quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

UM ATO DE HONRADEZ

Eis que no meio de tantas trubulências e depressão, como a crise econômica, a agressão ao meio ambiente em Santa Catarina que resultou em inundações e desmoronamento de terras, deixando mais de 100 mortes e quase 100 mil desabrigados, o caso dos tapetes persas do Tribunal de Justiça da Bahia, a intenção do governo de anistiar as filantropias irregulares, a absolvição do "Paulinho", da Força Sindical (armou até um circo na frente do Congresso), entre outros escândalos por aí, surge o juiz paulista da Operação Satiagraha, Paulo de Sanctis, e nos dá com seu exemplo, uma pontinha de esperança e orgulho.
Com sua honradez, dispensa uma promoção na Justiça e continua no caso para condenar o banqueiro Daniel Dantas e sua gangue por corrupção ativa. A sentenção é de dez anos de prisão em reegime fechado, pagamento de R$12 milhões por danos ao Estado, mais multa de R$1,4 milhão. O homem ofereceu R$1 milhão a um delegado para que seu nome e de parentes não aparecessem na Operação.
Mas, a desolação e a descrença na Justiça voltam logo em seguida. O banqueiro ladrão de "colarinho branco" pode recorrer da sentença em liberdade. Um pobre quando rouba uma lata de leite num supermercado vai logo para cadeia e ainda toma muita porrada. Pior ainda são os inocentes que são presos, passam um tempão atrás das grades e quando se reconhece que não cometeu o crime, apenas pedem desculpas pelo engano, e isso é raro. Sem essa de que todos nós somos iguais perente a lei. Sempre nos ensinam errado e nós acreditamos nas fantasias. Não existe igualdade.
Alguém aí sabe de um rico ou político safado que esteja preso? Todos eles não passam mais do que uma semana ou 15 dias numa cadeia especial, com todos direitos das leis que foram criadas pela própria elite para serem dribladas. Essa operações da Polícia Federal viraram casos de piadas. Ninguém nem liga mais porque já se sabe todo o enrredo. É como novela. Para eles sempre tem um final feliz.
De qualquer forma, já foi um ato digno do juiz que foi interceptado pelo ministro Gilmar mendes, do Supremo Tribunal, com dois habeas corpus, o homem do HC. Só ele tem dúvidas dos crimes cometidos pelo banqueiro contra o povo. De Sanctis foi até o fim e deu seu veredicto, embora sabendo que não vai dar em nada depois. Cadê as condenações do "Mensalão"?
Já fazem cinco meses que foi desencadeada a Operação Satiagraha e, de lá para cá, o delegado investigador, Protógenes Queiroz, passou a ser investigado, massacrado e perdeu o cargo. Triste e angustiante é ver toda a Nação assistir a tudo comodamente, passivamente como se nada estivesse acontecendo. Cada um na sua, procurando se safar; viver sua vidinha mediócre e seguindo as regras do sistema capitalista como se fosse um vencedor.
A realidade é que passamos todo o tempo enganando a nós mesmos. Vez por outra, fazemos uma caridade, uma doação, um ato de solidariedade como agora aos desabrigados de Santa Catarina, e achamos que estamos sendo o máximo. As pessoas se acostumaram a fazer o mais fácil e a se sentirem com isso cumpridores de seus deveres.
O que é mais fácil, doar mantimentos e roupas, ou protestar nas ruas, em reuniões e debates contra os demandos e os escândalos praticados contra a nós mesmos? Fazemos o mais fácil para aliviar e adormecer nossas culpas. No mais é curtir os bares, restaurantes, festas, carnavais, sem se incomodar com as mazelas. Coisa dos políticos. Cada um segue na sua vida individual. O que só conta, na verdade, é o ter para sobreviver, não importa como.

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