Lá se vão as olimpíadas com tanto pagar de micos dos nossos atletas e locutores das TVs. Lá se vão as quedas, tombos e choros nas perdas e nas vitórias. Lá se vão as decepções de um país que pouco tem dado importância à educação, à cultura e ao esporte com qualidade, mas quer sediar uma competição internacional. O negócio agora é assistir as olimpíadas da caça aos votos no Programa Eleitoral. Essa é até mais divertida e não se sofre tanto, a não ser depois que ela passa e os vencedores mal escolhidos assumem. Essa olimpíada na TV e no rádio pode durar mais tempo de dor de cabeça e ser cheia de trapaças. A ressaca pode ser pesada e sofrida.
A televisão é uma máquina de fazer doido – afirma Sérgio Porto(Stanislaw Ponte Preta). As competições das equipes brasileiras nas Olimpíadas estão aí como prova dessa observação. Basta um salto à distância e umas braçadas a mais na água para o atleta se transformar num herói ou heroína, com direito a desfiles em carro aberto e muito estardalhaço. Em besteirol de perguntas e respostas, o Brasil pode se candidatar a medalha de ouro que ganha. Será que não existem coisas mais importantes nesse país?
Por que as equipes brasileiras nas competições olímpicas nadam, nadam e depois morrem na praia? Por que, com raras exceções, quando chegam às finais, simplesmente amarelam? Vejam os casos do futebol masculino e feminino, da ginástica, do judô, do salto à distância para homem, do pulo em altura com vara e do voleibol de praia.
Sofremos mesmo do complexo de vira-lata e de inferioridade que se referia Nelson Rodrigues? Um somatório de fatores talvez possa explicar tudo isso. Um deles é a falta de incentivos do governo, ou governos, nos esportes. O Estado tem que chamar para si a responsabilidade.
Outra questão é a perpetuação dos donos das federações e do tal COB no poder. Esses donos dos cargos tentam apagar o fracasso com propagandas enganosas. O atleta Pelé, se tivesse mais consciência, não deveria estar contribuindo com essa palhaçada, Mas não, ele também tem seus interesses particulares. Eles fazem de tudo para continuar na mídia esportiva que acoberta as mazelas e não diz a verdade. Talvez a mídia seja a maior culpada.
O marketing ilude o telespectador com esse tal de heroísmo barato, conquistado em poucas competições, e não se diz que eles – os donos do esporte – estão pouco preocupados com o profissionalismo e o aprimoramento da qualidade dos atletas. Vejam o exemplo do judoca que ficou um ano na faixa marron porque não tinha dinheiro para mudar de categoria. É preciso que se dê uma basta nisso tudo.
Nas finais das disputas, percebe-se em nossos atletas o descontrole emocional e psicológico. O nervosismo é dominante, e o ale4ta se sente só, sem o acompanhamento das ditas comissões organizadoras. O que mais se vê é choradeira e lamento. Ainda vamos ganhar um monte de medalhas como os mais chorões do mundo. Nas próximas Olimpíadas vamos ver as mesmas cenas, e os locutores berrando.
Só resta apelar, ou jogar a culpa em Deus. Na derrota do futebol feminino para os Estados Unidos, só restou a jogadora Marta exclamar: Meu Deus ! o que está havendo, o que houve! Não é Deus quem vai dar a resposta. Ela está bem visível e perto de nós. Só não vê a resposta quem não quer. Aliás, Deus não tem nada a ver com isso. Tem problemas mais importantes para cuidar. Não é bom misturar e confundir as coisas.
O mesmo acontece com as olimpíadas das eleições. Ao votar errado não vá depois dizer que foi assim que Deus quis, ou então, culpar o Todo Poderoso. O seu herói escolhido pode ser falso, ou ser descartado em pouco tempo. O marketing da propaganda, todo bonitinho e empacotado, também ilude e engana. Pode ser de papel e encolher nas primeiras chuvas. O medalhista escolhido nas urnas não pode cair no seu esquecimento como o “herói” do ouro nas Olimpíadas esportivas.
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