De um lado a décima maior economia mundial, com crescimentos na faixa de 5% ao ano, Produto Interno Bruto (PIB) em torno de R$1 trilhão e reservas cambiais superiores a U$200 milhões. Do outro lado, um país com índices educacionais baixíssimos, só superados pelo Haiti e Guatemala na América Latina, e com alta concentração de renda.
Segundo dados revelados pela PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a taxa de analfabetismo entre as pessoas com 15 anos ou mais é de 10% em 2007 (10,4% em 2006). Apenas países muito pobres, como Haiti (37,9% e Guatemala (26,8%) têm índices maiores. Temos uma triste realidade paradoxal que nos envergonha.
Como entender que nações com renda média inferior à do Brasil como a Bolívia e o Equador tenham desempenho melhor na educação? Na Bolívia, a taxa de analfabetismo é de 9,7% e no Equador de 7,4%. Aqui, o analfabetismo não caiu nas faixas de 10 a 14 anos e de 15 a 17 anos. Entre as regiões, no Nordeste o analfabetismo aumentou de 6,4% para 6,8% entre 2006 a 2007. Com mais de 15 anos, 21,6% dos brasileiros são analfabetos funcionais. No Nordeste, a taxa é de 33,5%. Temos uma boa quantidade de crianças matriculadas (97,6%) e uma qualidade ruim.
Um país com baixo índice na educação e concentração de renda estonteante é um país sem consciência política, sem consciência de classe. É ainda um país dependente politicamente das nações ricas que sugam o sangue do mundo subdesenvolvido ou, como queiram, emergente. Ainda somos uma nação cheia de contradições como pintou o sociólogo e escritor Florestan Fernandes na década de 60. A ideologia dos “sem poder” não é a mesma quando chega a esse poder, para mudar o quadro de diferenças.
O conceito de subdesenvolvimento se mede pelo distanciamento tecnológico, científico e do conhecimento. Ainda é o Brasil das commodities (produtos primários) de que fala Florestan, com seu papel secundário de subsidiar o desenvolvimento do Primeiro Mundo. Ainda é um país apático e insensível à corrupção, onde a pobreza acha que o político deve vender seu voto. Não é mesmo o país que queremos.
Estudos do PNAD dão conta de que a renda média do trabalhador em 2007 registrou um tímido aumento de 3,2%, bem inferior a de 2006 e 2005. Mesmo com a renda média de R$ 960,00, o trabalhador não recuperou o patamar de R$1.003,00 alcançado em 1998.
Em 2007 houve também um crescimento do número de ocupados. De acordo com o IBGE, esse crescimento, em torno de 7 a 8% nas regiões, se deveu ao aumento do agronegócio e o reajuste do funcionalismo.
Na apuração da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, houve uma redução na concentração de renda que, pelo Índice Gini (mede a desigualdade e varia de 0 a 1 – quanto mais próximo a 1 maior a desigualdade) passou de 0,541 para 0,528. Mesmo assim, a concentração ainda é alarmante e vergonhosa. Pouco mudou nos últimos anos na relação dos 10% mais pobres. Em 2007, eles detinham uma parcela de 1,1% do total dos rendimentos do país. Do outro lado, os 10% mais ricos da população tinham 43,2% das riquezas.
A partir desses números alarmantes, pode-se tirar a conclusão do paradoxo que é nosso país. A economia cresce, mas as riquezas permanecem nas mãos dos poderosos, especialmente dos banqueiros que continuam sendo os mais privilegiados. O bolo cresce, mas a distribuição é desigual. E não são os programas de bolsas família que vão tirar a diferença. O rendimento médio de todas as fontes, que inclui aposentadorias, aluguéis e os programas sociais, cresceu 2,7%, a menor taxa nos últimos anos.
Por aí dá para se perceber que o nó da questão está numa boa educação para gerar, em médio ou longo prazo, a geração de emprego e renda. Sem a educação não há desenvolvimento, nem democracia onde as pessoas possam cobrar seus direitos e denunciar as injustiças sociais.
A maior parte do nosso povo tem geladeira, fogão, telefone e televisão, mas poucos têm educação de qualidade e, consequentemente, conscientização política. Dessa forma, o nosso Brasil, vai continuar travado e crescendo bem abaixo dos países emergentes, como China, Índia e Rússia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário