sábado, 10 de janeiro de 2009

OS PREDADORES

Começou a temporada de denúncias dos novos prefeitos contra os desmandos praticados por aqueles que deixaram o cargo e perderam as últimas eleições de outubro. Lembro que há quatro anos fiz o mesmo comentário no Jornal Sudoeste, de Brumado, sobre o mesmo assunto. Dentro de mais quatro anos vamos assistir ao mesmo filme sobre os predadores das prefeituras municipais e, são muitos desses que estão denunciando hoje que serão denunciados amanhã.

Com a Justiça lenta para julgar os processos e as inúmeras apelações, esses prefeitos que acham que são donos da coisa pública, sabem que não existe Lei de Responsabilidade Fiscal que resista. De acordo com reportagens que circularam na imprensa da capital nesta semana, os prefeitos corruptos estão praticando a política da “terra arrasada”, conhecida como a “herança maldita”.

Nessa ordem, teve prefeito, como no município de Almadina, na Bahia, que encontrou uma cobra coral venenosa dentro do gabinete. A bicha, ou o bicho já estava armado para dar o bote. O animal foi usado como se fosse um pistoleiro. Em pleno século XXI com uma política anacrônica, velhaca e conservadora de interesses de todos os partidos, continuamos com o cheiro nojento do coronelismo dos séculos passados.

Cofres vazios, dívidas, máquina pública sucateada, armários vazios, hospitais sem condições de funcionamento, lixo nas ruas, servidores com salários atrasados, arquivos e documentos queimados são os atos de vandalismo mais comuns deixados pelos perdedores predadores aos seus adversários políticos vencedores. O pior de tudo é que muitos desses adversários de hoje repetem a mesma cena quando perdem. Aí passam novamente a ser denunciados.

“Pense num absurdo, a Bahia tem um precedente” – dizia o ex-governador Otávio Mangabeira, para se referir aos fatos inimagináveis. Mas, Mangabeira estava enganado porque isso não acontece somente na Bahia. Ocorre, principalmente, no Nordeste, e em muitos cantos do Brasil. A promotoria da Justiça Eleitoral da Bahia reconhece que a política da terra arrasada é comum há muito tempo em prefeituras da Bahia e dos estados nordestinos.

A promotoria recomenda que os novos prefeitos que se sentirem prejudicados denunciem os atos de improbidade administrativa, mesmo admitindo que a Justiça seja lenta. As punições dos responsáveis demoram de ser efetivadas. Por outro lado, quando se trata de um correligionário que praticou as falcatruas na administração anterior, o novo prefeito procura abafar os escândalos e, mais uma vez, o povo que se dane.

Por enquanto estão sendo denunciados os casos de Almadina, Serrolândia, Santa Cruz Cabrália, Sobradinho e Muritiba, mas tem muito mais por aí, inclusive aqui na nossa região do Sudoeste. Lembro ter feito há anos muitas reportagens sobre o tema tão deplorável, e isso durante meus mais de 30 anos de prática jornalística.

Mas, passando de uma questão para outra, sem fugir, no entanto, da política das mazelas neste país de roedores onde cada um procura usar seus dentes afiados, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Corporativista, acaba de aprovar mudança na resolução sobre o teto remuneratório dos servidores públicos, o que permite aos trabalhadores do Judiciário e de outros poderes receberem acima do teto de R$24 mil. É a volta dos chamados marajás que o Fernando Collor prometeu acabar.

A Câmara dos Deputados liberou geral para os chefes de cargos do Legislativo, e tome gratificações sobre gratificações. É uma verdadeira orgia com o dinheiro público. Enquanto isso, eles brigam no Congresso para serem presidentes das Mesas Diretoras. Ninguém quer saber de Reforma Política. Para todos os partidos conluiados com o mesmo esquema, da forma como está, está bom demais.

Na outra ponta, o Supremo Tribunal Federal efetuou a compra de 55 aparelhos telefônicos criptografados no valor de R$380 mil. Os aparelhos dificultam a instalação de grampos e a gravação de conversas. Há pouco tempo, o Judiciário Baiano tentou comprar tapetes persas. É uma verdadeira devassa; é muito desperdício e dinheiro indo para o ralo. Verdadeiramente, o Brasil é uma terra arrasada pelos predadores.

Nenhum comentário: