
Não é só Elomar com suas sertanias, concertos e cantatas medievais, nem Glauber Rocha com seu cinema novo, crítico, evolutivo e realista. Estes nomes podem até ofuscar os outros, mas Vitória da Conquista, que já foi terra das boiadas, da garoa e das flores, vai se popularizando como a terra dos reisados e conta com uma gama enorme de valores artístico-culturais de peso na música, na literatura e nas artes plásticas, principalmente. Nas letras, tem gente da terra como Erathosthenes Menezes, Durval Menezes, o filólogo José de Sá Nunes e Claudionor Brasil; tem os poetas e escritores de renome Camilo de Jesus Lima e Mozart Tanajura que aqui chegaram ainda meninos e adotaram a cidade como se fosse seu torrão natal.
Conquista é um caldeirão de expressões e talentos artísticos que carecem de mais visibilidade, apoio e espaço para atingir o público com suas obras e trabalhos. A festa do Natal, a partir do final dos anos 90 nas praças Tancredo Neves e Barão do Rio Branco, fez ressurgir a alegria e a promoção de artistas locais e da cultura popular através dos Ternos de Reis. Por lá passaram também nomes de artista nacionais como Belchior, Guilherme Arantes, Flávio Venturini, entre outros. Na iniciativa privada, destacamos o trabalho do empresário Nozinho Quadros de reunir e apresentar os artistas locais e da região em shows do evento Música na Praça durante as exposições agropecuárias.
Os próprios artistas reconhecem que ainda existe um amplo mercado a ser explorado e clamam por mais incentivos dos setores público e privado. Na corrente da restauração do patrimônio arquitetônico dos antigos sobradões pela Prefeitura, despontam e se consagram na música os nomes de Evandro Correia, Lima Júnior, João Omar Figueira, Carlos Moreno, Alisson Menezes, Paulo Macedo, Papolo Monteiro, Vadinho Barreto, Dom Barros, as bandas Café com Blues e Brincando de Cordas (Rafael Barreto e Ananda Andrade). Nas artes plásticas temos os notáveis Adelson do Prado, Adilson Santos, J. Murilo, Silvio Jessé, Orlando Celino, o entalhista Edmilson Santana, Valéria Vidigal, Rogéria Maciel e Alberto David. Na literatura, Ezequias Araújo Lima, Carlos Jehová, Edgar Larry, Vicente Cassimiro e muitos no teatro e no cinema como Jean Marie, Gildásio Leite e Sônia Leite.
Além da Editora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) que publica trabalhos científicos e literários de mestres da instituição, bem como de autores de diversos gêneros literários através de concursos, a cidade conta hoje com um grande acervo cultural, como a Casa Regis Pacheco, utilizada para exposições e eventos em geral, a Galeria de Artes Sérgio Souto, a Biblioteca e o Arquivo Municipal, os Museus Regional (administrado pela UESB) e o Padre Palmeira, cinco livrarias - Nobel, Letras e Prosa, Futura, Cairo Center e Multicampi – o Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, o Teatro Carlos Jehová, Casa da Cultura, Academia de Letras e salas de música. Foi lamentável o fechamento da única sala de cinema, o Cine Madrigal (foi inaugurada outra no Shopping Conquista Sul) quando Conquista já teve seis ou sete em tempos passados.
Recuperação do Patrimônio
Com seus 168 anos de emancipação, Conquista ainda ostenta um patrimônio arquitetônico digno de estudo e muito cuidado na preservação. O certo é que grande parte desse acervo histórico foi destruído e sofreu intervenções negativas. Muitas obras foram simplesmente demolidas como os casarões que deram lugar ao Banco do Brasil (antigo Hotel Conquista) e a Igreja Batista (Barracão dos Tropeiros), entre a Barão de Rio Branco e a Praça Caixeiros Viajantes. Outros sobrados foram desfigurados em reformas, sem qualquer orientação técnica. Ainda existem construções representativas do modelo de arquitetura de uma época, com estilos que expressam diversidades culturais, sem tombamento. A historiadora Maris Stella Schiavo chama a atenção de que muitos casarões ainda estão sendo demolidos, e outros em visível estado de ruínas.
No entanto, ainda existe muita coisa para ser preservada, como a sede da Câmara de Vereadores, construída em 1908 pelo mestre de obras Luiz Alexandrino de Melo, conhecido como “Luiz Pedreiro”. Sua história se confunde com a própria história de Conquista, e seu estilo de construção (neoclássico) é único na arquitetura civil brasileira. Como os prédios do antigo Paço Municipal (sede da Comdecom) e do Ginásio de Conquista (atual Museu Padre Palmeira), a Câmara traz no telhado quatro estátuas. De presença feminina existem as casas de dona Antônia Fernandes dos Santos (única a exibir identificação da proprietária), onde funcionou a Biblioteca Municipal (em frente à Praça Tancredo Neves) e a de Dona Zeza, que pertenceu ao coronel Gugé, construída por ele em 1896.
Nos últimos três anos, a Prefeitura Municipal no governo de José Raimundo, se voltou para a recuperação arquitetônica desse patrimônio histórico. Começou pela reforma do casarão onde morou o ex-prefeito e ex-governador Regis Pacheco, situado na parte superior da Tancredo Neves. A construção da primeira década do século XX traz as marcas do mestre “Luiz Pedreiro”, com estilo neoclássico. Seu primeiro proprietário foi o coronel João Fernandes de Oliveira Santos.
O secretário de Cultura Gildelson Felício disse que José Raimundo na sua última gestão deixou uma marca importante que foi a completa restauração da Casa Regis Pacheco, mais uma alternativa cultural e espaço do memorial político. Segundo ele, a casa estava em ruínas quando se iniciou o trabalho de restauração que custou aos cofres públicos (municipal e federal) mais de R$250 mil, sem contar a parte do acervo feito pelo artista Orlando Celino. No aniversário da cidade (dia 9 novembro), dentro da Casa Regis Pacheco, também a Prefeitura entregou à comunidade cinco painéis de um metro e meio por um metro sobre cenas da história de Conquista. O secretário afirmou que a idéia dos painéis foi a de valorizar cinco artistas plásticos de renome – Orlando Celino, Adelson do Prado, Sílvio Jessé, J. Murilo e Adilson Santos.
No bojo desse programa foi também restaurado o prédio onde hoje é a Rede de Atenção da Criança (Praça Tancredo Neves). Outro patrimônio recentemente revitalizado em parceria com a iniciativa privada ArQ Decor foi o casarão, na mesma Praça, da antiga Biblioteca Municipal que passa a ser a Casa de Atenção da Terceira Idade. Em acordo com a Casa da Cultura, a Prefeitura irá reformar ainda o Solar dos Ferraz, um casarão de mais de 100 anos, ao lado da Receita Federal. Para lá deverá ser transferida a Casa da Cultura que, por sua vez, entrega sua sede do Solar dos Fonsecas para o poder público transformar em mais um espaço cultural.
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