Dentro de mais cinco ou dez anos, o etanol da Cana-de-Açúcar e o biodisel da Mamona, do Girassol e do Pinhão Manso vão expulsar o homem pobre do campo para dar lugar aos grandes conglomerados de empresas nacionais e estrangeiras. Ninguém consegue resistir ao capital e ao lucro, e o latifúndio empresarial vai engolir as pequenas propriedades como já está acontecendo em várias regiões do Brasil e da Bahia.
No oeste baiano, por exemplo, os pequenos agricultores estão sendo tentados a vender suas terras. Os grandes grupos empresariais valorizam as áreas e botam preço acima do mercado, provocando o êxodo rural. O pequeno não resiste e entrega seu bem maior. Assim está ocorrendo com a maldita obra da Transposição do São Francisco em cujas margens vão se instalar grupos empresariais. Lá, as famílias já estão sendo expulsas pelo esquema perverso da concentração de capital.
Os médios e grandes proprietários que ficam nas terras vão preferir, é claro, investir seu dinheiro nas culturas que estiverem dando mais renda, isto pela própria natureza do capitalismo. É o curso mais que normal de se auferir resultados em atividades empreendedoras. Com o tempo, ninguém de bom senso vai querer plantar feijão, milho, mandioca ou arroz, se a cana e a mamona estiveram dando mais lucros. Quem fizer o contrário está sendo um completa idiota.
No entanto, o governo tenta enganar, dizendo que o etanal não vai provocar escassez de alimentos. Se o projeto vingar, não vai dar outra. É a mesma coisa do milho nos Estados Unidos, só que aqui o fenômeno vai acontecer por via indireta, sem contar o tremendo êxodo rural no campo. Vamos ver no que isso vai dar.
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