domingo, 21 de dezembro de 2008

SOU CONTRA

Entendo que todos que lerem este artigo ou comentário podem ser contra a minha opinião. Também, entendo que todos devem respeitar meu ponto de vista. Sendo assim, vamos ficar quites e numa boa com relação ao aumento de mais 7.343 vereadores nas câmaras municipais do país. A chamada Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Vereadores foi votada às pressas, em toque de caixa, na calada da noite pelos senhores senadores que nem estão aí para a opinião pública.

O Senado votou a PEC vinda da Câmara dos Deputados em meados do ano. A Casa, no entanto, reduziu os gastos com os vereadores, de R$6 bilhões para R$4,8 bilhões. Os senadores, por sua vez, retiraram esse dispositivo do texto da PEC e aprovaram, sem redução de recursos. Foi o bastante para a Mesa Diretora da Câmara revidar e não assinar a Emenda. Para contrariar, o Senado entrou com um mandado de segurança no Tribunal Superior Federal contra a decisão da Mesa. Briga entre eles mesmos.

Tudo isso está sendo feito, como sempre, à revelia do povo. Que me desculpem os senhores suplentes de vereadores, mas devíamos, antes de tudo, lutar ao lado do povo pela reconquista da moralização do Congresso cujos políticos, nos últimos anos, só têm defendido seus interesses corporativos. Sem essa de que o aumento de vereadores daria maior representatividade ao povo. Todos sabem que não é bem assim e, além do mais, lá na frente haveria uma pressão junto às prefeituras para aumento de recursos.

Há muitos anos que o Senado e a Câmara dos Deputados não têm caminhado ao lado do povo, e os fatos comprovam bem isso. Desde os escândalos do “Mensalão”, para não irmos mais longe, as sujeiras se sucedem e cada uma mais vergonhosa que outra. Para quem tem um pouco de memória, é só lembrar o caso do senador Renan Calheiros. Aliás, muitos senadores são “biônicos” como no tempo da Ditadura Militar. Muitos deles são suplentes que tomaram posse sem nunca terem recebido um voto do eleitor.

Na Câmara dos Deputados, o fato mais recente saiu da Comissão de Ética daquela Casa que engavetou o processo contra o deputado “Paulinho”, da Força Sindica. Contra ele, recaíam fortes suspeitas, com provas, de ter desviado recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Por essas e muitas outras, é que hoje os políticos e o Congresso estão entre as instituições com o mais baixo índice de credibilidade nas pesquisas populares.

Nos Estados, as Assembléias Legislativas estão sempre dando demonstrações de corporativismo, fisiologismos, nepotismo e distanciamento do povo. Aqui mesmo na Bahia, os deputados (63) passaram três ou quatro meses sem trabalhar no período das eleições. Aí, chegam ao final de ano e resolvem realizar Sessões Extraordinárias para a votação de projetos que ficaram parados. Cada um vai ganhar quase R$40 mil, elevando os gastos em R$3,2 milhões. Quem está pagando a conta?

Sabemos que os suplentes de vereadores que estão defendendo sua parte pressionaram os senadores para que votassem a PEC com urgência, como foi feito. Alguém acha, então, que os políticos votaram a Emenda com consciência? Tanto não é, que lá em Brasília, os suplentes de vereadores foram utilizados como moeda de negociação entre os senadores. Mais uma vez, lá funcionam os malditos “Esquemões”. Colocaram ainda como defensor da Emenda um senador carlista, conservador, fisiologista e sem expressão. Para esse tipo de coisa ele serve, não importa se é criticado e renegado pela “esquerda”.

Por tudo isso e muito mais, não existe clima nem moral para se aumentar o número de vagas nas câmaras municipais. Se houvesse coerência, os “representantes do povo” deveriam encarar essa triste realidade e se colocarem ao lado da população. Como bem disse o presidente Lula (ainda bem), o aumento de vereadores não irá resolver o problema das cidades. Ele criticou a criação de novas vagas, e o povo também não concorda, já que o presidente tem quase 80% de aprovação nas pesquisas.

É uma pena que os políticos continuem de costas para o povo. As incoerências são bem visíveis. Só não vê quem não quer mesmo. Para tudo na vida existe um limite. Até nos ambientes mais permissivos existem regras, como disse um articulista na imprensa. Mesmo assim, a tentativa dos suplentes tomarem posse vai continuar.

De tantos desmandos e corrupções por parte dos “representantes políticos” – nem todos são iguais – o povo, lamentavelmente, incorporou a cultura do roubar e do levar vantagem em tudo. Uma pesquisa realizada por um desses organismos encarregados em medir as temperaturas da opinião pública, constatou que boa parte da população concorda que o político tire proveito do cargo, empregue parentes e até cometa fraudes.

Li numa reportagem durante o período eleitoral em que os entrevistados achavam certo o candidato comprar o voto. Eles se diziam dispostos a vender o voto por dinheiro ou através de favores. Também, querem o que, se o mau exemplo já vem lá de cima! Por essas razões e outras é que sou contra ao aumento de vereadores.

Não estou aqui, de forma alguma, fazendo julgamentos precipitados de nenhum suplente sobre suas reais intenções. Mas, esse, verdadeiramente, não é o caminho certo. É o momento de tentarmos consertar primeiro o que está errado no fazer política. Estou, simplesmente, fazendo uma abordagem geral sobre a questão e dando a minha opinião, independente de coligação partidária a que pertenço. Aliás, acho até que estou sobrando nesse corpo político. Mudar não significa renegar seus princípios e se moldar ao sistema. Não posso fazer política concordando com equívocos partidários.

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