
De 2006 até abril deste ano, foram emitidas licenças para supressão de 47 mil hectares de florestas nativas. Os municípios mais críticos com perda de vegetação se encontram na região sudoeste que está virando um deserto. Nesta região, a Mata Atlântica tem fisionomia mais seca(mata de cipó). De acordo com estudiosos, a dificuldade para se entender a mata de cipó como mata atlântica teria favorecida a concessão de tantas licenças. O eucalipto foi outro fator que contribuiu para a perda de florestas na região sudoeste. Fora as licenças, existem ainda os cortes clandestinos e a fiscalização é precária, praticamente não existe. O Ibama, por exemplo, conta com oito fiscais para cobrir 46 municípios.
Nas épocas de seca quando a vegetação que ainda resta na terra fica cinzenta e retorcida, a paisagem desértica fica bem visível. Ai, quando corto esse sertão do meu Deus e dos pobres que teimam em viver nele, sempre me lembro do meu amigo geofísico Rui Bacelar que com sua crítica feroz e certeira, baseada em análises científicas, dizia que esse sertão está virando um deserto estorricado.
Em sua defesa do meio ambiente(ele também bradava contra os políticos corruptos e clamava pela ética), Rui sempre condenou o incentivo exagerado do eucalipto em nossas terras, e descrevia como o café colaborou para a perda da nossa cobertura florestal. Em nome do progresso que passa por cima da fome e visa o lucro, sempre prosperou a degradação e a depredação da natureza. Um bom, ou mau exemplo disso esta na Serra do Periperi que virou um escombro.
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