No filme o Planeta dos Macacos, se não me engano, os humanos eram aprisionados e expostos à curiosidade dos animais do seu reino. Aqui no nosso Planeta, os humanos numa casa de vidro chamam muito mais à atenção do público do que se no lugar fossem colocados os macacos. Aliás, o humano é a única espécie que coloca a própria espécie numa jaula, não apenas como punição pelos crimes cometidos, mas também para ser visto fazendo besteiras, comendo, dormindo, praticando sexo e se limpando.
É a Big Mediocridade da televisão que fatura alto num programa também chamado de Big Brother Brasil, já na sua nona edição, e com muita gente para tirar fotos, rir, gravar e achar tudo um máximo. Não me venham com essa de que a crítica é de pessoas intelectuais ou metidas a intelectuais que não sabem ver o outro lado da vida, nem conseguem se divertir e se distrair. Claro que a emissora está aí para defender o seu lado, já que está se dando bem na audiência.
Na verdade, o povo sempre gostou mesmo foi de circo que consegue abafar e fazer esquecer a miséria e os desmandos dos mandatários de uma nação. Na Roma Antiga, quando a situação entrava em decadência, imperadores mandavam construir arenas e nelas realizavam vários tipos de jogos para o povo, com destaque para a luta de gladiadores entre escravos e prisioneiros de guerra, com derramamento de sangue. A multidão entrava em delírio com os ferozes leões matando cristãos e lutadores. Tudo se resolvia, e o reino voltava à calmaria até a próxima temporada de jogos.
Aqui temos a temporada do Big Mediocridade, um programa que já caiu no gosto popular. Para fugir um pouco da monotonia, colocaram dois idosos que ainda não sentiram a ficha cair. O negócio é namorar muito, fazer sexo, pular, bater no peito como Tarzan no cipó e falar muita besteira. Tudo por um milhão de reais e 15 minutos de fama. Do outro lado, as ligações e a torcida por aquele que mais souber fazer encenação e se disfarçar num mocinho que merece o prêmio.
Será que sou frustrado, preconceituoso, empedernido, recalcado, amargo, sem neurônios e sem testosterona, incapaz de não entender o sentido da coisa? Os críticos aos programas de baixo nível nas emissoras de televisão deveriam estar enjaulados à exposição pública e apedrejados, porque são espécies exóticas, raras e extintas no mundo consumista e superficial, sem conteúdo e qualidade. São moralistas e dinossauros que não cabem mais no espaço virtual do fervente dragão tecnológico.
As críticas ao baixo nível destoam e são até contraditórias porque é justamente isso posto que mais agrada ao povo. Não por culpa dele, mas devido a falta de educação e cultura que perdura há anos no Brasil, o público adora mesmo é ver a vida dos outros devassada e explorada. Quanto mais a imagem penetrar nas vísceras sentimentais do ser humano, melhor ainda. Se for tragédia, tem que fazer chorar e derramar lágrimas. A ordem é esquadrinhar todo o corpo, o coração e a mente humana; roer o emocional até produzir o efeito de um orgasmo sexual. Depois é só jogar fora como bagaço de cana e partir para outra empreitada de gozo e espetáculo. Aliás, tudo hoje se resume em espetáculo do inusitado.
Enquanto isso, na Faixa de Gaza, espremida em 360 quilômetros quadrados de terra, os israelitas, com mais de 20 mil quilômetros quadrados de território, matam criancinhas e idosos com bombas de fósforo branco e metralhadoras. Há mais de 60 anos, só para ser mais recente, se nega a um povo o direito de ter seu Estado. O mundo não ouve os gritos, apenas sussurros, como acontece também com relação a África.
O novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama se cala, dizendo que não quer dar a impressão de que existem dois mandatários da Nação. No entanto, quando se trata de outros assuntos domésticos, como a situação da economia interna, ele opina.
Já me reportei aqui nesta coluna sobre o conflito desse povo primo descendente de Noé e Abraão. A origem das brigas remonta há séculos, mas falemos da situação mais recente. Israel e Estados Unidos só se referem aos foguetes lançados pelo Hamas, considerado um grupo fundamentalista e radical. Será que existe moral?
Se esquecem da eleição palestina em janeiro de 2006, monitorada pelos observadores internacionais e declarada como tendo sido livre. O Hamas ganhou, apesar de todos os esforços contrários dos EUA e de Israel no apoio ao presidente palestino Mahmoud Abbas, do Partido Fatah. A punição aos palestinos que votaram no Hamas foi crescente e severa. Veio como uma guilhotina em seus pescoços.
Israel desencadeou sua violência, seqüestrando lideranças eleitas e apertando o cerco através do fechamento das fronteiras. Foi cortado até o fluxo de água para a Faixa de Gaza. Tudo foi feito para o Governo não funcionar. Mesmo quando Israel aceitou o cessar-fogo, em junho de 2008, manteve o cerco ao impedir a ONU de renovar os estoques de alimentos e remédios para os palestinos.
Estão dizendo por aí que a Suástica virou Estrela de David. Pode também ser o contrário. No Oriente Médio, enquanto os judeus se entupiam de dinheiro, o povo palestino ficava com as sobras de um território que era mais seu por direito. Enquanto mais de mil palestinos morreram, 13 israelitas perderam a vida. Ainda chamam isso de guerra contra o 5º maior exército do mundo! Não existem seis milhões de palestinos para serem sacrificados. No entanto, mais de um milhão estão ameaçados de extinção.
Mas estava falando mesmo da BIG Mediocridade e terminei enveredando por um assunto pesadelo que lembra o Holocausto dos Judeus perpetrado por um ditador nazista e sua gente da Alemanha. Desculpem os leitores. É que a raça humana é assim, ligada no besteirol e desligada das atrocidades do poder ditatorial, tirano e autoritário que comanda o mundo.
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