domingo, 19 de julho de 2009

COMPANHEIROS DE FRALDAS

Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão. Assim dizia o escritor português Eça de Queirós lá pelo final do século XIX. A frase se aplica muito bem ao Brasil de hoje. Não é preciso interpretar o que ele quis falar com isso. Aqui as fraldas não são trocadas há séculos. Daí toda essa fedentina que dá vômitos. Eles hoje são todos aliados, grandes companheiros da sujeira.



Naquela época, o velho Eça, escritor dos clássicos de “O Crime do Padre Amaro” (1870/74), “Primo Basílio” (1878), “Os Maias” (1887/88) e “A Ilustre Casa de Ramires”, já denunciava as mazelas dos políticos governantes e o farisaísmo da sociedade burguesa de Portugal. Conterrâneo de Antero Quental e de Guerra Junqueira, o escritor realista não poderia ser mais direto no seu recado.



Há quase trinta anos, o tratamento companheiro entre os membros do PT, sob a batuta de Lula, servia para separar e diferenciar pessoas sérias e éticas de outras conservadoras, direitistas e corruptas. Passou o tempo sem mudar as fraldas, e a mistura transformou todos em grandes companheiros, sem distinção. Pelo desgaste, poderia mudar o termo para camaradas. Não importa, daria no mesmo.

Mas, existe mais mistério entre o céu e o inferno do que a minha vã filosofia. Estamos sendo devorados pelos espíritos malignos que se alimentam de carnes humanas. Os deuses conspiram, e nosso povo vive de delírios, confundindo vozes de anjos com alaridos de lobos raivosos e famintos.

No Senado, Jader Barbalho, Antônio Carlos Magalhães - ACM (já se foi), Renan Calheiros e José Sarney (três vezes presidente) formaram e ainda formam, não a trindade, mas o quadrante do mal com pontas afiadas e satânicas. A Casa e todo Congresso continuam com as mesmas fraldas emporcalhadas de fezes.

Inimigos de ontem do PT de Lula, hoje todos são venerados como companheiros pizzaiolos que usam a mesma cozinha e o mesmo forno para preparar e aquecer a massa. Existem farpas e xingamentos, mas todos sentam-se à mesa do banquete quando se fala em cortar o cardápio.

Depois da era de chumbo da ditadura militar, Collor de Melo pegou estrada com Lula nas eleições de 1989. Para vencer, se despiu da decência e da moralidade. Apresentou em público uma filha escondida fora do casamento do adversário que arrotava ideologias.

O fato abalou o meloso e ingênuo sentimentalismo do brasileiro moralista, indolente e acomodado. Já na presidência, instituiu as pajelanças na Casa da Dinda e foi alvo de cassação, no inglês impeachment. Sua senha com o PC Farias revelou suas inúmeras falcatruas.

Retorna ao Senado nos braços do povo que adora pagar amantes de seus representantes. Reforça agora a tropa de choque dos coronéis de fraldas cheias de “merda”. Hoje os dois são companheiros de viagem e de abraços calorosos. Collor recebe de Lula rasgos de elogios, estendidos ao outro companheiro Renan “Boi de Ouro” que banca mordomias da amante e filho com cambalachos.

Tem razão o presidente da República quando diz que o mundo de Brasília não é um mundo real. Mas não é mesmo. É o mundo dos feiticeiros e dos mágicos mentirosos. Sobre pizzaiolos, o senador Álvaro Dias rebate de que o presidente não tem moral para criticar. Nem um, nem o outro. E quem é o maior pizzaiolo da fábrica de pizzas deterioradas?

Do túmulo maligno de um cemitério abandonado há milhares de anos ressurge dos mortos uma coisa carcomida, deformada e horrível de nome Paulo Duque, para comandar um tal Conselho dos Cínicos. Sua primeira ejaculação é de que nada mais vale a opinião pública. Realmente ela não é contra, nem a favor. Como sádicos, eles esporram suas excrescências em nossas caras todos os dias e não reagimos.

Finalmente aparece no Congresso um grupo solitário de universitários, mostrando pizzas em referência ao que Lula falou. Mais parece um despacho de encruzilhada. Ninguém avisou para eles quem é o chefe que dá cobertura aos pizzaiolos? É um quadro de fazer pena pela falta de conscientização política, ou é uma encomenda dos pelegos.

