Os membros da corte não têm mesmo vergonha na cara. Estão sempre aprontando. “Deitam e rolam”, se sentindo como se fossem a realiza intocável, nomeados pelo Deus Todo Poderoso. Sem opinião pública para pressioná-los, viraram mesmo as costas para a plebe que já se acostumou a tudo assistir sem nada fazer. Tenho a dizer que estou no meu direito de me indignar contra a atitude dos safados que não dão nenhuma satisfação para o povo desamparado e ainda zombam das nossas fraquezas. É abusar muito da nossa paciência. O que os caras-de-pau estão fazendo é simplesmente uma esbórnia, cinismo e falta de caráter.
Vamos começar o nosso protesto pela Assembléia Legislativa do Estado. Vocês acham que eu estava me referindo a quem? Só poderia ser aos políticos. Pois bem, os deputados estaduais já cogitam em realizar sessões extraordinárias porque passaram todo o ano de férias, só na base da politicagem, resolvendo interesses particulares da nobreza. Durante todo ano só foram votados 42 projetos. Durante o período das eleições nada fizeram. Entre setembro e outubro, nenhum projeto foi aprovado. Brigam e se xingam pelo poder. Nunca são inimigos para sempre. Aliás, sempre estão se reconciliando e se coligando na maior cara-de-pau.
São ao todo 63 deputados ao custo mensal de R$12 mil cada um, fora as receitas de custeio, despesas de gabinete, contratação de assessores e ajudas de custo que incluem até tarifas de correio, combustível e telefone. Juntando tudo isso, o gasto da AL por mês chega a R$1 milhão. Dos 42 projetos, 28 foram da iniciativa do Governo do Estado. Somente dois foram propostos por deputados e três pela Mesa Diretora.
Agora está chegando o recesso anual. Aí, começam a falar em realização de sessões extraordinárias. Imaginava que essa excrescência não existisse mais. Mas existe, cara. É uma forma de encherem mais os bolsos e terem um Natal bem gordo, com direito a banquetes, uísques e vinhos importados. Depois é só desejarem um feliz Ano Novo para a plebe e tudo está resolvido. Nenhuma luz divina para iluminar a consciência desses deputados!
Vamos ao outro caso. Cada um é mais cabeludo que o outro. O cara-de-pau do Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, foi absolvido pelos seus colegas nobres da corte (comparsas) dos dois inquéritos contra ele no Superior Tribunal Federal. Ele obteve uma vitória folgada de dez contra dois, incluindo reforços da oposição (composição). Não é legal! Ele festejou, sorriu para as câmaras e deu sinal de positivo com o polegar direito que serviu para contar os desvios de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Todas as provas descobertas durante a Operação Santa Tereza (coitada da Santa) foram óbvias, mas nada adiantou. O processo vai ser arquivado e não se fala mais nisso. Em cinismo, é um superando o outro em falcatruas. Ninguém fala mais em Jader Barbalho, Renan Calheiros e Severino Cavalcanti. Aliás, todos foram premiados pelos eleitores que já acham a corrupção uma coisa normal. Para a votação do Conselho de Ética, deram um golpe na lista de presença. O PSOL chamou o Conselho de “mausoléu de representações”.
A colunista Dora Kramer disse que a absolvição, mesmo com evidências de corrupção, virou regra. Enquanto se procedia à votação, o cara-de-pau estava lá fora dando uma de manifestante (não sabemos contra o quê) com 30 mil sindicalistas. O cara superou os outros safados ao se ausentar como réu do seu próprio julgamento. Eles se superam e batem recordes e recordes.
Poderíamos ficar aqui falando de muito mais sujeiras e mazelas praticadas por políticos usurpadores do poder. Somente para citar os mais recentes, temos a prática de nepotismo condenada pelo Supremo Tribunal (a Justiça também não dá exemplo), mas burlada pelo Congresso e pelo Senado. Viram que enrolada! Teve político fazendo armações de todo jeito, como nepotismo cruzado e que só valia nas contratações feitas após a proibição. O certo é que não se fala mais nisso. E lês vão deixar seus parentes desamparados?
Depois de quase dez anos com papo furado pra lá, papo furado pra cá, mais uma vez o Congresso adiou a aprovação da tal Reforma Tributária. Com relação à Reforma Política, nem pensar. E se sair vai ser para manter a nobreza no poder, com as regas e normas que interessa a ela, valendo sempre quem tiver mais bala no gatilho, ou seja, mais dinheiro e máquina governamental.
Para ser realista e sincero, não acredito mais nessa dita “esquerda” que está aí, embriagada pelo deslumbramento do poder e fazendo o jogo do capitalismo maquiavélico, cruel e perverso. Não acredito nesse diálogo que tanto falam como forma de solução dos problemas do país. Não acredito nessas falsas reformas que rezam na mesma cartilha da elite e do coronelismo político-empresarial. Não acredito em mudanças significativas na sociedade que não sejam na base da pressão, dos protestos e das manifestações.
Infelizmente, temos hoje um proletariado neutralizado e uma estudantada alienada e superficial, em decorrência do baixo nível de educação e cultura. A maior parte das centrais é pelega que mais lembra o tempo Vargas. Em cargos de confiança e cheios de dinheiro, muitos dirigentes vivem em mansões de luxo e têm até jatinhos particulares. Eles vão contestar o quê? Não se pensa, nem se reivindica mais o coletivo. Vez por outra colocam a cara na tela, cobrando coisas isoladas e tentando justificar suas existências. O essencial, que é a comunidade com um todo, foi deixado de lado.
É tudo um jogo de interesses. Eles dão apenas alguns paliativos de modo a deixar o povo mais iludido, mas as raízes do processo arcaico continuam lá. É como obturar um dente podre. Uma simples massa não vai resolver o problema. As dores e os males vão continuar atanazando e azucrinando a vida dos pacientes. Aliás, é o que somos, até demais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário