Vou contar uma historinha simples sobre essa intriga de séculos entre árabes palestinos e os filhos de Judá. Depois cada um tira a sua conclusão pessoal. Você mora com seu primo de descendência de Abraão numa mesma casa de seis quartos que acomodam os familiares de ambos. A vida não é uma maravilha, e as brigas entre os parentes sempre acontecem, mas nada que não se possa contornar.
Um belo dia chega um inimigo truculento e invade sua casa, colocando regras e fazendo a todos de escravos. Sua vida e a do seu primo viram um inferno. Por mais que se lute bravamente não se consegue expulsar o invasor. Seu primo, então, reúne seus familiares e parte para outras terras distantes.
Você fica na casa, conhecida como Palestina, sendo sufocado, perseguido, torturado e com suas liberdades limitadas. No exterior, seu primo e familiares perambulam por anos em territórios estranhos, também sofrendo os piores traumas da vida, expulsos de lugar em lugar, mas sempre se organizando para um dia voltar.
Podemos começar essa historinha no ano 332 Antes de Cristo quando Alexandre Magno ocupou a Judéia (sua casa e de seu primo). Mas, durante séculos e séculos, Antes e Depois de Cristo sua morada teve vários inimigos dominantes. Foi livre em 140 AC e alguns primos de gerações passadas se fixaram em sua casa.
No entanto, o grosso da família permaneceu espalhada pelo mundo, nos países da Europa, Ásia, África e Estados Unidos, sendo escorraçada na maioria dos lugares aonde chegou. O primo viveu de casa em casa alheia e boa parte de seus descendentes foi exterminada pela política de um ditador sanguinário na Alemanha, nos idos de 1939 a 1945 da Era Cristã.
Apesar de todos os contratempos, altos e baixos na história, o primo resistiu e se tornou rico, poderoso e forte, inclusive com ajuda de amigos endinheirados. Um dia, resolveu em massa fazer o retorno para casa do antigo primo e expulsar o inimigo na base da força e do terror, sofrido por ele durante séculos pelo mundo.
Para se apossar de sua parte na casa, que reivindicou como de seu legítimo direito, o primo usou de todos os meios possíveis, inclusive do apoio de uma organização chamada de ONU. Na partilha da Palestina, em 1948 ele ficou justamente com a parte histórica.
Não satisfeito com os três quartos, ele quis mais e começou a lhe espremer e a lhe esmagar pelo canto. Fez acordos com poderosos, conseguiu armamentos e foi empurrando o primo pobre, limitando as entradas da residência. Levantou uma barreira de muro para impedir o acesso de alimentos, remédios e outros produtos de sua necessidade.
Você nunca engoliu e aceitou a volta do primo e seus familiares que por anos estiveram ausentes. Mais ainda a formou como chegaram e se apoderaram do seu lugar. Você entende que eles não têm mais direito na casa.
Ai reage como pode com armas, perturbando e não deixando que ele durma em paz. O clima de brigas, mortes e assassinatos esquenta entre eles, mas o primo forte sempre leva a melhor. Não suportando mais tantos sofrimentos, parte de seus parentes constituídos resolveu partir como refugiados para outras terras, como ocorreu com os familiares do primo em épocas passadas.
Como, então, resolver essa questão da partilha na casa, com tanta desunião e desavenças? O primo teve e tem aliados potenciais e conseguiu enriquecer. Já seu povo foi relegado á miséria e, para atacar o primo, faz contrabandos e se esforça como pode para manter sua área na casa. Além do mais, é discriminado e tido como incapaz para desenvolver e progredir.
O primo cresceu e sua gente está cada vez mais se expandindo, precisando de mais terras. Sabe que precisa de mais espaço para continuar prosperando. Sua intenção, na verdade, é tomar toda casa para si.
As tensões aumentam e a carnificina é chocante. Seus familiares, inclusive crianças e idosos, estão sendo exterminados. O primo agora se considera o Todo-Poderoso e passa por cima das leis e normas. Decreta guerra quando bem quer e encerra os bombardeios quando lhe interessa, de forma unilateral e sem dar satisfação.
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