Grampos provam que Sarney é o cabeça dos atos secretos. Que novidade! Sempre soube que o maribondo do Maranhão superava Maluf em astúcia e desfaçatez. Sarney e sua família já têm antecedentes criminais desde o início dos anos 80. Sempre se safaram através da política e dos arquivamentos dos processos pela Justiça.
Sarney quando foi presidente (1985/90), por acaso, saiu distribuindo concessões de rádios e emissoras de televisão na compra de votos para ficar cinco anos na presidência. Sua filha Roseane Sarney deu um tombo de mais de um milhão de reais na Sudam. Desde aquela época o ministro Gilmar Mendes, o homem do Habeas Corpus, mandou arquivar as acusações contra Sarney e família. Sempre ele, blindando a elite. Imagine um homem desse na época da ditadura militar!
Já o nosso parlamento é um emaranhado mitológico tupiniquim repleto de fantasmas e criaturas estranhas. É um imaginário fértil de crendices, cheio de causos e estórias.


BRASÍLIA E A BAKU RUSSA


O Congresso é o templo de anjos da morte e de lobisomens, disfarçados de curupiras que andam pra frente, mas com os pés para trás. Está infestado também de cobras venenosas que mamam no peito de uma mulher, enquanto os filhos raquíticos dessa senhora sugam os rabos das peçonhentas.

Brasília é como a Baku russa do final do século XIX e início do século XX onde Stalin mais intensificou sua revolução como gângster, assaltante, matador, assassino e pirata dos mares. Como Baku de origem sueca – hoje Azerbaijão – Brasília é uma cidade de libertinagem, despotismo e extravagâncias.

É uma zona de fumaças e sombras como descrevia a Baku de Stalin, o escritor Simon Sebag. É como um castelo medieval cheio de almas do outro mundo onde portas, janelas e gavetas se abrem sozinhas. É um território de terrores numa noite escura de tempestades com trovões e relâmpagos assustadores.

Baku era o lugar mais perigoso da Rússia revolucionária, como Brasília é hoje o lugar mais perigoso do Brasil. Não é a Baku Reino do Petróleo, mas é o Reino da Corrupção. Lá como aqui foi criada por uma dinastia. Aqui temos os Rothschilds da exploração e dos roubos.

O luxo bárbaro de Brasília enche os jornais de escândalos, inclusive do mundo. Cada barão tem seu palácio folheado a ouro, em forma de baralho ou em corpo de dragão. Os palácios são utilizados como quartéis para lavagem de dinheiro público e armação das piores patifarias.

Brasília fez do Brasil um caldeirão de miséria e de riquezas. Como lá em Baku, temos aqui as Cidades Negra e Branca, cheias de detritos poluídos, cães estripados, carne podre e fezes.

Stalin que fez sua revolução socialista totalitária na base da chantagem e da extorsão contra a elite burguesa, praticando também o jogo dela, inclusive como pistoleiro, afirmava que Baku era irreprimível, especialmente corrupta. Tudo era justificável em nome do poder revolucionário. Para ele, política é um negócio sujo e “todos nós fazemos trabalho sujo para a Revolução”.

Fala-se que em Baku só havia dez homens honestos em toda cidade. Um era o sueco - o sr. Nobel que começou sua fortuna vendendo minas terrestres para o czar Nicolau I. Dos outros nove, um era armênio e oito tártaros. Será que existem dez homens honestos em Brasília?

O escritor Essad Bey comentava que Baku não era diferente do Oeste Selvagem e sempre estava cheia de bandidos e assaltantes. Foi na Baku que Stalin prosperou e se tornou líder revolucionário e criminoso no Reino do Petróleo, enfrentando mencheviques e bolcheviques direitistas.

Brasília também pode ser comparada como uma Arena do Império Romano onde nela vagam os fantasmas dos militares torturadores. A oligarquia arma o espetáculo, e o povo aplaude a luta dos escravos gladiadores contra os leões e as armadilhas das correntes.

Os magnatas e os barões de Brasília se sentem injustiçados, como o coronel Sarney do Maranhão que cita e se compara ao filósofo Lúcio Séneca, ao dizer que para combater as injustiças o melhor que se faz é ficar em silêncio; ter paciência; e esperar pelo tempo. Mas, injustiçado mesmo é o povo que está em silêncio e com paciência há muitos anos.

Quanto ao tempo, este poderá se encarregar de destruir o templo e transformá-lo em pó como aconteceu em Jerusalém com a invasão dos Babilônios. Em Baku, a elite encheu as burras de dinheiro, mas também foi eliminada.

Quem sabe se Deus não perde a paciência e manda descer um anjo para ver se ainda existem honestos em Brasília? O anjo de alma generosa quer salvar Brasília, como tentou com Sodoma e Gamorra, mas Deus com sua ira implacável, ordenou descer um fogo dos céus e acabar com toda orgia, ganância e luxúria.






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