quarta-feira, 1 de outubro de 2008

ÊTA MISTURA DANADA!

As eleições municipais deste ano foi pautada pela falta de ideologia. A mistura de partidos que nunca se bicaram está mais para mitologia grega. Corpo humano com cabeças de animais diferentes foi o que mais apareceu na lenda política. Mistura de homem com lobisomen, carlismo com comunismo e socialismo com cheiro de enxofre. Êta mistura danada! Os partidos políticos perderam de vez suas identidades, e escancararam. Por sua vez, o eleitor não está nem aí para a questão ideológica de esquerda ou direita. O eleitor não vota no partido, vota na pessoa, não importando qualidade, ideolgia e conteúdo.
Nesta eleição que está se passando, tivemos velhos adversários, como o DEMOCRATAS e o PCdoB lado a lado. Há sete anos, o PCdoB foi uma das legendas a comandar as passeatas na capital baiana a favor da cassação do mandato do senador Antônio Carlos Magalhães devido ao escândalo da violação do painel do Senado. Não existem mais radicais como antigamente. Em Brejões, por exemplo, o candidato a prefeito do PCdoB aceitou o DEM como vice na sua chapa. No mesmo barco estão PRB/PSC/PR/PTC/PV/PSDB, e a coligação se chama UNIDOS POR BREJÕES.
Acontece que Brejões não é o único caso. No Estado existem seis casamentos entre DEM e PCdoB, quatro entre DEM e PV e sete DEM/PSB, todas legendas de apoio de base do governador Jaques Wagner(PT). Já o PMDB, que lançou 280 candidatos, tem no interior 58 coligações com o DEM, mas são inimigos em Salvador. No final da apuração, fica difícil avaliar quem perde e quem ganha nessas eleições. Os interesses são locais, e o eleitor que se dane.
O DEM está disputando 104 prefeituras como cabeça de chapa. Depois da debandada para o PMDB (hoje partido da base), o DEM conta com 70 prefeituras. Pelos grotões da Bahia estão ainda espalhados os traços do coronelismo, inclusive de candidatos da base do Governo do Estado, como é o caso do PMDB. Tem candidato praticando as mesmas truculências de antigamente, e o que é pior, usando as imagens de Lula e Wagner nas campanhas.
O PT estadual que tem hoje 27 prefeituras e espera triplicar o número nessas eleições, proibiu aliança com o DEM, mas filiou gente do partido carlista. Com essa mistura toda de cabeças diferentes, a indagação que fica é como processar as mudanças?

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