Ativos e papéis podres, créditos podres, carteiras podres, hipotecas podres, ciranda financeira, especulação, injeção de bilhões de dólares, cadeia falimentar, socialização das perdas, quebradeira geral, bolsas despencam, dólar sobe, commodities caem, depressão, recessão, falta de liquidez no mercado, são, entre outras, as palavras mais lidas e ouvidas nos últimos dias no cenário do economês, no mundo em polvorosa. É típico de um capitalismo podre, fedorento e bolorento.
Do lado de cá do Atlântico, num país chamado Brasil, o presidente Lula não se cansa de rir e emetir tratamento jocoso sobre a crise, afirmando que o Tufão dos Estados Unidos vai virar um ventozinho quando chegar por aqui. Se derrete em otimismo onde não existe, pois o estrago das hipotecas americanas já bateu em nossas portas. Só não vê quem é cego. O crédito, as prestações a perder de vistas estão bem mais próximas do consumidor aloprado, os produtos importados, inclusive o trigo, estão mais caros, as exportações se restringem, o deficit em transações correntes cresce, as reservas cambiais vão minguar e os produtos primários(agrícolas e industrializados) se desvalorizaram no mercado internacional.
Só neste ano, as bolsas já caíram 42%, enquanto o dólar subiu mais de 50%, e já está perto de valer R$2,50 como falei aqui há alguns dias. Vem mais coisa feia por aí, e o dólar pode beirar os R$3,00. As medidas do Banco Central servem mais para tapar os buracos do barco. Mais reservas vão ser queimadas, e o governo já faz planos para reduzir os investimentos. Já tenho tempo e experiência bastante para avaliar que essa tempestade vai fazer mais estragos nessa terra de Cabral, especialmente entre a classe média. Engavetem seus cartões e apertem os cintos, pois o pilôto sumiu. Dá nisso viver escravo desse capitalismo que nos seduz para um paraíso ilusório.
Depois da farra vem a ressaca. Nosso capitalismo sofre de transtornos de personalidade e de surtos psicóticos. Agora, o mundo está num divâ e nem os analistas conseguem normalizar sua personalidade. Nos apoiamos em pilastras de barro, enfeitadas de papéis de aparência brilhante, mas que se derretem com a primeira tempestade.
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