domingo, 14 de setembro de 2008

DEU RAPOSA NO GALINHEIRO

Há tempos que não se fala do dessastrado Programa de Avicultura Familiar da Universidade Estadual do Sudoeste (UESB), aprovado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O projeto foi montado em 2004/05 com recvursos da ordem de R$10 milhões e visava atender 28 mil famílias pobres da região sudoeste. Acontece que houve superfaturamento e desvio de recursos, conforme apuração e denúncia da Associação dos Docentes da UESB (ADUSB). Simplesmente deu "raposa" faminta no galinheiro, e fizeram um suculento molho-pardo das galinhas. Comeram até as penas das galinhas.
Como jornalista e repórter do Jornal A Tarde, me lembro que acompanhei a implantação do projeto e elaborei matérias que foram divulgadas na imprensa. Uma iniciativa até louvável enquanto não deu "raposa" no galinheiro. O fato veio a público através de uma investigaçãpo feita pela ADUSB sobre desvios nas contas de convênios.
Na época foi contratada, sem licitação, a empresa Avimil Comércio de Frangos Ltda que superfaturou os preços das rações entregues para as famílias. Auditores constataram deficiências marcantes da UESB, comprometendo o programa que objetivava capacitar as famílias a terem uma fonte de renda através da venda de ovos.
De acordo com as apurações, a Avimil superfaturou os preços dos produtos na ordem de R$2,58 milhões. A empresa teria entregue a cada família, 40 quilos de ração, mas cobrou da Universidade o valor de 60 quilos. Até final de 2006, a Avimil só teria entregue 12.237 dos 20 mil kits contratados. No final de tudo, recebeu o valor total de R$5,67 milhões.
Como se vê, a malversação dos recursos públicos virou uma praga (não foi o caso das galinhas) em todo nosso território brasileiro, da Ilha Marajó ao sul do Rio Grande do Sul (do Iapoque a Chuí). No início do programa, visitei muitas famílias e percebi o semblante de alegria nelas por vislumbrar uma ponta de esperança. Se tratava de mais uma pequena fonte de renda para o sustento de seus filhos. Mas, como já é corrente a impunidade neste país, o processo termina em nada.

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