sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

SÓ PARA LEMBRAR

O ano de 2008 está desaparecendo na curva do horizonte. Está declinando nos montes avermelhados do pôr-do-sol. Mas, não é o ano ou o amanhecer que muda. Somos nós que mudamos pelo imperativo do tempo. Se continuarmos no mesmo ritmo, cometendo os mesmos erros e fazendo as mesmas coisas, não importa qual ano seja, se 2008 ou 2009. Não podemos nos iludir com as festividades consumistas.

Mas, cada ano nos faz lembrar e comemorar períodos significativos referentes a acontecimentos que marcaram o mundo. Desperta-nos ainda a atenção quando são números pares ou ditos redondos que se fecham na história e representam importância para um determinado povo, ou para toda humanidade.

São leis, declarações, pensamentos, personalidades da literatura e da ciência, livros e romances, nomes e fatos que deixaram seu legado de mudanças, ou até mesmo nos impuseram medo e terror. Algumas datas merecem comemoração e homenagens, outras lembram sofrimento, mas precisam ser citadas para que não ocorram mais.


Assim, o ano de 2008 que está se despedindo completou:


140 Anos do Poema Navio Negreiro, do Poeta Castro Alves
70 Anos do Livro Jubiabá, do escritor Jorge Amado
100 Anos da Chegada da Família Real ao Brasil – D. João VI
100 Anos da Abertura dos Portos às “Nações Amigas”
100 Anos da Instalação da Imprensa no Brasil
100 Anos da Morte do Escritor Artur Azevedo
80 Anos do Romance Macunaíma, de Mário de Andrade
100 Anos do Cubismo na Pintura
400 Anos de Nascimento do Pregador, Orador, Escritor Padre Antônio Vieira
100 Anos da Morte do Escritor Machado de Assis
100 Anos de Nascimento do Escritor Guimarães Rosa
100 Anos de Nascimento do Cientista e Geógrafo Social Josué de Castro
100 Anos de Nascimento do Cientista e Geógrafo Social Josué de Castro
70 Anos do Romance Vidas Secas, do grande Graciliano Ramos
60 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos
50 Anos da Bossa Nova – João Gilberto - “Chega de Saudades”
40 Anos da Decretação do Ato Institucional No 5 que ferrou com a liberdade
40 Anos dos Movimentos Estudantis na França e no Mundo
40 Anos da Invasão da Tchecolosváquia pelas Forças da União Soviética
40 Anos da Passeata dos 100 Mil no Rio de Janeiro Contra a Ditadura
40 Anos do Assassinato do Pastor Martin Luther King
40 Anos do Lançamento do Rock Progressivo pelo Grupo Inglês The Nice
40 Anos do Álbum Branco – Fim da Era Beatles e do Ideal Hippie
40 Anos do Assassinato do Senador Robert Kennedy
40 Anos do Lançamento das Minissaias
40 Anos dos Protestos Contra a Guerra do Vietnã
40 Anos do Primeiro Festival do Cinema Erótico, em Amsterdã
40 Anos da Tropicália com Gil – Caetano e Capinan
40 Anos da Música “Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores” – Geraldo Vandré
40 Anos do Início da Guerrilha no Brasil – A Luta Armada
40 Anos do Vôo da Primeira Nave Apolo 7 em Torno da Lua – 3 Astronautas
40 Anos da Prisão de 1.200 Estudantes no 30º Congresso da UNE, em Ibiúna

1968 – segundo escritores e estudiosos – foi o Ano Que Não Acabou. Para outros, acabou. Foi o ano que deixou legado de lutas e conflitos pela liberdade. Foi o ano que deixou nostalgias e sonhos. Foi o ano do III Festival Internacional da Canção. Foi o ano das línguas de fogo. Foi o ano dos grandes slogans, como “Corre Camarada, Que o Velho Mundo Está Atrás” - “Proibido Proibir” – “Paris em Chamas” – “Primavera de Praga”. Foi a época da substituição de paradigmas.

Quatro décadas se passaram e a juventude de hoje vive no mundo da Internet. Temos hoje uma geração do copiar e colar. 1968 foi o ano em que o mundo todo entrou em ebulição e se sonhou com uma sociedade com face humana. Foi também o ano que se contestou o marxismo-leninismo.

Muitas destas datas foram lembradas e comemoradas no Brasil, com comentários, estudos, críticas, análises e eventos. Na Bahia algumas tiveram destaque e foram feitas alusões. E aqui em nossa Vitória da Conquista? Pelo que tenha tomado conhecimento, essa datas passaram em branco, pelo menos entre a comunidade.

Os órgãos públicos, instituições universitárias, entidades e demais setores representativos da sociedade têm a responsabilidade de comemorar ou debater a passagem desses acontecimentos e fatos. Mas, não é o que fazem.

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