruel de língua afiada que só sabe julgar e condenar, sem antes avaliar suas condutas e boas intenções. Portanto, não há dúvida que esse povo avarento e invejoso está errado e é o maior culpado dessas maledicências e impropérios contra sua pessoa, tão doce e generosa.
Por sua vez, o Senado sob seu comando, não é nenhuma Casa dos Horrores, como caluniou um jornalista da mídia estrangeira. É uma Casa de senhores dignos de respeito que trabalham dia e noite, numa labuta sangrenta e incessante pela ética e pela honestidade. Ademais, ganham pouco e ainda tiram dinheiro de seus próprios bolsos para obras sociais.
A mídia é tendenciosa e deve ser levada como ré aos tribunais por ter armado todo esse circo, contado mentiras e difamado os representantes do povo, escolhidos por pessoas sábias e com alto grau de conscientização política.
No mais, é papo de botequins e de bêbados que não têm nada para fazer. Merecem ser presos e esquartejados em público para que sirvam de exemplos para outros desocupados que ficam por aí abrindo a boca e soltando besteiras pelas ventas.
Depois desse decreto de que a crise está superada, esses “bebuns” vão ficar sem assunto e com a cara passada de vergonha. Quero ver agora esses caras ficarem até altas horas da madrugada, enchendo a paciência dos outros e contando lorotas. As esposas vão ter mais tranqüilidades e paz porque vão passar a chegar em casa mais cedo. Não vão precisar mais inventar mentiras.
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