sexta-feira, 15 de agosto de 2008

FRACASSO NAS OLIMPÍADAS

Em vez de o Brasil ficar brigando para sediar uma Olimpíada, deveria primeiro se estruturar para sair do amadorismo e se profissionalizar nos esportes. A participação brasileira nas Olimpíadas é pífia, vergonhosa e lastimável, se limitando a um punhado de medalhas de bronze que são festejadas com festas e estardalhaços. Estamos bronzeados. O fracasso não é tanto culpa dos atletas, mas desse esquema velho no qual os dirigentes do COB se tornaram vitalícios e se perpetuam no poder há mais de 20 ou 30 anos. Não é o caso de se questionar a falta de alma dos brasileiros.

A ditadura dos esportes, na CBF e no COB, não abre espaço para a crítica e a democracia. Virou uma máfia autoritária e tudo é imposto por eles. Isto não quer dizer disciplina. Quem levanta a voz é imediatamente eliminado e expulso como rebelde. O método leva à prática de injustiças. Sem essa de que o atleta não pode opinar, denunciar, criticar ou fazer seu comentário! O atleta aqui é tratado como um alienado, ou um robô que a tudo tem que dizer amém.
Quando se emite posição contrária, a pessoa é considerada como indisciplinada e se exerce uma forte pressão para expulsá-la. O caso é sempre abafado pela ditadura do COB, e o atleta é execrado, humilhado e expurgado. Os dirigentes sempre têm razão. Falta uma organização do setor para se exigir democracia e o livre pensar e discutir.

Há anos que não existe renovação e mudanças no corpo diretivo dos nossos esportes. Criou-se um grupo fechado, contaminado de vícios e suspeito de desvios e irregularidades de todos os tipos. Nos eventos internacionais, esses diretores aparecem como salvadores da pátria, cheios de vaidades para maquiar suas incompetências. O sr. Ricardo Teixeira, por exemplo, permanece na cadeira da CBF através de manipulações e é acusado de cometer irregularidades.

Para mostrar grandeza e pompa, gastam rios de dinheiro para convencer os comitês a sediar uma Olimpíada, ou uma Copa de Futebol do Mundo no Brasil. Eles pouco importam com o profissionalismo e a qualidade dos atletas, ou se o país tem condições econômicas e sociais para tanto. O negócio deles é com números. Quanto maior a delegação, mais bonito e glorioso. Anunciam os números como recordes. Que beleza!

Para Pequim levaram quase 300, para 10 ou 15 medalhas. É muita quantidade e pouca qualidade. Dá para se sentir como falta controle emocional e psicológico nos participantes. O brasileiro sofre de ataque do complexo de inferioridade. É um chorar e ranger de dentes. É, mas a imprensa faz suas manchetes espetaculosas. Quando não se tem vitória, inventa-se prêmios de consolação paras encher “lingüiça”.

Nas competições de maior peso e mais tradicionais, como ginástica, natação e atletismo em geral dos tempos gregos, o Brasil precisa muito avançar para acompanhar os outros países mais desenvolvidos que priorizam os esportes. Somente no judô e no vôlei de praia e de quadra se sobressai um pouco. No basquete masculino, o time foi desfeito, e os melhores deram desculpas para não irem para Pequim.

Por essas e outras é que o Brasil ainda não saiu da era limitada do bronze nas Olimpíadas. Um penúltimo, décimo, oitavo ou terceiro lugares são motivos de comemorações, com o empurrão falso e omisso da mídia que está mais preocupada em fazer audiência que dizer a verdade como ela é. O brasileiro se contenta com o pouco. É muito triste ver atletas com a cuia na mão pedindo um patrocínio para se preparar e ir a uma Olimpíada. Se ele ainda não é um vencedor, não ganha nada, como no caso do primeiro emprego onde se pede experiência.

O governo poderia evitar essa vergonha, bancando e dando toda assistência ao atleta que quer se dedicar numa modalidade, inclusive com um bom salário para que ele não passe necessidades e apertos na vida. Isso daria mais tranqüilidade psicológica e emocional.

O Estado, como é feito na China, Rússia, Cuba, França, Alemanha, Estados Unidos, tem a obrigação de manter a formação do atleta. Mas, aqui no Brasil o dinheiro público é desperdiçado e diluído para outros fins que rendem votos. Acontece com a educação. Ai o governo sempre alega falta de recursos para investir mais nos esportes. O pior é que temos um Ministério, de fachada.
Sempre faltam verbas para os esportes, mas não faltam para a distribuição de cargos para os políticos e apadrinhados. Não faltam recursos para construir belos estádios e vilas. É o mesmo que instalar luxuosas escolas e hospitais, mas sem equipamentos, professores e médicos de qualidade. Não dá para comprar umas medalhas por aí ou subornar juízes e comissões organizadoras.

É de cortar o coração, e causa revolta e indignação quando se vê um atleta brasileiro chorando e se lamentando porque não conseguiu vencer seu adversário. É vergonhoso para o pais, esse mesmo atleta dizer que foi obrigado a ficar muito tempo na faixa marrom de judô porque não tinha dinheiro para pagar uma inscrição para pular de categoria. Dá um aperto no coração ver as imagens do americano Phelps vencedor de 11 medalhas e do outro lado o nosso chorando e contando seus sacrifícios. Aliás, o que mais fazem nossos atletas é chorar quando têm um desempenho sofrível, ou recebem um bronze. São lágrimas de glória e, ao mesmo tempo, de sentimento por não ter tido condições de ir mais além.

Como tudo funciona como uma máfia de grupos poderosos com seus interesses, prevalecem o rigor, a ditadura e a repressão nas decisões. Para satisfazer o apetite de grandes empresas patrocinadoras, atletas com idades avançadas e há muito tempo nos eventos, continuam indo para as competições, mesmo sem condições. A empresa condiciona seu patrocínio à presença do atleta, como ocorreu na Copa do Mundo na França de 2002 com o jogador Ronaldo. Daí se ver atleta já cansado e até fora do peso. Para que isso não ocorresse, o Estado teria que estar à frente de tudo, custear e ser o único patrocinador.

As redes de televisão, repórteres e locutores exageram na emoção e espetacularizam o fato de um bronze ou um décimo lugar. No entanto, não mostram o outro lado da realidade, que são os dirigentes incrustados em seus cargos. A Rede Globo, por exemplo, faz um esforço danado para dar ênfase à participação brasileira nas Olimpíadas. Fica o tempo todo caçando ganchos(jargão jornalístico) e fazendo entrevistas monótonas para preencher espaços e buracos. Para justificar os patrocínios, os locutores fazem um estardalhaço para transmitir um simples ponto.

Sem renovação dos quadros, sem estrutura logística e investimentos pesados do governo no setor, não dá para forçar a barra. Mas, o negócio do COB e de seus organizadores é só mostrar grandeza e fazer demagogia para se manterem nos cargos. Primeiro temos que cuidar de nossa casa, dos nossos problemas, e não querer se equiparar aos grandes centros. Para eles, não importa que o desempenho dos atletas seja um fracasso. Por enquanto, vamos ficar com os nossos jogos Pan-americanos que nos dão mais vitórias.

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