Ele chegou com mais de uma hora de atraso no show, sentou no banquinho com seu violão, reclamou do som (sua marca registrada), falou uma besteira qualquer e, no final, o povo o aplaudiu de pé por cinco minutos. Depois do show, cujos ingressos foram vendidos pelos cambistas a preço de ouro para a burguesia "intelectual", embolsou sua bela grana e se internou no hotel mais luxuoso da cidade, sem ninguém saber, nem os mais amigos e íntimos(se existe).
É o nosso aplaudidíssimo, consagrado e idolatrado João Gilberto, pai da Bossa Nova, de canto soletrado, desafinado e balançado(não precisa ter muita voz) de uma nota só. Não tem nada do simples João brasileiro mortal. Ele é unanimidade imortal da imprensa e do público de pensamento único e submisso. Quem fizer crítica e oposição pode ser massacrado e linchado. O nosso povo adora mesmo ser enganado.
Mas, como ele é unanimidade geral, sem contestação, a mídia faz campana dentro do hotel para flagrar pelo menos um vulto do homem. Alguma impressão digital serve para publicar na imprensa. O homem menospreza e não dá bola para a mídia que lhe bajula. Será que não existem fatos e acontecimentos mais importantes lá fora, para essa imprensa informar e denunciar ao seu público?
Se deram a ele o diploma de unanimidade e intocável, tem mais é que reclamar e chegar atrasado nos shows. Já perceberam que no mundo artístico não existem mais críticos literários, musicais, de teatro, dança, de artes plásticas e de cinema, e sim, meros bajuladores? Só sabem fazer elogios e inventar historinhas. Que pobreza andam o nosso pensamento e o nosso senso crítico! Não existem mais embates, críticos de verdade e discordâncias de idéias. Se nosso ensino é deficitário, o resto é uma manada, Maria vai com as outras..
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