O Congresso Nacional acaba de aprovar o projeto da Ferrovia Leste-Oeste que liga o país ao Oceano Pacífico. A Bahia será beneficiada com o ramal partindo de Tocantins, passando pelo Oeste (região de Barreiras) até o Porto de Ilhéus. A linha será um corredor de escoamento das produções de grãos e minérios, especialmente de Caetité. Não foi divulgado seu traçado e quais os municípios que serão cortados pelos trilhos. De qualquer forma, Vitória da Conquista, com seu potencial de capital do sudoeste, será beneficiada pelo projeto.
Agora só resta esperar por mais 15 ou 20 anos pela concretização da obra, como acontece com tudo neste país dos absurdos. Anunciam projetos grandiosos com estardalhaço, para capitalizar ganhos políticos em épocas de eleições, que depois se arrastam em burocracias e desvios de dinheiro e outras irregularidades. O risco é a Ferrovia Leste-Oeste entrar para a coleção das obras inacabadas como tantas outras. Se uma simples barragem dura 10 a 15 anos para ser concluída, imagine um projeto de bilhões.
Outro grande perigo é a Ferrovia do PAC não sair do papel, como o Projeto de Irrigação do Vale do Iuiu, aqui mesmo no sudoeste (Guanambi-Malhada), que seria a redenção da região. A irrigação do Vale do Iuiu, com o aproveitamento das águas do Rio São Francisco, foi anunciada há 20 anos, mas nem se fala mais nisso. O projeto não saiu das promessas dos políticos em reuniões realizadas em Guanambi.
Só na Bahia existem outras obras que se arrastam há anos, como, por exemplo, o metrô de Salvador. Voltando ainda ao sudoeste, a ponte Malhada-Carinhanha sobre o Rio São Francisco ainda não foi concluída. Aqui bem perto, em Caetité, lá está no alto do morro a construção inacabada do que seria um hospital de grande porte. A obra está parada há mais de cinco anos, segundo dizem, por intrigar políticas. É o dinheiro do contribuinte indo para o ralo. É duro ver tudo isso e não reagir.
FLASCHES
AS BENDITAS COTAS
O Supremo Tribunal Federal derrubou o nepotismo nos três poderes. Ai aparecem os parlamentares, como sempre, querendo dar um jeitinho brasileiro, com a tal criação de cotas para seus parentes. È uma vergonha nacional. Aliás, como cota virou coisa da moda, a Nação se curva à malandragem. Já temos as cotas nas universidades para negros com as quais me coloco contra por ser discriminatória e racial. É querer menosprezar a capacidade dos negros, e não premia os mais esforçados. A única cota que aprovo é a social, sem distinção de cor, não importando se negra, branca, parda ou amarela. Já se falam também na reserva de mercado. Nesse Brasil se pode tudo. Basta ganhar uma unanimidade, e quem for contra e despedaçado e mutilado.
CAÇA FANTASMAS
Essa história eu já vi em diversos filmes onde os fantasmas sempre levam a melhor. Já estamos vacinados e acostumados com assombrações. O governo do Estado decretou caça aos fantasmas nos serviços públicos. São aqueles sujeitos que ganham uma bolada do contribuinte e não aprecem no trabalho. Quem tem mais QI(Quem Indica) consegue ser fantasma privilegiado. São as mazelas da nossa política ainda coronelista e feudal dos cargos públicos.
DESARMAMENTO
Mais uma vez, vem aí a campanha do desarmamento da população. O governo federal vai gastar R$46 milhões na campanha, sendo R$ 6 milhões em publicidade e outros R$40 milhões para pagamento das indenizações das armas. É a mesma lengalenga de sempre. O cidadão é convidado a se desarmar, enquanto o bandido sai por aí matando com rifles e metralhadoras pesadas. Melhor que esse dinheiro se somasse ao pífio orçamento destinado à Educação. É o país que se dá ao luxo das extravagâncias.
DEFICIT NAS CONTAS
O governo fala tanto no desempenho da economia, segundo suas contas, distribuindo mais renda e emprego, e se esquece do déficit nas contas correntes (somatório e diferença entre o que se exporta e importa, mais gastos com turismo, serviços e pagamento de juros). Esse déficit pode comprometer o país numa crise internacional, se não tiver um bom superávit primário. Mesmo assim, se continuar, pode exaurir as forças de suportar desgastes externos. Em julho o déficit nas contas foi de U$2,1 bilhões, e no ano já chega a U$19,5 bilhões. Muito alto (1,41% do PIB). Isso é resultado, principalmente, da contribuição negativa de U$5,7 bilhões na conta de serviços. Em agosto a conta corrente pode ficar negativa em U$ 1 bilhão. Mas, atualmente, não se fala muito em déficit nas contas correntes. Acham coisa sem importância.
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