terça-feira, 7 de outubro de 2008

O DRAGÃO DE PAPEL

O mundo capitalista é movido a papéis que se desfazem nas primeiras trovoadas que batem. É um sistema volátil e ilusório que se desfaz nas fogueiras das vaidades e nas aparências dos salários milionários dos executivos. As bolsas vendem papéis, e os bancos negociam lucros que passam para outras instituição que rolam para terceiros. O capitalismo, capitaneado pelos Estados Unidos, é um dragão de papel que agora está se queimando com suas próprias chamas hipinóticas que fazem as pessoas consumirem coisas superficiais.
Essa história sempre se repete no passar dos anos, e o maior débacle aconteceu em 1929 quando muita gente se suicidou como papéis picados nos altos dos edifícios luxuosos. A ganência do ganhar mais e mais com facilidade, como no conto do vigário, não se acaba. É um mundo que vive mais do papel do que da produção e do trabalho. A situação ficou tão feia que na Alemanha dos anos 30, o cidadão saia com um carrinho-de-mão cheio de dinheiro para comprar um produto no supermercado.
Dessa vez, ela começou pelo setor imobiliário nos Estados Unidos. O indivíduo adquire uma casa através de empréstimo bancário, e o banco que a financiou passa o papel para um fundo de investimento ou de pensão. Em pouco tempo o imóvel já vale o dobro. Aí o cara vai à instituição financeira e hipoteca a casa pelo dobro ou o triplo do preço que foi comprada. Logo, logo a casa já duplicou o valor daquela hipoteca. Ele, novamente, faz outra hipoteca, e assim vai girando. No fim, ninguém tem mais condições de pagar as prestações e os papéis não valem mais nada. Um vai aplicando o calote no outro, e assim sucessivamente.
Com o estouro, as instituições vão falindo em cadeia, e a crise se alastra pelo mundo, pegando os mais pobres. Nessa brincadeira, sobra sempre para os mais fracos. É sempre assim na vida: o pobre é quem mais sofre. Na previsão do aquecimento global, os países mais pobres e as regiões mais secas tendem a ser mais castigados.
Os produtos primários vendidos pelos países emergentes, como o Brasil, se desvalorizam, o dólar sobe e o consumo se reduz na falta do dinheiro na praça. O Brasil também esta nessa ciranda do papel que entra nas carteiras das bolsas e depois retorna para o vigarista que fez a aplicação.
Se a crise perdurar por mais tempo, o país vai ter que queimar suas reservas cambiais de U$200 bilhões. Aliás, já está queimando e, como já disse aqui, o dólar vai atingir os R$2,50. Já está bem perto. Na embalagem do presente de grego vem o desemprego e o endividamento das pessoas que foram iludidas pelos paraíso do consumismo.
A crise passa e aí se começa tudo de novo. Um dia desses vi uma reportagem de um jovem que fica o dia todo grudado no computador vendendo e comprando papéis. Como ele, outros tantos "produzem papéis". Senhores! façam seus jogos!

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